Mapa do Feminicídio, do MPSC, se torna ferramenta de referência para cobertura jornalística sobre o crime
Lançada pelo MPSC para dar transparência aos dados e contribuir para a prevenção da violência de gênero, a ferramenta vem servindo de base para reportagens, séries especiais, documentários e ações de conscientização em diferentes regiões de Santa Catarina.
Lançado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em março para reunir e dar transparência aos dados sobre feminicídios registrados no estado, o Mapa do Feminicídio vem ultrapassando a função de consulta pública e de ferramenta para a atuação dos membros da Instituição em casos concretos. Nos últimos meses, a ferramenta passou a subsidiar reportagens, séries especiais, documentários e ações de conscientização, tornando-se uma importante fonte de informação para jornalistas, pesquisadores e instituições que atuam na proteção das mulheres.
A Coordenadora-Geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, afirma que o Mapa deve servir como base para análises e para ampliar o debate sobre violência contra as mulheres. “Quando disponibilizamos dados de forma organizada, transparente e acessível, permitimos que a sociedade compreenda melhor a dimensão do problema. Ver o Mapa do Feminicídio sendo utilizado pela imprensa, em ações educativas e em debates públicos demonstra que a informação qualificada pode contribuir para conscientizar, prevenir a violência e fortalecer a rede de proteção às mulheres”, diz.
Um dos exemplos mais recentes da utilização da ferramenta pela imprensa foi a reportagem especial “Retrato do feminicídio”, publicada pelo portal ND+, que utilizou informações do Mapa do Feminicídio para discutir os desafios da prevenção e da proteção das mulheres vítimas de violência. A produção analisou padrões identificados nos dados e buscou compreender por que, em muitos casos, os mecanismos de proteção não conseguem evitar a escalada da violência.
A relevância das informações disponibilizadas pelo MPSC também motivou a produção de conteúdos audiovisuais. A NSC lançou a série documental “Até quando?”, dedicada a discutir o feminicídio em Santa Catarina. A produção utilizou dados e estatísticas para contextualizar os casos e demonstrar que a violência contra a mulher é um problema estrutural que exige ação integrada do poder público e da sociedade.
Da mesma forma, a NDTV desenvolveu a série de reportagens “Retrato do feminicídio”, que utilizou dados do Mapa do Feminicídio para aprofundar a discussão sobre os fatores que antecedem os crimes e os desafios enfrentados pela rede de proteção às mulheres. O material apresentou análises, entrevistas e histórias reais para demonstrar como os dados podem ajudar a compreender padrões da violência de gênero e orientar ações de prevenção.
Outro registro foi durante o evento “Rota do protagonismo: ideias que circulam, mulheres que transformam”, promovido pela UNESC por meio do Fórum da Mulher Parlamentar. O Mapa do Feminicídio e um episódio da websérie foram exibidos durante a palestra da jornalista e colunista política Soledad Urrutia, que abordou o tema “Mulheres em movimento: escolhas, desafios e protagonismo”.
Produzido pelo NEAVIT e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC), com apoio do Setor de Dados Estruturados, o Mapa do Feminicídio analisou casos registrados entre 2020 e 2024, com atualização dos números absolutos até 2025. A iniciativa foi uma das prioridades anunciada pela Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, assim que assumiu o cargo, no ano passado. O tema vem se mostrando um problema nacional. Conforme um levantamento recente da Datafolha, divulgado em parceria com o Movimento Mulher 360, ataques contra a mulher aparecem à frente de citações aos crimes de tráfico (16%) e assalto à mão armada na rua (10%), por exemplo.
Para conhecer detalhes do Mapa do Feminicídio, acesse o link.
Websérie inspirada no Mapa
Construída a partir dos dados do estudo, a websérie “Ausências: as histórias por trás do Mapa do Feminicídio”, narra as histórias de Ana Kémilli, Mônica, Eveline e Catarina, mulheres vítimas de violência de gênero em Santa Catarina nos últimos cinco anos. Por meio delas, o material dá voz, cor e rosto às estatísticas reveladas pelo Mapa.
Os episódios já foram exibidos em emissoras abertas, estreou no Cidade Alerta, da Record, entrou na programação da TV Justiça e segue em expansão para universidades, rede legislativa e espaços de acolhimento às vítimas.
A websérie foi produzida pela Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC, com apoio do NEAVIT e do EDC. Os quatro episódios já alcançaram mais de 12.500 visualizações.
Para assistir aos episódios, acesse nosso canal no YouTube.
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