Coordenadora do NEAVIT compartilha dados do Mapa do Feminicídio em seminário sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha no TJSC

Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon destacou metodologia de desenvolvimento do mapa, principais resultados e potencial de impacto na proteção de mulheres vítimas de violência.

07.08.2026 18:40
Publicado em : 
07/08/26 21:40

Sete de agosto marca o aniversário de 20 anos da Lei Maria da Penha, que busca prevenir e punir a violência contra as mulheres no Brasil. Com o intuito de somar à discussão sobre o tema, a Coordenadora-Geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, proferiu uma palestra no evento “Lei Maria da Penha – 20 anos: evolução, efetividade e desafios no sistema de Justiça”, promovido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em Florianópolis. O evento reuniu representantes de diversas instituições e é referente à campanha Agosto Lilás, que visa conscientizar a população pelo fim da violência contra as mulheres.


Na apresentação sobre o Mapa do Feminicídio, a Coordenadora do NEAVIT destacou a metodologia de desenvolvimento do mapa, os principais resultados e potencial de impacto na proteção de mulheres vítimas de violência. A pesquisa é baseada em quatro camadas de análise: dinâmicas dos feminicídios, quem são as vítimas, quem são os autores e como o sistema de Justiça responde a casos de feminicídio. Para conferir as informações completas, acesse o Mapa do Feminicídio.


Sobre a dinâmica dos crimes, o mapa revela que o feminicídio representa uma parcela expressiva da letalidade feminina, sendo que existe a centralidade da violência íntima e histórico prévio de violência, além de impactos familiares, especialmente nos filhos. Na análise que compreende o período de 2020 a 2024, em Santa Catarina, 66,4% das mortes violentas intencionais de mulheres são classificadas como feminicídios. Em 63,9% dos casos, o crime foi cometido por parceiros ou ex-parceiros e 76,4% na residência da vítima. 

 

 

Na esfera de identificação das vítimas, o mapa evidencia desigualdades relacionadas a raça/cor, renda e escolaridade, vínculos familiares e afetivos, território e acesso à proteção. No período analisado, 84,4% das mulheres mortas em casos de feminicídio eram de baixa renda, 71,5% não tinham vínculo formal de trabalho e 56,9% não concluíram o ciclo básico da educação. Na perspectiva de quem são os autores, os principais achados indicam que são 94,6% do sexo masculino e que 72,6% têm antecedentes policiais. Por fim, na área de como o sistema de Justiça responde a casos de feminicídio, a pesquisa demonstra que 68,9% das vítimas tinham histórico de violência e apenas 19,7% possuíam medida protetiva de urgência.  


Além do diagnóstico, o projeto Mapa do Feminicídio abarca a websérie Ausências, que conta a história de quatro vítimas de feminicídio: Ana Kémilli, Mônica, Eveline e Catarina. Confira aqui os quatro episódios.

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC