Sócio da Criciúma Construções é condenado a nove anos de prisão por crimes na venda irregular de imóveis
Rogério Cizeski, sócio-proprietário da empresa Criciúma Construções, foi condenado a nove anos e 20 dias de reclusão por crimes contra a economia popular e ocultação de valores. A ação ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) relata que, entre março de 2009 e dezembro de 2014 o empresário teria negociado apartamentos de um novo condomínio em um terreno que nem mesmo lhe pertencia.
A ação foi ajuizada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma em 2015, após apurar que o empresário afirmava dolosamente que sua empresa era legítima proprietária dos terrenos sobre os quais seria edificado um empreendimento com 169 unidades habitacionais. Quatro dos sete terrenos projetados para receber o empreendimento nunca teriam pertencido à construtora ou outra empresa do mesmo grupo, e seriam de posse de terceiros. Mesmo sem atender às determinações legais, foi promovida a venda ou permuta de unidades do condomínio a pelo menos 10 vítimas.
A denúncia relata, ainda, que em razão da venda das unidades da incorporação irregular, o réu teria recebido vultosa quantia, inclusive em cheques pré-datados. Porém, como não poderia movimentar os valores por estar em dívida com diversas instituições bancárias, com várias tentativas de bloqueio de dinheiro determinadas pela Justiça, os cheques foram entregues a Amilton Martins, que passou a transitar as quantias em sua conta e na de uma empresa da qual é sócio, com a devolução parcelada em dinheiro ao empreendedor.
Rogério Cizeski foi condenado, por ocultação de valores e crime contra a economia popular decorrente de afirmação falsa em contratos sobre a alienação do terreno, à pena de nove anos e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 20 dias-multa e 15 salários mínimos.
Já Amilton foi condenado por ocultação de valores à pena de quatro anos de reclusão, em regime inicial aberto, e 13 dias-multa. Considerada a condição econômica e social favorável dos acusados, o valor do dia-multa foi fixado em R$ 2 mil. Cabe recurso da decisão (Ação Penal n. 0900123-45.2015.8.24.0020).
Empresa tem milhares de consumidores lesados
Em maio de 2014, o Ministério Público instaurou inquérito civil e procedimento investigatório criminal para apurar atos, em tese ilícitos, praticados na administração de grande empresa de construção civil que, na época, estava inadimplente com 8.800 consumidores de várias regiões de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, uma vez que os empreendimentos lançados e comercializados por ela estavam todos atrasados ou paralisados.
A partir dessa apuração, o Ministério Público ajuizou 28 ações civis públicas visando proteger os direitos dos milhares de consumidores lesados. Dessas ações, 17 foram ajuizadas na Comarca de Criciúma, 1 em Forquilhinha, 2 em Chapecó, 7 em Jaraguá do Sul e 1 em Joinville.
Paralelamente à atuação na área cível, o Ministério Público deflagrou investigação criminal para apurar a responsabilidade dos dirigentes da empresa em relação às várias práticas ilícitas descobertas. Somente na Comarca de Criciúma foram cinco ações penais ajuizadas contra Rogério Cizeski. Em uma delas ele já foi condenado a oito anos de reclusão, por estelionato.
Na área cível, as ACPs pedem a reparação de um dano causado à sociedade. Já na área criminal, o MP pede que os responsáveis respondam criminalmente pelos crimes que tenham cometido.
Veja também
9/8/2019 Dono da Criciúma Construções é condenado a oito anos de prisão por estelionato
27/6/2017 Criciúma Construções e Município condenados a pagar indenização por danos morais coletivos
10/4/2017 Restabelecido bloqueio de bens de proprietários da Criciúma Construções
2/7/2015 Nova decisão do STJ libera proprietário da Criciúma Construções
26/6/2015 STJ nega habeas corpus para proprietário da Criciúma Construções
18/5/2015 Ministério Público faz nova denúncia contra envolvidos na Criciúma Construções
15/5/2015 Ministério Público denuncia empresários envolvidos no caso Criciúma Construções
24/4/2015 Investigações de Criciúma Construções continuam após operação do GAECO
23/4/2015 GAECO realiza operação no caso da Criciúma Construções
18/3/2015 TJ aceita recurso do MPSC e suspende obra em APP no município de Criciúma
9/3/2015 Liminar protege consumidores em loteamento de Forquilhinha
27/2/2015 Consumidores de Chapecó também são vítimas da Criciúma Construções
15/12/2014 GAECO realiza busca e apreensão em Criciúma
29/9/2014 MPSC ingressa com nova ação contra Criciúma Construções
22/9/2014 Criciúma Construções está proibida de vender e anunciar imóveis
20/8/2014 MPSC ingressa com ação contra Criciúma Construções
5/11/2013 Empresa deverá regularizar condomínio em Jaraguá do Sul
Últimas notícias
09/03/2026Faixa do Protocolo "Não é Não" esteve presente na final do Campeonato Catarinense de Futebol
09/03/2026MPSC recomenda providências para garantir acessibilidade a cadeirantes em rua de Florianópolis
09/03/2026MPSC reforça prática de doação do Imposto de Renda para Fundos de Direitos
09/03/2026MPSC obtém sentença definitiva que determina distribuição de fórmulas nutricionais a crianças com alergia alimentar em São Bento do Sul
09/03/2026STF confirma constitucionalidade do modelo de assessoramento do MPSC
09/03/2026MPSC doa cinco motos e oito kits de equipamentos para Polícias Militar, Civil e Penal
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
26/01/2026Acordo firmado pelo MPSC, IMA e Seara garante fim do lançamento de efluentes no Riacho Santa Fé e destina R$ 5 milhões para projetos ambientais em Itapiranga
19/11/2025MPSC firma acordo para regularizar lei que trata das chácaras rurais em Xanxerê
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/11/2025MPSC atua em municípios atingidos por tornado no Oeste