Maio Laranja: romper o silêncio para salvar infâncias
Por Daniela Böck Bandeira, Promotora de Justiça e Coordenadora do Centro de Apoio da Infância, Juventude e Educação do MPSC.
Logo que entrei na carreira do Ministério Público, ouvi de um colega que um dos momentos mais difíceis emocionalmente para ele foi um depoimento especial de uma criança vítima de violência sexual. No final do mês de maio seguinte, sofri o mesmo impacto. Se o relato de uma criança sobre o sofrimento decorrente da violência, a quebra da confiança depositada no abusador e a tentativa de entender - como se houvesse um porquê - a razão de ela ter sido “escolhida” para ser abusada é impactante ao ouvinte adulto, imagine o quão devastador é para o infante que sofreu.
A perpetuação dessa violência é inaceitável e nós podemos e devemos utilizar o impacto dessa carga emocional como mola propulsora para a ação. Afinal, o próprio nome da nossa profissão é um lembrete constante da honra e do peso da responsabilidade de sermos Promotores de Justiça.
O Maio Laranja é uma campanha nacional que une os órgãos da rede de proteção para conscientizar e informar sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes. Nas escolas, as turmas aprendem a identificar quando algum limite corporal está sendo ultrapassado, a nomear desconfortos e sentimentos e, principalmente, a importância de buscar ajuda quando perceber algum sinal de abuso. Por todo o estado, Promotores de Justiça estão engajados na campanha e prevenindo essa violência.
Mas a nossa atuação também se dá com a proteção imediata e acompanhamento daqueles que, infelizmente, foram vítimas dessa violência, bem como com a repressão firme dos criminosos. A aplicação de medidas protetivas, a prisão, a denúncia e o acompanhamento da ação penal até a condenação são funções realizadas diuturnamente pelo Ministério Público, que trabalha na salvaguarda dos nossos pequenos em todas as suas frentes.
Porém, a responsabilidade por uma infância sem violência é de todos nós. Se nos esforçamos para que as crianças consigam se expressar sobre o que estão passando, precisamos nos esforçar para, de fato, escutar o que elas têm a dizer. Se não foi possível impedir que a violência ocorresse, é possível impedir que ela continue a ferir. Uma coisa é certa: o silêncio apenas beneficia o agressor. Incentive o diálogo. Preste atenção em comportamentos diferentes. Monitore o uso das redes sociais. Escute com atenção. Denuncie. Juntos, nós podemos e vamos garantir uma infância sem violência.
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Artigo originalmente publicado no jornal ND nesta segunda-feira (18/5).
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