Projeto Escola Restaurativa mobiliza mais de 260 estudantes e educadores de Braço do Norte em ação de sensibilização sobre cultura de paz nas escolas
Iniciativa do MPSC levou práticas de cultura de paz a duas escolas do município, envolvendo alunos, professores, servidores e integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente em atividades de diálogo e resolução de conflitos.
O diálogo como ferramenta de transformação. Essa é uma das principais propostas do projeto Escola Restaurativa, que teve mais uma etapa realizada nesta terça-feira (30/6) em duas escolas de Braço do Norte, no Sul do estado. Promovida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA), a ação reuniu mais de 260 alunos, professores, servidores das redes municipal e estadual de ensino e integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente em atividades de sensibilização voltadas à prevenção de conflitos e à promoção da cultura de paz no ambiente escolar.
Os chamados círculos de construção de paz foram realizados nas escolas Cônego Nicolau Gesing e Professor Antônio Rohden. Ao longo do dia, alunos, professores e gestores sentaram-se em roda para falar, ouvir, refletir e compartilhar histórias de vida. Enquanto um coração de pano passava de mão em mão, cada participante tinha a oportunidade de expressar vulnerabilidades, anseios, conquistas e experiências. A proposta é fortalecer os vínculos entre estudantes e comunidade escolar, favorecendo o diálogo e a resolução pacífica de conflitos.
As atividades foram conduzidas por facilitadores voluntários convidados pelo NUPIA e estimularam reflexões sobre respeito, preconceito, convivência, empatia, uso de redes sociais e responsabilidade. “Tanto pela manhã quanto à tarde tivemos duas frentes de atuação. Trabalhamos com os estudantes nos círculos, espaços seguros onde eles puderam ouvir, falar e refletir sobre assuntos tão importantes. Em paralelo, promovemos uma sensibilização com os integrantes da rede de proteção sobre a Justiça Restaurativa. O objetivo é que todos falem a mesma linguagem, para que possamos resolver conflitos por meio de uma comunicação não violenta”, declarou a Promotora de Justiça Luísa Niencheski Calviera, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Braço do Norte, que desenvolveu as ações em parceria com o NUPIA.
Para o Coordenador do núcleo, Promotor de Justiça Marco Aurélio Morosini, a receptividade ao projeto reforça a importância da iniciativa. “A metodologia utilizada está sendo muito bem recebida pelas redes de ensino do Município e do Estado. Tivemos um dia inteiro de sensibilização e os retornos foram extremamente positivos. Impactamos mais de 200 crianças e adolescentes e, a partir deste primeiro momento do projeto Escola Restaurativa em Braço do Norte, certamente colheremos resultados muito expressivos nas próximas etapas”, destacou.
Mais de 260 participantes
Os círculos de construção de paz envolveram mais de 260 estudantes. Lorenzo Marcelo Calegário, de 11 anos, participou de uma das rodas de conversa na Escola Cônego Nicolau Gesing e destacou o aprendizado proporcionado pela atividade. “Foi muito legal participar desse círculo porque ele ensina muito sobre valores, respeito ao próximo e inclusão. É muito bom porque conecta a gente a tudo”, contou.
Na Escola Professor Antônio Rohden, a iniciativa também foi elogiada pela equipe gestora. Para o Diretor, Charles Hemkemeier, o projeto já apresentou reflexos positivos. “A gente se sente privilegiado por ter sido escolhido para receber essa ação do Ministério Público. Eu até brinquei durante a conversa que, por coincidência, ou talvez já como efeito das atividades, hoje não tivemos nenhum conflito nas turmas dos sextos anos, justamente onde o projeto foi aplicado. É uma iniciativa fundamental”, afirmou.
Os círculos são conduzidos por facilitadores, pessoas que já participaram das redes de conversa em momentos anteriores e que fazem uma formação oferecida pelo projeto, passando a atuar em novas edições realizadas em diferentes municípios. Giani Felisberto Costa é uma dessas facilitadoras. Ela participou da primeira edição do Escola Restaurativa, em Capivari de Baixo, e hoje ajuda a conduzir os encontros em outras cidades. “Nossa escola foi a escola-piloto dos círculos e, desde então, passamos a aplicá-los todos os anos nas salas de aula. Quando percebemos indícios de violência ou bullying, já iniciamos esse trabalho com a turma. Antes, tínhamos uma escola muito dividida. Depois desse movimento, iniciado há três anos, o ambiente mudou completamente. Mudou o comportamento dos alunos, dos professores. Hoje é outra escola”, relatou.
Escola Restaurativa
O projeto Escola Restaurativa integra a política institucional do MPSC e está alinhado à Resolução CNJ n. 225/2016, que institui a Justiça Restaurativa como política pública nacional. A iniciativa busca disseminar práticas restaurativas nas escolas, promover a cultura de paz e desenvolver habilidades socioemocionais que contribuam para uma convivência mais respeitosa, harmoniosa e colaborativa.
Fundamentado no artigo 70-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o projeto propõe práticas educativas centradas na escuta, no diálogo e na corresponsabilidade. Com atuação articulada entre o Ministério Público, as escolas e os gestores públicos, a iniciativa busca transformar a cultura escolar e construir caminhos sustentáveis para a promoção da paz e da convivência cidadã.
NUPIA
O Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição é um órgão do Ministério Público de Santa Catarina vinculado ao Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional e instituído pelo Ato n. 635/2019/PGJ. Sua finalidade é promover, estruturar e aperfeiçoar o uso de práticas autocompositivas, como negociação, mediação, conciliação, convenções processuais e práticas restaurativas no âmbito do MPSC.
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