MPSC promove reflexão sobre violência contra a mulher para alunos do IFC de Araquari
Mais de 200 estudantes acompanharam a palestra do MPSC. Na oportunidade foi apresentado o NEAVIT para a comunidade escolar e abordado o tema violência contra a mulher.
Levar o debate sobre o combate à violência contra a mulher para jovens foi o objetivo da palestra realizada na manhã do dia 19 de maio, no Instituto Federal Catarinense (IFC) de Araquari, pela Promotora de Justiça Saraah Seben Fiamoncini e pelas residentes do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) de Joinville, Jossana Mara Araújo de Medeiros e Maria Madalena Cortelaci.
A conversa com os mais de 200 estudantes fez parte do mês da Diversidade, promovido entre os dias 19 de maio e 2 de junho pelo Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade (NEGES) do campus Araquari. A programação conta ainda com oficinas e momentos culturais voltados à conscientização e ao respeito às diferenças no ambiente acadêmico.
A residente de Direito, Maria Madalena Cortelaci, iniciou a explanação abordando os aspectos jurídicos do atendimento às vítimas de violência no NEAVIT. Jossana Mara Araújo de Medeiros, residente de Serviço Social, explicou que os trabalhos do núcleo se baseiam em uma escuta ativa e sem julgamentos, para evitar a revitimização. O serviço promove acolhimento multidisciplinar, amparo psicológico, orientação jurídica e encaminhamento rápido à rede de apoio social.
As representantes do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) propuseram aos jovens uma reflexão direta por meio da provocação: “Violências: o que eu tenho a ver com isso?”. A Promotora de Justiça Saraah Seben Fiamoncini falou sobre a necessidade de desconstruir mitos amplamente disseminados sobre violência, em especial a psicológica, a moral e a sexual.
“A violência psicológica é toda aquela conduta que busca controlar, humilhar, isolar a pessoa, manipular. E ela é muito perigosa porque são atos que, a princípio, parecem ser totalmente inofensivos”, explicou. Ela exemplificou ainda, situações de violência sexual e moral e alertou que controle e possessão são diferentes de proteção. “Isso se enquadra em um tipo de violência, pois a violência contra a mulher não se restringe à agressão física”, enfatizou.
A iniciativa buscou incentivar uma mudança de postura social, reforçando que a violência doméstica é uma questão coletiva e deve ser enfrentada por todos.
Para a Promotora de Justiça, “esse momento aproximou o Ministério Público do Estado de Santa Catarina da comunidade, especialmente da comunidade mais jovem. Aqui no Instituto Federal, nós viemos dar uma palestra a respeito da violência contra a mulher, trazendo um tema bastante atual e situações do dia a dia que estão muito presentes na geração de pessoas que têm entre 15 e 17 anos”.
“Foi um momento muito especial, com muita participação e, especialmente, para a conscientização de que nós todos temos, sim, a ver com a violência e que somos nós que devemos mudar o futuro para que ela não aconteça mais”, ressaltou.
Ao final do evento foi exibido um dos episódios da websérie "Ausências: as histórias por trás do Mapa do Feminicídio", produzida pelo MPSC. Os vídeos relatam histórias reais de mulheres vítimas de violência de gênero no estado. A produção busca humanizar as estatísticas do Mapa do Feminicídio e alertar sobre os sinais de violência nos relacionamentos.
A aluna Milena Kindlein da Rosa, do 3º ano do curso técnico em Informática, comentou que “o tema abordado foi muito importante, pois essa questão da violência psicológica ocorre e muitas pessoas não percebem esse tipo de violência até que seja tarde demais. É sempre importante ressaltar a violência psicológica, pois, como a Promotora de Justiça disse, é mais fácil para as pessoas saberem sobre a violência sexual do que sobre a violência psicológica”.
O estudante do 2º ano do curso técnico em Informática, André Kosmala, disse que “foi uma palestra muito boa, muito importante, principalmente pela conscientização dos jovens sobre a violência. A palestra foi muito interessante, principalmente pela presença do Ministério Público e de profissionais que já estão na área há muito tempo”.
Gabriella Anjos, estudante do 1º ano do curso técnico em Química, afirmou ter achado o encontro com o MPSC interessante e disse conhecer pessoas que já sofreram violência. “Por isso, acredito que é fundamental levar esse tema aos adolescentes, trazendo essa discussão para a escola e promovendo o diálogo tanto com os jovens quanto nos espaços onde esse tipo de violência ocorre com frequência. É essencial falar sobre esses assuntos porque, nos dias de hoje, ainda existem muitos casos, tanto de feminicídio quanto de outras formas de violência. Na verdade, isso sempre existiu, mas é imprescindível que seja tratado e debatido”.
A professora de português do IFC, Ana Carolina Rodríguez, ressaltou a importância do momento. “Quando planejamos essa semana sobre a diversidade, a gente pensou muito nesse tema de violência porque é uma questão muito presente no ambiente escolar. A gente trabalha com questões de bullying, de violências múltiplas que não são abordadas porque são assuntos difíceis de serem tratados.”
Ela ressaltou ainda que “a palestra foi muito legal porque a doutora conseguiu falar de um jeito leve, próximo dos estudantes, o que, eu acho, facilita a abordagem do assunto. Essa era a nossa ideia: abrir o espaço para o diálogo e conseguir falar sobre um assunto tão difícil, que é a violência”.
Sobre o NEAVIT
O NEAVIT de Joinville atua no acolhimento e orientação de vítimas, oferecendo suporte especializado. O núcleo está localizado na Avenida Hermann August Lepper, nº 980, sala 301-C, no bairro Saguaçu, em Joinville (SC), com atendimento também via telefone/WhatsApp pelo número (47) 3130-6147 e pelo e-mail neavitjoinville@mpsc.mp.br.
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