Projeto Escola Restaurativa mobiliza educadores de Pomerode em ação de sensibilização sobre cultura de paz nas escolas
Iniciativa do MPSC reuniu 45 servidores das redes municipal, estadual e particular, além de integrantes da rede de proteção, para fortalecer práticas de diálogo e resolução de conflitos no ambiente escolar.
O diálogo como ferramenta de transformação marcou a nova etapa do Projeto Escola Restaurativa realizada nesta terça-feira (11/2), em Pomerode. Promovida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a ação reuniu 45 servidores das redes municipal, estadual e particular de educação, além de integrantes da Rede de Proteção a crianças e adolescentes, em uma atividade de sensibilização voltada à prevenção de conflitos e à promoção de uma cultura de paz nas escolas.
Entre os participantes estavam os diretores das 10 escolas municipais, representantes das três escolas da rede estadual e de instituições particulares de ensino, psicólogos educacionais, além de integrantes do Conselho Tutelar, do CREAS, do CRAS, da casa de acolhimento e servidores do MPSC que atuam em Pomerode. Esta foi a primeira vez que o projeto foi realizado no município, marcando a ampliação das ações do Ministério Público voltadas à promoção de práticas restaurativas na rede de ensino local.
Para a Promotora de Justiça da 1ª Promotoria de Justiça de Pomerode, Rejane Gularte Queiroz Beilner, a iniciativa reforça o papel da escola como espaço de formação integral. “A proposta é oferecer ferramentas para que a comunidade escolar consiga lidar com os conflitos de forma preventiva e construtiva, fortalecendo vínculos e promovendo um ambiente mais seguro e acolhedor para estudantes e profissionais da educação”, destacou.
“A boa aceitação da metodologia pela rede de Pomerode mostra que as práticas autocompositivas podem, de forma efetiva, impactar a realidade local. Esse foi o primeiro passo para a ocorrência de mudanças positivas na Comarca”, complementou o coordenador do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA), Marco Aurélio Morosini.
Durante o encontro, o grupo participou de dinâmicas e círculos restaurativos que apresentaram, de forma prática, os princípios da justiça restaurativa. A metodologia incentiva a escuta ativa, a corresponsabilização e a construção coletiva de soluções, contribuindo para a melhoria da convivência nas unidades de ensino.
A chefe do setor de apoio ao NUPIA e técnica do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Luciana Andréa Mattos ressaltou que a sensibilização é uma etapa essencial para a consolidação das práticas restaurativas no cotidiano escolar. “Quando os educadores vivenciam essas metodologias, eles passam a enxergar novas possibilidades de intervenção e diálogo, o que impacta diretamente a qualidade das relações dentro da escola”, afirmou.
A diretora de educação básica de Pomerode, Dayane Lesan, avaliou que a chegada do projeto ao município fortalece a rede de proteção às crianças e adolescentes. Somente a rede municipal atende cerca de 5 mil alunos, da educação infantil ao 9º ano, enquanto a rede estadual soma aproximadamente 1.100 estudantes distribuídos em três escolas. “Esperamos que, a partir daqui toda a equipe da educação de Pomerode se sinta ainda mais apta para promover diálogos assertivos para a restauração de vínculos afetivos e a promoção da comunicação não violenta nas escolas”, disse.
A atividade integra o conjunto de ações do Projeto Escola Restaurativa, desenvolvido pelo MPSC em diferentes municípios catarinenses com o objetivo de capacitar comunidades escolares para o enfrentamento de conflitos cotidianos. Desse grupo, 25 participantes seguirão em uma etapa de capacitação para se tornarem facilitadores e fortalecer a iniciativa no município.
Segundo a Promotora de Justiça Rejane Gularte Queiroz Beilner, a formação de facilitadores representa um passo importante para a continuidade do projeto. “Nosso objetivo é que essas práticas se tornem parte da rotina escolar anual, criando uma rede preparada para, por meio de escuta ativa, identificação entre os pares e fomento à empatia, promover relações mais saudáveis dentro das escolas”, ressaltou.
Por meio de experiências participativas, os educadores puderam refletir sobre situações vivenciadas nas escolas e conhecer ferramentas aplicáveis à rotina pedagógica, ampliando a atuação do MPSC na promoção de estratégias educativas voltadas à convivência respeitosa e à prevenção de violências no ambiente escolar.
“Esse encontro nos fez lembrar por que escolhemos a educação: para cuidar de pessoas. Saímos tocados e motivados a levar mais escuta, empatia e diálogo para dentro da escola”, afirmou Fabiana Pereira Machado, supervisora escolar da rede estadual de ensino e professora da rede municipal de educação.
“Vivenciar essas práticas renovou nossa esperança de construir ambientes mais humanos e acolhedores. É o tipo de aprendizado que transforma não só a escola, mas também a forma como nos relacionamos. A boa comunicação perpassa pela empatia ao próximo”, complementou Ronnie Peterson Barros Alves, conselheiro tutelar de Pomerode.
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