Operação Coluna Sul: MPSC ajuíza denúncia contra 164 pessoas apontadas como integrantes de facção criminosa 

A ação com o maior número de réus no contexto de facções criminosas da história do Ministério Público catarinense, ajuizada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, identificou 31 denunciados como parte do alto escalão da facção criminosa, 74 com funções intermediárias de coordenação, disciplina ou gestão operacional, e 60 que estavam na base da organização criminosa.

19.08.2026 18:52
Publicado em : 
19/08/26 18:52

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou a ação com o maior número de denunciados no contexto de facções criminosas da história da Instituição contra 164 indivíduos apontados como integrantes de uma facção criminosa. A ação, ajuizada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, é resultado da Operação Coluna Sul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). 

Conforme a denúncia, os 164 denunciados estariam distribuídos em 12 núcleos organizacionais da facção criminosa, de acordo com as funções que exerceriam dentro da estrutura. A investigação apontou 31 denunciados posicionados nos níveis superiores de comando, 74 com funções intermediárias de coordenação, disciplina ou gestão operacional e 60 na base da organização. 

A complexidade do caso levou a 39ª Promotoria de Justiça da Capital a estruturar a denúncia, que totaliza mais de 1.500 páginas, em 27 capítulos distintos, além da cota da exordial acusatória, em arquivos separados, e requerer à Justiça a divisão processual em 23 ações penais, a fim de facilitar a tramitação judicial e a individualização das condutas atribuídas a cada investigado.   

Todos os 164 denunciados respondem pela suposta promoção ou integração de organização criminosa ultraviolenta, nos termos da nova Lei n. 15.358/2026, o que torna a pena a ser aplicada em caso de condenação mais alta, por se tratar de organização criminosa ultraviolenta. Além disso, o Ministério Público atribuiu a parte dos investigados outros crimes, sendo que 21 também são acusados de tráfico de drogas e três investigados também foram denunciados por comércio ilegal de armas de fogo.  

Além das condenações criminais, o MPSC requereu a fixação de indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado a título de reparação pelos danos morais coletivos que teriam sido causados pelas atividades atribuídas à organização criminosa ultraviolenta. 

A facção criminosa 

Segundo a denúncia, a facção criminosa, com atividades em todo o país, mantinha uma estrutura organizada denominada “Coluna Sul”, responsável pela coordenação das atividades da facção em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa ultraviolenta tinha uma rígida divisão de funções, hierarquia definida e setores especializados para recrutamento de integrantes, inclusive de adolescentes, comunicação interna, controle disciplinar, administração financeira, logística de armamentos e articulação entre membros em liberdade e custodiados no sistema prisional. 

As investigações identificaram a utilização de grupos de mensagens em aplicativos para transmissão de ordens, compartilhamento de informações estratégicas, cadastramento de integrantes, realização de procedimentos internos de disciplina e coordenação das atividades da organização em diferentes regiões do estado.  

Segundo a acusação, os canais também eram utilizados por integrantes presos para manter contato com lideranças externas e participar da gestão das atividades da facção. 

A 39ª Promotoria de Justiça sustenta, ainda, que a organização criminosa ultraviolenta mantinha um sistema próprio de controle de armamentos, com aquisição, cadastramento, armazenamento, manutenção e remanejamento de armas de fogo entre seus integrantes. Os elementos reunidos apontariam para a existência de responsáveis específicos pela compra, guarda, fornecimento e manutenção do arsenal utilizado pela facção. Há informações de que a facção contava com um integrante responsável pela alteração de equipamentos de "air-soft" para que pudessem ser utilizadas como armas de fogo. 

Outro aspecto apontado pelo Ministério Público na denúncia é a utilização de adolescentes na estrutura da organização, criminosa ultraviolenta, que tem adotado uma nova normativa interna, permitindo o "batismo" a partir dos 16 anos . Durante a investigação, foram identificados até mesmo procedimentos individualizados de ingresso, os “batismos”, de adolescentes.    

A Operação Coluna Sul 

A Operação Coluna Sul, considerada pelo MPSC a maior ação já realizada pelo GAECO no estado, foi deflagrada em 1º de julho com o objetivo de desarticular uma facção criminosa investigada por envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de armas de fogo. A operação decorre de investigações iniciadas na Operação Maserati e foi coordenada pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, com apoio de órgãos de segurança de diversos estados. 

A ofensiva ocorreu simultaneamente em seis estados brasileiros, abrangendo 30 municípios de Santa Catarina, além de cidades do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Na ocasião, foram cumpridos 132 mandados de busca e apreensão e realizadas 147 prisões, das quais oito em flagrante. Também foram apreendidos celulares, armas de fogo, munições, drogas, documentos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.    

39ª Promotoria de Justiça da Capital 

A 39ª Promotoria de Justiça da Capital, que já atuava no combate às organizações criminosas na Grande Florianópolis, tem, desde 1º de julho de 2025, abrangência estadual, assumindo a investigação e o processamento de crimes ligados a organizações criminosas em todo o território catarinense, conforme o Ato n. 769/2025/PGJ.  
  
GAECO  

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas é uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público de Santa Catarina, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, com a finalidade de identificar, prevenir e reprimir a atuação de organizações criminosas no Estado de Santa Catarina. 

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Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC