Mapa do Feminicídio é apresentado a mais de 130 emissoras de rádio de Santa Catarina

Iniciativa da ACAERT levou à divulgação da ferramenta elaborada e lançada pelo MPSC para todas as regiões do estado. 
 

30.03.2026 17:53
Publicado em : 
30/03/26 08:53

O Mapa do Feminicídio foi apresentado nesta segunda-feira (30/3) para 134 emissoras de rádio no programa Coletiva ACAERT, promovido pela Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão. A iniciativa teve o objetivo de levar para cidades do interior de Santa Catarina a ferramenta lançada pelo MPSC para subsidiar a construção de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher e acolhimento das vítimas e a atuação dos Promotores de Justiça em todo o estado. 

Participaram da entrevista com o jornalista Kadu Reis, da ACAERT, a Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, a Coordenadora-Geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), Promotora de Justiça Chimelly Louise Resenes Marcon, e o Coordenador do Escritório de Ciências de Dados Criminais, Promotor de Justiça Simão Baran Junior, responsáveis pela construção do Mapa.

Esta é a primeira vez que o MPSC participa do quadro, que reúne emissoras de rádio de todo o estado para uma entrevista simultânea com participação dos jornalistas representantes das emissoras ao vivo. O programa Coletiva ACAERT é um dos principais espaços de diálogo com a imprensa catarinense, permitindo que temas de interesse público sejam debatidos de forma ampla e acessível à população.

Participaram da ação representantes das seguintes cidades: Abelardo Luz; Balneário Camboriú; Blumenau; Brusque; Caçador; Caibi; Campos Novos; Canoinhas; Capinzal; Criciúma; Descanso; Dionísio Cerqueira; Florianópolis; Fraiburgo; Garopaba; Guaraciaba; Ibirama; Imbituba; Indaial; Ituporanga; Jacinto Machado; Jaraguá do Sul; Joinville; Lages; Laguna; Lauro Müller; Maravilha; Pinhalzinho; Pomerode; Porto União; Quilombo; Rio do Sul; São Carlos; São Domingos; São João Batista; São Joaquim; São Lourenço do Oeste; São Miguel do Oeste; Sombrio; Tangará; Treze Tílias; Turvo; Urussanga; Videira; Xaxim.

A Procuradora-Geral de Justiça reforçou que o canal foi uma oportunidade de mostrar que existe um instrumento de atuação com dados calibrados para cada localidade de Santa Catarina. “O Mapa do Feminicídio é só um mapa se ele continuar lá parado no site do MPSC. Agora ele precisa ser um instrumento vivo do Prefeito, do Secretário, da Promotora e do Promotor de Justiça. Ele é uma ferramenta de trabalho, e acho que é importante para todas as mulheres que estiverem nessa situação de violência, de sofrimento, não se fecharem num casulo nem entrarem para os números, que tenham ajuda”, declarou.

Os Promotores de Justiça Chimelly Marcon e Simão Baran detalharam a confecção do Mapa e os resultados, principalmente sua regionalização. “Alcançar ouvintes no interior revela a importância desse enfrentamento ao feminicídio como um compromisso social. Colocar o tema em destaque significa também permitir que essas mulheres acessem informação qualificada e percebam rotas de saída para além do aprisionamento de um relacionamento abusivo”, reforçou a Coordenadora-Geral do NEAVIT.

Já o Coordenador do Escritório de Ciências de Dados Criminais do MPSC destacou que um dos grandes motivos de fazer o Mapa é identificar precisamente onde estão essas ocorrências. “Um dos achados que identificamos é que há uma ocorrência maior de feminicídios em cidades com menos de 15 mil habitantes. Então, é fundamental levar informação para termos essa noção precisa de onde esses feminicídios acontecem, para que a gente possa, com as comunidades locais, entender, discutir e pensar formas de prevenção”, afirmou.

O jornalista Kadu Reis, que conduziu a entrevista, avaliou que é fundamental a população ter acesso aos dados do Mapa, conhecendo o trabalho inédito produzido pelo MPSC. “A ACAERT atuou com um pedacinho da ajuda através da comunicação levando essa informação para a frente. Sem dúvida é uma grande honra e um grande orgulho”, disse.  

O presidente da ACAERT, Mário Neves, avalia que o lançamento do Mapa do Feminicídio representa um marco importante ao qualificar o debate público com dados consistentes, que revelam a complexidade e os padrões da violência contra a mulher em Santa Catarina. “Para a radiodifusão catarinense, essa iniciativa reforça ainda mais o nosso compromisso social de informar com responsabilidade, dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes permanece silenciada e contribuir para que a sociedade compreenda que o feminicídio é, na maioria das vezes, o desfecho de uma sequência de violências que poderiam ser interrompidas”, afirmou.

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC