Projeto Escola Restaurativa retorna a Blumenau e fomenta paz nas escolas
A Escola de Educação Básica Carlos Techentin, de Blumenau, recebeu nesta terça-feira (18/6) o projeto "Escola Restaurativa". O encontro promoveu reflexões e buscou transformar conflitos por meio de rodas de conversa inspiradas na Justiça Restaurativa. O projeto foi pensado no Grupo Gestor de Justiça Restaurativa no Estado de Santa Catarina (GGJR-SC). O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) participa do grupo por meio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA).
A Promotora de Justiça Débora Pereira Nicolazzi, da 17ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, buscou o apoio do NUPIA do MPSC para levar o projeto aos alunos. Esta é segunda escola do município que recebe a iniciativa. Em março, o projeto esteve na Escola Básica Municipal Vidal Ramos ( relembre aqui ).
"Acredito que encerramos mais um ciclo com muito sucesso. Já consegui ver um pouco dos feedbacks, que foram extremamente positivos. Isso faz com que possamos continuar com a implementação da escola restaurativa em outros municípios e aperfeiçoar o trabalho da equipe nesse papel tão importante que é propagar os círculos de paz e diálogos construtivos no âmbito escolar", declarou a Promotora de Justiça.
Durante todo o dia, 580 estudantes do ensino fundamental e do ensino médio e 86 convidados da Coordenadoria de Educação de Blumenau, entre professores que atuam nos NEPREs e diretores de escolas estaduais, foram sensibilizados por meio da metodologia de círculos de construção de paz. Em um ambiente seguro e colaborativo, os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar vivências e ouvir com empatia, aplicando a comunicação não violenta para auxiliar na resolução de conflitos e violências na comunidade escolar.
Para a Coordenadora Regional de Educação Cleusa Furtado Kratz, o projeto é um presente para o município. "É muito bom falar em paz em um mundo onde se vive tanta de violência. Precisamos resgatar a cultura da paz e trazer a paz para nossas escolas e para os nossos lares. É importante que todos, antes de pensar em violência, pensem primeiro na paz. Isso deve começar pela nossa paz pessoal, e aí a gente consegue atingir os nossos alunos, as nossas escolas e os nossos professores", disse.
A gestora da escola, Telma Regina da Silva, garantiu que esta é uma oportunidade única para os alunos. "Os alunos já perguntaram quando vai ter novamente. Eu realmente acredito nesse projeto, e é por isso que a gente também abriu as portas da escola e espero que essa oportunidade esteja em outras escolas públicas também e que retorne para nossa escola. Uma comunicação afetiva sempre vai ser melhor do que uma comunicação agressiva, sempre", disse.
O professor Renato José Jacques afirmou que todas as atividades que saem do comum da rotina de sala de aula são importantes. "Essa atividade de hoje contribuirá na formação de uma sociedade melhor", acredita o professor. Já o professor Antonio destacou que a iniciativa é "uma ideia fantástica, porque ouvir as pessoas diminui muitos conflitos e resolvemos muitos problemas a partir da escuta".
Projeto pela segunda vez em Blumenau
No ano passado, o Procurador-Geral de Justiça, Fábio de Souza Trajano, participou de uma audiência pública no município e sugeriu algumas iniciativas, entre elas a implantação da Justiça Restaurativa. A aplicação do projeto em mais uma escola de Blumenau mostra o resultado positivo. "Reforçar o diálogo, respeitar as histórias de cada um e exercer a empatia compõem um dos pilares que planejamos para Blumenau na audiência pública que fizemos em agosto do ano passado. A metodologia dos círculos de construção de paz vem sendo aplicada com sucesso por vários países e estados do Brasil e hoje é mais uma entrega que o MPSC, junto com o Grupo Gestor, faz a esse município do Norte catarinense", disse.
Projeto Escola Restaurativa
O projeto Escola Restaurativa foi pensado no GGJR-SC, composto por entidades como o Poder Judiciário, o Governo do Estado por meio de suas Secretarias, a Defensoria Pública estadual, a OAB/SC, a FECAM, a UDESC e a UNISUL. A formatação do projeto foi idealizada pelo Grupo Gestor a partir do grupo de estudos da Justiça Restaurativa para medidas socioeducativas em meio aberto, como medida de prevenção de judicialização nas escolas.
"A proposta é apresentar outra forma de olhar o conflito, diferente da Justiça tradicional, buscando restaurar os relacionamentos por meio de uma escuta empática e acolhedora", salienta a Coordenadora do NUPIA, Promotora de Justiça Analú Librelato Longo.
O MPSC, em cooperação com outras instituições, está empenhado em construir uma sociedade em que cada indivíduo compartilhe a responsabilidade por transformações positivas. O projeto "Escola Restaurativa" demonstra como a Justiça Restaurativa pode contribuir para a melhoria dos ambientes educacionais e o fortalecimento dos laços interpessoais. Por meio do diálogo aberto e da criação de espaços seguros para a expressão, alunos e professores estão aprendendo a lidar com conflitos de maneira construtiva, promovendo uma convivência mais harmoniosa e produtiva.
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