Grupo Reflexivo de Gênero promove conscientização em autores de violência doméstica
Com o objetivo de estimular a conscientização de homens envolvidos em situação de violência doméstica, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pôs em prática o Grupo Reflexivo de Gênero de Tubarão. A iniciativa contou com a participação de cinco homens encaminhados por meio de decisão judicial em processos de medida protetiva de urgência relacionadas à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Ao fim dos 10 encontros, os participantes demonstraram ter refletido sobre suas ações e sobre a possibilidade de mudanças, além de terem compreendido melhor a ideia de igualdade entre os gêneros. A ideia, agora, é expandir o projeto, formando também grupos com as mulheres que foram vítimas.
A iniciativa do Grupo Reflexivo de Gênero foi da Promotora de Justiça Iara Klock Campos, que viu a necessidade de fazer algo diferente para mudar o ciclo da violência. "Na minha atuação na Promotoria de Justiça de violência doméstica eu via que as mulheres não ficavam satisfeitas apenas com o processo judicial. Ele não atendia as necessidades das vítimas nem conscientizava os agressores, que muitas vezes voltavam a praticar os delitos", comentou.
O Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CIJ) e integrante do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA), Promotor de Justiça João Luiz de Carvalho Botega, destacou a possibilidade de transformação que a prática é capaz de trazer na área da prevenção à violência de gênero, a qual muitas vezes afeta toda a família, inclusive os filhos do casal. "Essa é só uma amostra do quanto as práticas autocompositivas podem mudar a realidade dos envolvidos e contribuir para um Ministério Público mais resolutivo", comentou sobre o Grupo, que teve o apoio e o acompanhamento do NUPIA do MPSC.
Os encontros semanais, que tiveram início em setembro de 2018, funcionavam sobretudo com dinâmicas de grupo. A principal atividade, baseada em uma metodologia da professora norte-americana Kay Pranis, consistia em reflexões sobre temas como sentimentos, relacionamentos, violência, comunicação e leis, a partir de perguntas previamente elaboradas pelos facilitadores - a psicóloga Larissa Silva Bernardo, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), o assistente de Promotoria de Justiça do MPSC, Lucas Carvalho Mattiola, e a oficial da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça, atuante na Comarca de Jaguaruna, Vera Rejane Pinheiro. Assim, em círculo, cada integrante tinha oportunidade de falar e de ouvir os demais.
Apesar de no início terem apresentado certa resistência, ao longo dos encontros os participantes conseguiram se abrir e participar das atividades de forma espontânea, contribuindo para a criação de um espaço de construção coletiva. Com base nas dúvidas apresentadas, os facilitadores puderam esclarecer sobre temas como os direitos dos filhos à convivência familiar, as nuances da Lei Maria da Penha e a natureza das medidas protetivas de urgência nela previstas.
"Percebemos uma grande mudança no comportamento dos homens, nos relacionamentos com as mulheres, com os filhos, e até com outras pessoas. A sentença só dá a punição, mas o grupo mostra que há um novo caminho a ser seguido, que eles são capazes de mudar a sua realidade", explicou Iara.
No último encontro, os integrantes foram estimulados a pensar em como entraram e em como estavam saindo do grupo. Todos demonstraram o apreço pela participação na iniciativa e pela oportunidade de falar sobre assuntos pouco ou nunca abordados em sua vivência. Além disso, confirmaram que, em sua opinião, a prática deve continuar - um dos homens, inclusive, se candidatou para participar dos próximos grupos como voluntário.
O NUPIA
O NUPIA foi criado em fevereiro de 2017 com o objetivo de promover a resolução extrajudicial dos conflitos por meio de instrumentos como a negociação, a mediação, a conciliação e o processo restaurativo, conforme as diretrizes do Novo Código de Processo Civil e da Resolução n. 118 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
O NUPIA é responsável por identificar e fomentar projetos de autocomposição no âmbito do MPSC, além de analisar pedidos de auxílio direto encaminhados pelos Centros de Apoio Operacional e pelos órgãos de execução do MPSC. As reuniões ocorrem ordinariamente a cada quatro meses e, excepcionalmente, sempre que necessário, a partir de convocação de seu Coordenador.
Últimas notícias
07/01/2026MPSC consegue aumento de pena para homem que tentou matar ex-companheira na frente dos filhos
07/01/2026Protocolo “Não é não” entra em campo: combate à violência contra mulheres chega aos estádios catarinenses
07/01/2026MPSC requisita informações a órgãos da saúde e meio ambiente para apurar qualidade sanitária das praias da Capital
07/01/2026Como requerido pelo MPSC, gratificação a Advogados e Procuradores do Legislativo de Florianópolis é declarada inconstitucional e deixa de ser paga
06/01/2026Aviso de pauta: Protocolo “Não é Não” será implementado no jogo entre Avaí e Barra, pela primeira rodada do Campeonato Catarinense
24/12/2025Réus são condenados em Mondaí por matar um homem e abandonar corpo na calçada
Mais lidas
10/10/2025GAECO deflagra Operação “Hora do Show” que investiga irregularidades e direcionamento em processos de contratação pública no Oeste
15/10/2025GAECO, em apoio à 39ª Promotoria de Justiça da Capital, deflagra operação para combater organização financeira de facção criminosa
08/10/2025GAECO e Polícia Civil deflagram a operação “Carta branca” para apurar crimes contra a administração pública na região do Planalto Serrano
26/11/2025GAECO/MPSC deflagra operação “Carga Oca” para investigar fraudes em fornecimento de material tipo macadame à SEURB entre 2022 e 2024
09/10/2025Mulher que matou companheiro em reserva indígena é condenada
31/10/2025GAECO deflagra Operação Nuremberg para desarticular um dos maiores grupos neonazistas em atividade no Brasil