Projeto Escola Restaurativa mobiliza comunidade acadêmica em ação de sensibilização no Instituto Federal Catarinense (IFC) de Camboriú
Atividade reuniu cerca de 240 servidores em dinâmicas conduzidas por facilitadores formados pelo programa, fortalecendo práticas de diálogo e cultura de paz no ambiente escolar.
Doze salas de aula do Instituto Federal Catarinense (IFC) de Camboriú foram transformadas em rodas de conversa e trocas de experiências durante a ação de sensibilização do Projeto Escola Restaurativa, promovido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA) e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Camboriú, realizada na tarde desta quinta-feira (5/02). A atividade reuniu aproximadamente 240 servidores da instituição em uma imersão voltada à promoção da cultura de paz e à resolução construtiva de conflitos no ambiente escolar.
Durante as dinâmicas, os participantes tiveram contato com metodologias restaurativas aplicáveis ao cotidiano institucional. Para muitos servidores, a experiência ampliou o olhar sobre as relações interpessoais no espaço educacional. “A gente percebe que pequenos gestos de escuta e acolhimento podem mudar completamente a dinâmica de um conflito. Saio daqui com ferramentas práticas e com a sensação de que é possível construir um ambiente mais respeitoso e colaborativo”, avaliou a professora do IFC, Sônia Regina de Souza Fernandes.
Na mesma linha, o servidor André Fabiano de Moraes destacou o caráter prático da proposta. “Não é algo teórico ou distante da realidade. As dinâmicas mostram caminhos que podemos adaptar à rotina da escola, fortalecendo vínculos e prevenindo situações de desgaste. É um investimento direto na qualidade das relações”, afirmou o professor do IFC.
A ação contou com a atuação de 27 facilitadores, majoritariamente das regiões de Camboriú, Navegantes e Itajaí, todos capacitados na segunda etapa do Projeto Escola Restaurativa em seus municípios. A proposta foi apresentar, de forma prática e participativa, metodologias restaurativas voltadas à prevenção de conflitos e ao fortalecimento dos vínculos dentro da comunidade acadêmica.
A partir da atividade realizada em Camboriú, serão abertas 25 vagas para o curso de formação de facilitadores do Projeto Escola Restaurativa, com a primeira etapa prevista para abril e a segunda para agosto. Para a Promotora de Justiça de Camboriú, Caroline Zonta, a ampliação do programa no município representa um passo importante na construção de ambientes educacionais mais saudáveis. “Ao investir na sensibilização e na formação de facilitadores, o projeto fortalece a capacidade das instituições de lidar com conflitos de forma responsável e humana, promovendo o diálogo, o respeito e a corresponsabilidade como valores permanentes no ambiente escolar”, enfatizou.
O coordenador do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Marco Aurélio Morosini, destacou que a sensibilização representa um avanço na consolidação de uma cultura de diálogo nas instituições de ensino. “As práticas restaurativas nos convidam a substituir a lógica punitiva por uma cultura de diálogo, responsabilização e cuidado coletivo. Quando as instituições se apropriam dessas ferramentas, passam a lidar com os conflitos como oportunidades de aprendizado e fortalecimento da comunidade”, afirmou.
A chefe do setor de apoio ao NUPIA e técnica do MPSC, Luciana Andréa Mattos, ressaltou que a atuação integrada entre facilitadores e instituições de ensino é fundamental para a continuidade do projeto. “Nosso objetivo é apoiar as escolas na construção de espaços seguros de escuta e diálogo. Quando professores e servidores se engajam nesse processo, criamos uma rede capaz de prevenir conflitos e fortalecer as relações no ambiente escolar de forma duradoura. Em Camboriú, bem como em Navegantes, foi criada uma lei para aplicação da justiça restaurativa e a cultura de paz nas escolas. Com isso, se consolida o projeto Escola Restaurativa”, explicou.
A iniciativa integra as estratégias do Projeto Escola Restaurativa para disseminar práticas restaurativas no contexto educacional, estimulando a construção de ambientes mais colaborativos e seguros. A expectativa é que os conhecimentos compartilhados durante a sensibilização se reflitam em ações concretas no dia a dia da instituição, ampliando o diálogo e a cooperação entre educadores, servidores e estudantes.
“Ficamos muito honrados por o IFC de Camboriú ser o primeiro, entre os 17 institutos federais de Santa Catarina, a participar dessa iniciativa do Ministério Público. Acreditamos que a ação foi muito marcante para o nosso quadro de servidores”, destacou Sirlei Albino, diretora do campus do IFC de Camboriú.
Na próxima semana, no dia 11 de fevereiro, o Projeto Escola Restaurativa estará em Pomerode, com a sensibilização de 45 servidores das redes municipal e estadual de educação. O encontro será realizado na sede da EJA Pomerode, localizada na Rua Heinrich Passold, nº 130 (antigo SENAI).
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