Trio é condenado a 104 anos de prisão por roubar, torturar e matar idoso em Timbé do Sul
Vítima foi atraída por um falso pretexto, depois foi amarrada e teve a cabeça mergulhada em um barril de água para revelar onde guardava dinheiro e informar a sua senha bancária, antes de ser morta com um golpe na cabeça. Um quarto denunciado, apontado como o mentor do crime, ainda será julgado em processo separado.
Após a atuação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Turvo, três réus foram condenados pela Vara Única da comarca a penas que, somadas, chegam a 104 anos de reclusão. Os réus responderam pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e tortura contra um idoso de 80 anos, assassinado na noite de 19 novembro de 2025 na localidade de Areia Branca, em Timbé do Sul.
A ação criminosa contou com quatro participantes: o autor do golpe fatal, que foi condenado a 48 anos, três meses e seis dias de reclusão, por latrocínio e tortura; o réu que atuou como executor direto ao lado do primeiro, condenado a 33 anos, seis meses e quatro dias, também por latrocínio e tortura; e o réu que permaneceu na casa usada como base do grupo, condenado a 22 anos, dois meses e 20 dias, apenas por latrocínio, tendo sido absolvido da acusação de tortura, a pedido do Ministério Público.
Todos os três réus condenados deverão iniciar o cumprimento da pena em regime fechado e seguem presos preventivamente. Houve ainda a participação de um quarto denunciado, apontado pela sentença como mentor intelectual do crime, que teve o processo desmembrado após ser preso em outro estado e será julgado separadamente.
Como o crime aconteceu
Segundo apurado no processo, o esquema começou na manhã do próprio dia do crime, quando o denunciado apontado como mentor foi à casa da vítima sob o pretexto de verificar uma vaga de emprego de caseiro na propriedade. Durante a conversa, o idoso, de forma ingênua, revelou que guardava grandes quantias em dinheiro, chegando a mencionar cerca de R$ 40 mil, e mostrou um revólver calibre .38 que possuía em casa.
À noite, o grupo se reuniu na casa de um deles, que serviria de base de operações: ali os quatro fecharam o plano que já previa agredir e matar a vítima e trocaram de roupa para dificultar a identificação. Enquanto esse réu ficava na residência dando suporte logístico, o mentor do crime retornou à casa da vítima acompanhado dos outros dois executores e de um quinto participante, até hoje não identificado. Para se aproximar sem resistência, o grupo usou um novo pretexto falso, dizendo que havia encontrado uma mula que o idoso tinha perdido, algo que mentor do crime havia descoberto no primeiro contato com a vítima, naquela manhã.
Assim que se aproximaram, os quatro renderam a vítima e reviraram a casa em busca de dinheiro. Para obrigá-la a revelar onde guardava os valores e indicar a senha do cartão bancário, o idoso foi amarrado pelos pés e pelas mãos e teve a cabeça mergulhada repetidas vezes em um barril de água, além de ser espancado. As agressões chegaram a fraturar o nariz e o um osso do rosto da vítima.
Em seguida, o réu apontado como autor do golpe fatal desferiu contra a cabeça da vítima um golpe com um objeto contundente, semelhante a um pedaço de madeira, causando a morte por traumatismo. O grupo fugiu levando R$ 600 em espécie, o revólver, uma motosserra, um compressor de ar, uma máquina de cortar grama, uma televisão, o documento de identidade e o cartão bancário do idoso.
Ainda naquela noite, o réu que havia ficado na casa-base e o comparsa não identificado foram a uma agência bancária em Timbé do Sul para tentar sacar dinheiro da conta da vítima com a senha obtida sob tortura. As tentativas não tiveram sucesso por falta de saldo. Os demais fugiram de carro em direção a Araranguá; o mentor do crime foi localizado dois dias depois fugindo da polícia no mesmo veículo.
A identificação dos envolvidos contou com imagens de câmeras de segurança, registros bancários e dados extraídos de celulares apreendidos, entre eles um vídeo, encontrado no telefone do mentor do crime, em que ele aparece filmando escondido o velório da vítima.
Por que um dos réus não foi condenado por tortura
A sentença absolveu da acusação de tortura o réu que ficou na casa-base, por falta de dolo. Embora ele tenha aderido ao plano de roubo já ciente do risco de morte da vítima – o que basta para responsabilizá-lo pelo latrocínio –, não há provas de que soubesse ou concordasse com o método de tortura por afogamento. Ele permaneceu em sua casa durante toda a execução do crime e, segundo seu próprio relato, foi pego de surpresa quando os demais voltaram e contaram o que haviam feito. Por isso, sua responsabilidade ficou restrita ao crime patrimonial.
Quarto réu envolvido ainda será julgado
Apontado no processo como o mentor intelectual do crime, o quarto denunciado não integra esta condenação. Como foi preso posteriormente em outro estado, seu processo foi desmembrado dos demais réus para não prolongar a prisão preventiva dos outros três. Ele ainda será julgado, também pelos crimes de latrocínio e tortura.
Reparação e outras determinações
Além das penas privativas de liberdade, os três condenados tiveram a pena fixada solidariamente de pagamento de R$ 13.715,38 a título de danos materiais – valor que soma os bens levados, os R$ 600 subtraídos da vítima e as despesas com o funeral –, além de R$ 100 mil de indenização por danos morais aos herdeiros do idoso. A sentença, proferida em 30 de junho, ainda admite recurso.
Últimas notícias
03/07/2026MPSC garante condenação de 8 anos e 9 meses para homem que tentou matar uma pessoa em situação de rua na Capital
03/07/2026Trio é condenado a 104 anos de prisão por roubar, torturar e matar idoso em Timbé do Sul
03/07/2026Última semana de inscrição para o 3º Prêmio de Jornalismo do Ministério Publico de Santa Catarina
03/07/2026Planalto Alegre deve regulamentar ações conjuntas entre Município e iniciativa privada, recomenda Ministério Público
03/07/2026Advogado é condenado por transmitir audiência de processo sigiloso em rede social em Porto União
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
26/01/2026Acordo firmado pelo MPSC, IMA e Seara garante fim do lançamento de efluentes no Riacho Santa Fé e destina R$ 5 milhões para projetos ambientais em Itapiranga
19/11/2025MPSC firma acordo para regularizar lei que trata das chácaras rurais em Xanxerê
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/11/2025MPSC atua em municípios atingidos por tornado no Oeste