MPSC recomenda suspensão de regularização fundiária na zona sul da praia do Ervino, em São Francisco do Sul
A 3ª Promotoria de Justiça aponta no documento o risco ambiental e irregularidades em projetos que envolvem áreas de Mata Atlântica, manguezais e restingas.
Com o intuito de proteger o meio ambiente e oportunizar qualidade de vida para os moradores da praia do Ervino, em São Francisco do Sul, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) expediu uma recomendação ao Município para que não aprove, na forma atual, o Projeto de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) do chamado Núcleo Nogara, localizado na zona sul da região. A área abrange os loteamentos Sayonara, Luzemar e Maresol e soma cerca de 5 milhões de metros quadrados.
A recomendação foi expedida pela 3ª Promotoria de Justiça da comarca no âmbito do Procedimento Administrativo n. 09.2025.00002501-9, que acompanha a política pública de regularização fundiária no município. O MPSC identificou uma série de fragilidades técnicas e jurídicas no projeto analisado pela administração municipal.
De acordo com a 3ª Promotoria de Justiça, parte da área não apresenta ocupação urbana consolidada, sendo composta por extensos trechos de vegetação nativa, incluindo Mata Atlântica em estágio médio e avançado de regeneração, além de manguezais e restingas, ecossistemas protegidos por legislação ambiental.
Conforme a recomendação, estudos técnicos e inventários florestais apontam a existência de muitos lotes vazios, o que, segundo o órgão, descaracteriza os requisitos legais para a aplicação da Reurb. O MPSC também ressalta no procedimento administrativo extrajudicial que a Reurb deve ser utilizada para regularizar situações consolidadas até dezembro de 2016, voltadas à moradia de populações já estabelecidas, e não como um atalho para viabilizar loteamentos antigos que nunca foram efetivamente implantados e que hoje visariam à comercialização de terrenos em áreas ambientalmente sensíveis.
Outro ponto levantado pela Promotoria de Justiça com atuação na área de meio ambiente é a ausência de infraestrutura urbana mínima e a tentativa de compensar possíveis danos ambientais futuros, o que contraria a lógica da legislação ambiental e da própria regularização fundiária. A Promotora de Justiça Raíza Alves Rezende afirma que “o projeto, da forma como foi apresentado, representa um retrocesso socioambiental”.
Na recomendação, a 3ª Promotoria de Justiça solicitou que o Município se abstenha de aprovar o projeto por decreto ou outro ato administrativo equivalente e promova uma reanálise completa do processo e do perímetro pretendido, com base em novos estudos técnicos que serão elaborados com apoio dos órgãos especializados do próprio MPSC. O poder público local tem sete dias para informar se acatará o procedimento.
Na análise feita pelo Ministério Público, há ainda a necessidade de que providências de regularização sejam adotadas pelo loteador originário, o que não afasta sua responsabilidade pelos ilícitos praticados até este momento, assim como a responsabilização do Município por sua omissão.
Para a Promotora de Justiça, “a atuação do Ministério Público busca equilibrar justiça social e proteção ambiental. A regularização fundiária deve servir à dignidade dos moradores de boa-fé, mas jamais pode autorizar a destruição de áreas ambientalmente protegidas ou legitimar a especulação imobiliária. Preservar esses ecossistemas é uma obrigação legal e um compromisso com as futuras gerações”.
Últimas notícias
10/02/2026MPSC em Ação: MPSC intensifica campanha de combate aos maus-tratos contra animais
10/02/2026MPSC recomenda suspensão de regularização fundiária na zona sul da praia do Ervino, em São Francisco do Sul
10/02/2026Dia da Internet Segura: Confira as dicas do MPSC sobre como se proteger
10/02/2026GAECO deflagra duas operações simultâneas e cumpre 36 mandados expedidos pelo TJSC
10/02/2026Em Maravilha, homem suspeito de estrangular e matar companheira é denunciado pelo crime de feminicídio
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/12/2025Acordo do MPSC com rede educacional particular garante bolsas de estudo para alunos carentes e R$ 250 mil para projetos de interesse da sociedade
23/10/2025Clínica clandestina em Itapoá é fechada após denúncia
19/01/2026Promotorias de Justiça acompanham investigações de maus-tratos que levaram cão à morte em Florianópolis