MPSC sedia o 8º Seminário Regional sobre Autismo em Florianópolis
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) sediou, nesta quarta-feira (2/4), no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, na capital, o 8º Seminário Regional sobre Autismo, uma iniciativa da Associação de Pais e Amigos de Autistas de Florianópolis (AMA), com o apoio do MPSC, do Município de Florianópolis e da Federação das Associações de Amigos de Autistas de Santa Catarina (Feamas). No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o evento reuniu palestrantes para difundir informações e promover o debate sobre a inclusão e os direitos dos cidadãos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O Promotor de Justiça do MPSC, Henrique da Rosa Ziesemer, que é autista, foi um dos palestrantes convidados.
A presidente da Associação de Pais e Amigos de Autistas (AMA) de Florianópolis, Daniela Dias Steindorff, abriu os trabalhos agradecendo às instituições parceiras do evento e aos palestrantes convidados. Mãe e esposa de autistas, Daniela atua há 13 anos na luta pelos direitos e pela acessibilidade da população autista.
''Agradeço a todos os participantes, em especial aos palestrantes que, de forma voluntária, estão aqui compartilhando conhecimento e lutando por uma sociedade mais justa para as pessoas autistas e suas famílias. A participação de todos é essencial para a união de esforços em torno de um futuro mais inclusivo'', destacou Daniela, antes de passar a palavra ao primeiro palestrante do evento, o assessor de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência da Prefeitura Municipal de Florianópolis, Rafael Coimbra.
Coimbra explanou sobre a importância da participação popular para a garantia e ampliação dos direitos das pessoas com autismo. ''Há diversos canais e espaços que podemos ocupar e nos fazer presentes para reivindicar as mudanças necessárias. Mas também precisamos exigir que aqueles em quem votamos nos representem e lutem por essa causa. Portanto, participem de audiências e conselhos municipais e formalizem suas demandas'', ressaltou o assessor.
''A história do autismo foi e é construída por diversas vozes e perspectivas. Ao longo dos anos, conquistamos direitos e leis para pessoas autistas'', afirmou a secretária parlamentar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, conselheira da Feamas e vice-presidente da Federação das APAEs de Santa Catarina, Janice Krasniak. ''Hoje, em Santa Catarina, temos a Lei nº 17.292/2017, que institui a Política Estadual de Proteção dos Direitos de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Temos também a Lei do Laudo Permanente e a Lei do Atendimento Prioritário, que deve beneficiar cerca de 200 mil autistas. Tudo isso só foi possível devido à mobilização, principalmente das famílias'', destacou Janice. Em seguida, ela convidou ao palco pessoas responsáveis por organizações e instituições que buscam garantir uma vida digna aos cidadãos com TEA.
A psicóloga especialista em neuropsicologia, mestre em Neuropsicologia, Deficiências Cognitivas e Neurociências, Andressa Roveda, demonstrou como a tecnologia pode ser uma aliada humanizada no tratamento e nos cuidados das pessoas autistas. ''Como parte da CogniSigns, posso afirmar que nosso objetivo é utilizar a tecnologia para cuidar, de forma humana, das pessoas com TEA. Em 2019, desenvolvemos a V.E.R.A., uma inteligência artificial que auxilia famílias e cuidadores na obtenção do diagnóstico'', explicou a psicóloga.
O Promotor de Justiça Henrique da Rosa Ziesemer, doutor em Ciência Jurídica e autista, finalizou a tarde de palestras compartilhando sua experiência como pessoa com TEA e apresentando reflexões aos participantes. ''Sou pai autista e minha filha, de 5 anos, não é. Assim, além dos valores e do amor que a família deve transmitir, preciso prepará-la para aquilo que ela encontrará fora de casa. Mas também busco ensiná-la a contribuir para uma sociedade mais inclusiva'', disse. ''Em diversas comarcas de Santa Catarina por onde passei, e foram 12, tive a oportunidade de atuar na área da cidadania. Pude perceber como a falta de conhecimento sobre o autismo se torna um entrave para a criação de políticas públicas eficazes. E isso não se restringe apenas ao autismo, mas a todas as formas de lidar com as diferenças humanas'', ressaltou o Promotor.
Para encerrar, Ziesemer enfatizou: ''É por essa luta que, no dia 2 de abril, celebramos o Dia Mundial da Conscientização sobre os Direitos das Pessoas com Autismo''. Ao fim do seminário, estudantes da AMA emocionaram o público com uma apresentação de dança.
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