“Vozes da Proteção” transforma Expofeira Estadual do Leite em espaço de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher

Projeto realizado de forma conjunta pelo MPSC, pela UNIDAVI e pelo Município de Presidente Getúlio promove acolhimento e orientação às mulheres e abordagens educativas ao público masculino

29.05.2026 17:45
Publicado em : 
29/05/26 20:45

Na Expofeira Estadual do Leite, em Presidente Getúlio, que começou nesta quinta-feira (28/5) e segue até domingo (31/5), visitantes encontram um espaço dedicado à escuta, à informação e à prevenção da violência contra a mulher. A iniciativa faz parte do projeto “Vozes da Proteção: quando o conhecimento rompe o silêncio e a lei ganha voz”, que leva ao evento ações de conscientização, orientação e fortalecimento da rede de proteção no município. 

A ação aposta no diálogo como forma de conscientização. Acadêmicos do curso de Direito da UNIDAVI, previamente capacitados, conversam com o público ao longo da feira, com reflexões sobre respeito, prevenção e responsabilidade coletiva. A mobilização também é direcionada ao público masculino, incentivando debates sobre comportamento, violência de gênero e construção de relações mais conscientes e respeitosas. 

Durante a feira, duas ações específicas de sensibilização são realizadas: uma direcionada às mulheres, com orientações sobre identificação de sinais de violência e acesso à rede de apoio; e outra voltada aos homens, propondo reflexões sobre atitudes preventivas e enfrentamento à violência contra a mulher. 

Para a Promotora de Justiça Cassilda Maria de Carvalho Santiago, iniciativas como essa ajudam a aproximar o tema da comunidade e fortalecem o combate à violência. “Essa iniciativa visa conscientizar as pessoas e sensibilizar os participantes da feira sobre esse tema tão importante. Nosso papel é mostrar para as mulheres o que é violência doméstica, que elas têm uma rede de proteção e onde podem buscar ajuda. O material elaborado para os homens também busca indicar comportamentos que podem não ser considerados respeitosos em relação às mulheres em eventos dessa magnitude”, destacou. 

A Coordenadora do curso de Direito da UNIDAVI no campus de Presidente Getúlio, Rosângela Justen Zancanaro, comentou a importância da participação dos acadêmicos na ação e do envolvimento da universidade em projetos de impacto social. “Entendemos que esse é um projeto de responsabilidade social e que ele precisa acontecer de forma contínua, com momentos em que possamos falar sobre a violência contra a mulher para toda a sociedade. Esse é o nosso papel enquanto comunidade”, disse. 

A acadêmica de Direito da UNIDAVI, Mirela Pereira, que participa da ação, destaca a iniciativa como uma ferramenta essencial de acolhimento, orientação e fortalecimento das mulheres. “O projeto ‘Vozes da Proteção’ acolhe, informa e fortalece quem precisa de apoio”, afirmou.  

Entre os visitantes da feira, a iniciativa despertou reflexões. A aposentada Regina Maria Cipriani Pandini, que passou pelo estande durante a programação, diz que o acesso à informação é fundamental para que as mulheres consigam buscar ajuda. “Hoje, felizmente, as mulheres têm mais acesso à informação para poderem procurar ajuda quando passam por situações de violência”, comentou. 

O empresário Elio Devigilli, abordado pelos acadêmicos durante a ação, defende iniciativas educativas e voltadas aos homens. “Precisamos de muita conscientização, porque estamos vendo todos os dias notícias terríveis sobre feminicídio. O nosso papel é conscientizar as pessoas de que esse conceito precisa mudar”, afirmou. 

Os números evidenciam a gravidade do cenário atual. Dados apresentados pela 2ª Promotoria de Justiça de Presidente Getúlio apontam que o município, com cerca de 20 mil habitantes, registrou 909 casos de violência doméstica no último ano, índice expressivo proporcionalmente ao tamanho da população. 

Denuncie  

A violência contra a mulher muitas vezes acontece em silêncio, dentro de casa, longe dos olhos da sociedade. Porém, o silêncio não protege; ele perpetua o sofrimento. Denunciar é um passo fundamental para interromper esse ciclo e salvar vidas. Se você sofreu violência, saiba que você não está sozinha.  

Nenhuma forma de agressão é justificável, seja física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. É o começo de uma mudança que pode lhe devolver a segurança, a dignidade e a liberdade.  

Se você conhece alguém que está passando por isso, não se omita. Um gesto de apoio, uma orientação ou até mesmo uma denúncia pode fazer toda a diferença. Muitas vítimas não conseguem pedir ajuda sozinhas, e a sua atitude pode ser decisiva para protegê-las.  

Canais de denúncia:  

● Promotoria de Justiça da sua cidade;  

● Polícia Militar: Disque 190;   

● Central de Atendimento à Mulher: Disque 180;  

● Delegacia da Mulher (DPCAMIs) e boletim de ocorrência on-line: 181 ou denuncias.pc.sc.gov.br;  

● Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT): conheça os locais e horários em mpsc.mp.br/neavit;  

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC