Post

"Eles são preguiçosos e não tentam", "é falta de caráter" ou "eles podem facilmente sair disso, se se esforçarem o suficiente" são frases comuns no processo de rotulagem de pessoas que passam por doenças mentais. Na quinta edição do evento "Setembro Amarelo: reveja seus conceitos", especialistas fizeram reflexões sobre emoções e conceitos de felicidade para cada pessoa dentro de suas realidades sociais e de seu ambiente de trabalho. O encontro aconteceu nesta sexta-feira (6/9) no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em Florianópolis.

No início do evento, o Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor (CDH), Promotor de Justiça Douglas Roberto Martins, apresentou dados da Associação Brasileira de Psiquiatria que indicam a ocorrência de cerca de 12 mil casos de suicídio no Brasil por ano e a informação de que, a cada 100 pessoas, ao menos 17 já tiveram alguma intenção suicida. "Isso é um indicativo claro de que é preciso falar sobre esse problema. A função do Ministério Público, uma das mais essenciais, é a proteção dos direitos humanos, e quando se fala de direitos humanos o mais elementar deles é o direito à vida. É preciso, então, continuar quebrando o tabu que existe a respeito do assunto. Falar para conhecer, conhecer para prevenir: esse é o lema. Temos que valorizar a vida", afirma.

Para o Secretário-Geral do Ministério Público, Promotor de Justiça Samuel Dal-Farra Naspolini, que representou o Procurador-Geral de Justiça, Fernando da Silva Comin, este é um evento marcado pela coragem de suscitar um tema que normalmente tende a nos afastar. "É muito gratificante fomentar essa discussão não apenas internamente, entre os Servidores e os Promotores, mas abrir as suas portas para a sociedade. Assim, nós enriquecemos a nossa atuação", relata.

Ainda na abertura, o Secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, destacou a questão do preconceito, sobretudo em relação ao tratamento de doenças mentais."Quando alguém está sendo cuidado por um psiquiatra, as pessoas o tratam como louco. Nós temos uma grande dificuldade de entender que existem patologias mais graves, que realmente precisam de tratamentos mais adequados", ressalta. A presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Lílian Schwanz Lucas, também falou sobre a discriminação acerca do assunto, afirmando que o melhor remédio é o conhecimento. "Cada um que sai daqui hoje será um difusor de conhecimento científico sobre o tema e um agente de promoção de saúde para toda a população", completa. 

Post

Palestras

Quem acompanhou o evento teve informações sobre a questão do suicídio com três especialistas em psiquiatria, que abordaram o estresse, o desgaste emocional e a vulnerabilidade.

A primeira palestra, ministrada pela médica psiquiatra Vanessa Pereira Leal, teve como tema "A depressão não é quem eu sou: significado de estigma para pessoas com transtornos mentais". A fim de tratar da temática, a psiquiatra trouxe pesquisas que mostram que a maioria das pessoas com depressão relata algum tipo de estigma, um conceito definido em três níveis: estereótipos, preconceito e discriminação. "O mundo tem uma crescente necessidade de cuidados de saúde mental, mas esses cuidados precisam ser aceitos culturalmente. Para criar uma cultura livre de estigma, é preciso dar acesso à informação e não minimizar o sofrimento do outro", conta.


Post

Para abordar o sofrimento psíquico das minorias sociais no Brasil, foi convidado o médico psiquiatra e professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) Alexandre Ferreira Bello. Ele apontou as minorias mais atingidas pelas doenças mentais, como a população indígena e a comunidade LGBT. "É necessário melhorar o suporte social e emocional, assim como dar acesso ao tratamento adequado", propõe.