MPSC ajuíza ação contra advogados que abandonaram sessão do Tribunal do Júri em Itapoá
Ação da 1ª Promotoria de Justiça objetiva o ressarcimento de mais de R$ 21 mil gastos com estrutura mobilizada para a sessão frustrada e evidencia prejuízo à coletividade decorrente do atraso na prestação jurisdicional e do desperdício de recursos públicos.
O abandono do plenário do Tribunal do Júri de Itapoá por uma banca de advogados durante uma sessão já em andamento no mês de junho motivou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a ajuizar uma ação civil pública contra os profissionais que atuavam na defesa de dois réus de um processo por crime doloso contra a vida. Para o órgão, a conduta inviabilizou a continuidade do julgamento quando o Conselho de Sentença já havia sido formado, causando prejuízos aos cofres públicos, atraso na prestação jurisdicional e danos à coletividade.
Na inicial, a 1ª Promotoria de Justiça da comarca pediu que os réus sejam condenados solidariamente ao ressarcimento integral dos prejuízos materiais causados ao Estado de Santa Catarina, estimados em R$ 21.005,00. O valor poderá ser revisado durante a tramitação da ação, mas representa uma estimativa dos recursos públicos consumidos para a realização de uma sessão que acabou interrompida antes do julgamento dos acusados. Foi solicitado, também, o bloqueio cautelar de ativos financeiros até o valor estimado do prejuízo material, para assegurar o eventual ressarcimento aos cofres públicos.
O MPSC postulou tutela liminar inibitória, proibindo os advogados de abandonarem, sem justificativa idônea, futuras sessões do Tribunal do Júri relacionadas ao mesmo processo, sob pena de multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento. Demandou, ainda, que uma eventual decisão liminar concedida se torne definitiva ao final da ação. A tutela inibitória é uma medida preventiva que objetiva evitar que uma conduta volte a acontecer.
Consta na ação que a interrupção do julgamento afetou valores coletivos relacionados à credibilidade das instituições, à efetividade da Justiça, à soberania do Tribunal do Júri e à confiança da sociedade no sistema judicial. Em função disso, foi requerido o pagamento de indenização por dano moral coletivo em valor não inferior a R$ 100 mil, a ser destinada ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL) para serem aplicados em projetos de interesse da sociedade.
Entenda o caso
A 1ª Promotoria de Justiça descreve, na instrução processual, que o julgamento estava marcado para o dia 17 de junho e mobilizou uma ampla estrutura do sistema de Justiça, envolvendo magistrada, membros do MPSC, servidores, oficiais de Justiça, jurados, testemunhas, forças de segurança pública e equipes de segurança institucional. Após a definição dos jurados, os advogados de defesa manifestaram inconformismo com decisões tomadas durante a sessão e deixaram o plenário. Com isso, a Juíza Presidente dissolveu o Conselho de Sentença e adiou o julgamento por falta de defesa técnica.
A ação narra que o abandono ocorreu mesmo após advertência de que a medida prejudicaria diretamente os acusados, que permaneceriam presos preventivamente aguardando novo julgamento, além de provocar atraso na tramitação do processo. A Promotoria de Justiça argumentou que eventuais discordâncias em relação às decisões judiciais deveriam ter sido registradas em ata e posteriormente discutidas por meio dos recursos cabíveis, e não por meio da interrupção da sessão, na qual também foi ouvida, inclusive, a manifestação de representante das prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil.
A Promotora de Justiça Lanna Gabriela Bruning Simoni, titular da ação, afirma que “a sociedade catarinense, que já suporta o pesado ônus financeiro para a manutenção do sistema de Justiça, não pode ser compelida a financiar com dinheiro público condutas abusivas e táticas protelatórias”. Ela sustenta que a medida busca não apenas reparar os prejuízos financeiros causados ao Estado, mas também prevenir a repetição de situações semelhantes.
Últimas notícias
05/08/2026Ministro relator no STJ vota a favor do MPSC em ação que pode reverter mais de R$ 323 milhões a cidadãos catarinenses
05/08/2026MPSC ajuíza ação contra advogados que abandonaram sessão do Tribunal do Júri em Itapoá
05/08/2026Atuação do MPSC garante acolhimento institucional para pessoa idosa em situação de grave vulnerabilidade em Florianópolis
05/08/2026Homem que tentou esfaquear cunhada é condenado em júri popular em Concórdia
05/08/2026MPSC reforça compromisso com a proteção das mulheres durante evento do Agosto Lilás em Joinville
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
26/01/2026Acordo firmado pelo MPSC, IMA e Seara garante fim do lançamento de efluentes no Riacho Santa Fé e destina R$ 5 milhões para projetos ambientais em Itapiranga
19/11/2025MPSC firma acordo para regularizar lei que trata das chácaras rurais em Xanxerê
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/11/2025MPSC atua em municípios atingidos por tornado no Oeste