Moradores de São José do Cedro prestigiam apresentação do programa de apadrinhamento de crianças e adolescentes

Iniciativa do Ministério Público e do Lar APRISCO fortalece a rede de apoio às crianças e adolescentes acolhidos na Comarca. Evento realizado nesta quinta-feira (9/4) reuniu a comunidade para apresentar o programa e as possibilidades de adesão. 

10.04.2026 09:12
Publicado em : 
10/04/26 12:12

“Toda grande árvore um dia foi uma pequena semente...”. Com este lema, surgiu o Semear, um Programa de Apadrinhamento de Crianças e Adolescentes do Serviço de Acolhimento Institucional. Em São José do Cedro, o programa foi instituído no ano passado, fruto de uma atuação conjunta do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), do Poder Judiciário e do Lar Aprisco. Na noite desta quinta-feira (9/4), os responsáveis pelo programa realizaram a segunda atividade aberta à comunidade local.  

Em abril passado, a Promotora de Justiça Daniela Böck Bandeira, o Juiz de Direito Lucas Prado de Sanches e representantes do Lar APRISCO Ismael Batista de Lima (diretor da instituição) e Gabriela Toigo (coordenadora do serviço) assinaram a portaria que instituiu formalmente o programa. O documento determina as diretrizes do programa e detalha as atribuições da equipe técnica, as modalidades de apadrinhamento e os requisitos.  

A atividade desta quinta-feira (9/4) contou com a participação de cerca de 40 cidadãos, de diferentes idades e segmentos sociais. A cerimônia teve início com a Promotora de Justiça Daniela Böck Bandeira, que contou a história do surgimento do Semear e ressaltou a importância da parceria entre as entidades e do envolvimento da comunidade para tirar o programa do papel.  

"Projetos como o Semear apontam a direção da sociedade, do país que queremos viver no futuro. Mais do que apresentar o programa e os diferentes meios de contribuir, hoje nós plantamos uma semente do que queremos construir enquanto sociedade. Foi muito gratificante ver a motivação de cada um e cada uma que atendeu ao nosso chamado e que está saindo daqui hoje com a certeza de que é possível ajudar à sua maneira, a partir da sua própria realidade”, destacou a Promotora de Justiça Daniela Böck Bandeira.  

Os cidadãos que prestigiaram a apresentação tiveram um espaço para tirar dúvidas e compartilhar relatos pessoais. Ao longo da exposição, que durou cerca de uma hora e meia, foram apresentados os principais pontos do Semear e das modalidades de apadrinhamento. “Quem se propõe a apadrinhar ou amadrinhar passa por uma seleção criteriosa e se insere em uma rede de proteção e cuidados voltada ao bem-estar das crianças e adolescentes acolhidos”, esclareceu a psicóloga Karine dos Santos. 

Coordenadora do Lar Aprisco, Gabriela Toigo mencionou a satisfação de contar com a adesão da comunidade. “A nossa mobilização deu resultado. Nosso intuito é aproximar a sociedade da realidade do acolhimento institucional e sensibilizar para a importância da união de esforços, aqui representada pela nossa parceria com o Judiciário e o Ministério Público. O Semear surgiu para mudar a vida das crianças e adolescentes e temos muito orgulho de ver tantas pessoas ao nosso lado compartilhando este propósito”, avaliou Gabriela.  

Além da exposição geral, a cerimônia trouxe dois depoimentos. Responsável pelo primeiro, a assistente da Promotoria de Justiça Amanda Caroline Alves compartilhou a sua experiência pessoal enquanto madrinha de seis crianças da sua família. “A palavra que me vem à cabeça é amor. Não só como sentimento, mas como uma escolha ativa. O apadrinhamento afetivo não substitui a adoção. É uma decisão voltada ao amor, à presença, ao tempo dedicado”.  

A enfermeira Jucilene Gonçalves também fez um relato pessoal. Ela conheceu o Lar Aprisco no final do ano passado, quando decidiu pegar uma cartinha endereçada ao Papai Noel com o intuito de presentear uma criança. Desde então, promoveu uma atividade com o grupo de mulheres em que atua e já se tornou uma madrinha na modalidade provedora. “O apadrinhamento ou acolhimento institucional é temporário, mas o impacto positivo que temos a chance de construir é duradouro”, definiu.  

O apadrinhamento prioriza a necessidade das crianças e adolescentes acolhidos, assim como a disponibilidade dos padrinhos, sendo ofertado por meio das três modalidades descritas abaixo.  

 

Modalidades de apadrinhamento  

A iniciativa prevê três modalidades de apadrinhamento. São elas:  

Apadrinhamento afetivo: O padrinho tem a possibilidade de construir um vínculo duradouro, seguro e constante, sendo para a criança ou adolescente apadrinhado uma referência de segurança e afeto, com a possibilidade de conviver fora da instituição de acolhimento em finais de semana previamente combinados e em datas como férias escolares, feriados e ocasiões comemorativas;  

Apadrinhamento colaborador: (prestador de serviços): O padrinho pode ser pessoa física ou jurídica, com disposição de prestar serviço às crianças e adolescentes acolhidos, conforme sua especialidade profissional; 

Apadrinhamento provedor: O padrinho pode ser pessoa física ou jurídica que dá suporte material ou financeiro, caracterizado por meio da doação de roupas, calçados, brinquedos, materiais escolares, materiais de limpeza e higiene, custeio de tratamentos de saúde, patrocínio de cursos profissionalizantes, práticas esportivas, entre outros. 

 

Quem pode ser um padrinho?    

Preservados os requisitos técnicos e legais do programa, pode ser padrinho quem tem disponibilidade e responsabilidade para contribuir com o desenvolvimento de crianças e adolescentes acolhidos. 

Quem compõe o Cadastro Nacional de Adoção pode se inserir como padrinho apenas nas modalidades de provedor ou colaborador. 

 
 Veja os requisitos:  

- ter mais de 18 anos (para exercer o apadrinhamento afetivo, é necessário ter mais de 21 anos e ter pelo menos 16 anos de diferença em relação à idade do apadrinhado);  

- não possuir antecedentes criminais;  

- apresentar a documentação exigida;  

- preencher o cadastro de inscrição; 

- assinar o termo de responsabilidade;  

- concordar com o cumprimento das regras do programa; 

- inexistir de conflito de interesses entre os padrinhos e afilhados, conforme avaliação da Equipe Técnica do Serviço de Acolhimento Institucional.  

 

Saiba mais 

Em São José do Cedro, os interessados podem entrar em contato diretamente com a Equipe Técnica da APRISCO, responsável pela coordenação do programa. Os telefones disponibilizados são: (49) 9 9992-1509 (Coordenação) e (49) 99992-1542  (Equipe Técnica). O Lar Aprisco está localizado na Rua Odilo Antônio Link nº 1630, na área central do município.

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC - Correspondente Regional em Chapecó