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Qual a melhor maneira para se resolver situações conflituosas na sociedade? Essa foi a pergunta feita em 2020 pela 9ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital que buscava a solução de desavenças envolvendo crianças e adolescentes em um centro de convivência e fortalecimentos de vínculos de Florianópolis. Para ajudar com a questão, o Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foi acionado e deu início a um projeto cujas ações seguem gerando resultados até hoje.

A estratégia adotada pelo NUPIA para solucionar um problema aparentemente pontual acabou se mostrando tão valiosa que passou a ser disseminada às equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social de Florianópolis (SEMAS). Foi assim que nasceu o projeto Conviver para a Paz - Círculos de Construção de Paz na Secretaria Municipal de Assistência Social de Florianópolis, uma iniciativa do NUPIA criada com o objetivo de difundir a cultura da paz a partir do fortalecimento dos vínculos das equipes de trabalho.

Os círculos de construção de paz

Pensado para estabelecer relações de paz entre os trabalhadores da SEMAS, o Conviver para a Paz desenvolvido pelo NUPIA a partir da 9ª PJ da Comarca da Capital tinha como missão incentivar a cultura de paz entre os servidores para que essa consciência se transmitisse naturalmente nas relações com o público externo, os atendidos pela SEMAS. Em outras palavras, a meta era dissolver gradualmente os conflitos e proporcionar uma melhor convivência nas relações internas e externas.

Para tanto, os trabalhadores interessados foram capacitados e formados como Facilitadores de Círculos de Construção de Paz, capazes de implementar um ambiente de paz entre o público interno do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Essa formação se deu em três etapas: sensibilização, capacitação e execução dos projetos finais.

Servidora do MPSC e uma das responsáveis pela execução do projeto em 2020, Luciana Andrea Mattos explica que "o círculo de construção de paz é uma ferramenta da justiça restaurativa. É um processo estruturado de diálogo que permite organizar a comunicação em grupo; favorece a construção de relacionamentos com interconectividade, permite uma escuta ativa e através dele nós podemos nos perceber na história do outro, aumentando assim, o vínculo e favorecendo a convivência", destacou Luciana.

Na primeira fase, 49 pessoas interessadas participaram dos encontros, tiveram contato com o tema e puderam conhecer os princípios de atuação de um Facilitador de Círculos de Construção de Paz. Foram seis encontros, realizados entre junho e setembro de 2020. Na segunda fase, os trabalhadores foram capacitados e incentivados a criarem projetos para disseminação da cultura de paz em suas localidades de atuação.

Um projeto com resultados permanentes

Foi a partir da terceira fase do Conviver para a Paz que os trabalhadores capacitados puderam aplicar os aprendizados em suas áreas de atuação. Quatro iniciativas foram elaboradas pelos participantes e, além de atestarem o êxito do projeto do NUPIA e da 9ª PJ da Capital, seguem gerando resultados nas comunidades de Florianópolis, dois anos depois do início do projeto.

Titular da 9ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, o Promotor de Justiça Marcelo Wegner afirma que o projeto "possibilitou que profissionais que trabalham no atendimento de crianças, adolescentes e famílias pudessem estar mais bem preparados para lidar com os conflitos que vivenciam no ambiente de trabalho, trazendo melhoria na qualidade do serviço prestado", comentou o PJ. 

As atividades elaboradas pelos Facilitadores se dividem em diferentes temas. Conheça um pouco mais sobre cada uma delas:

  • Grupo de Acompanhamento Familiar para a Mulher Nutriz na Chegada do Bebê

A chegada de um novo membro na família gera mudanças na vida de mães e pais. Pensando nisso, o grupo foi criado para fortalecer vínculos familiares, das mães nutrizes e/ou pais com os seus filhos, e dos vínculos comunitários. O objetivo é proporcionar a convivência mútua e a possibilidade de surgimento de novos vínculos, bem como maior autonomia na busca de seus direitos e na percepção da forma que a família está vivenciando esse momento com a chegada do novo membro. O projeto está funcionando por demanda de atendimento.

  • Workshop de Comunicação Não Violenta e Círculos de Construção de Paz - formação continuada dos servidores da SEMAS.

Promover e disseminar a Cultura de Paz por meio da realização de workshops de introdução à Comunicação Não Violenta (CNV) e Círculo de Construção de Paz entre os servidores da SEMAS é o objetivo desse projeto. Além disso, a equipe de trabalhadores que desenvolveu essa ideia busca contribuir para o fortalecimento de vínculos interpessoais, fomentar outras possibilidades de diálogo - como escuta e expressão - na relação com o outro, independente do âmbito da vida da pessoa (pessoal, profissional e/ou familiar) e compartilhar um sentimento colaborativo para que as necessidades de todos sejam atendidas e/ou ouvidas. O projeto está funcionando por demanda de atendimento.

  • Círculos de Construção de Paz para agentes do CREAS

Desenvolvido junto ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)/Continente, no Jardim Atlântico, em Florianópolis, esse projeto tem como objetivo proporcionar um momento de apoio e fortalecimento de vínculos entre as servidoras que atuam na unidade.

  • Círculos de Construção de Paz para o fortalecimento de vínculo de equipes de trabalho

Realizado no fim de cada ano, esse projeto tem como missão fortalecer os vínculos entre as equipes de trabalho, por meio da reflexão sobre os desejos dos servidores para um novo ano melhor. A iniciativa parte do princípio de que as pequenas atitudes são as responsáveis por gerarem grandes mudanças.

Como funcionam os círculos de construção da paz

Os círculos são espaços de encontro e a Segurança de Convívio e Fortalecimento de Vínculos, conceitos abordados nos cadernos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e objetivam promover encontros estimulando o diálogo e aprendizagem por meio de ações centradas no fortalecimento da autoestima, dos laços de solidariedade e dos sentimentos de pertença e coletividade.