Lançamento de guia provoca reflexões sobre papel da imprensa no enfrentamento ao feminicídio

Debate promovido pelo MPSC e pela ACAERT reuniu profissionais e estudantes em torno dos desafios da cobertura jornalística da violência de gênero. 

17.08.2026 15:33
Publicado em : 
17/08/26 15:33

A predominância de mulheres na plateia, a necessidade de qualificar a cobertura jornalística e a importância de tratar vítimas de violência com dignidade foram algumas das reflexões compartilhadas por jornalistas e estudantes durante o lançamento do Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística de Casos de Violência contra as Mulheres, realizado nesta segunda-feira (17/8). 

A iniciativa do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACAERT) reuniu profissionais da comunicação, estudantes de Jornalismo e representantes de instituições parceiras para discutir os desafios da cobertura de casos de feminicídio e outras formas de violência de gênero. 

Entre os participantes, a avaliação foi de que o guia representa uma ferramenta importante para qualificar a cobertura jornalística e ampliar o debate sobre a responsabilidade da comunicação no enfrentamento à violência contra as mulheres. 

O repórter e colunista do Grupo ND Diogo de Souza destacou um momento do evento que chamou sua atenção: a constatação de que a maior parte do público presente era formada por mulheres. 

“Acho que ficou um exemplo muito claro quando a doutora Vanessa perguntou quantos eram homens e quantas eram mulheres em uma plateia massivamente ocupada por mulheres. Isso revela a importância de que esse tema saia desse âmbito feminino e, como muito bem foi dito, não seja tratado como um tema de mulheres. Como repórter e colunista, meu papel é não só vir aprender, mas tentar compartilhar e espalhar esse conhecimento para colegas homens e profissionais da área”, disse.

Já a estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Fernanda Zwirtes avaliou que a iniciativa é relevante tanto para quem está em formação quanto para profissionais já atuantes no mercado. 

“É muito relevante não só para a gente que é estudante e jornalista em formação, mas também para profissionais, editores e representantes de outras instituições. É um indício de que estamos vivendo um momento de transformação social e que isso precisa abarcar todas as áreas. Precisamos reconhecer e tratar essas mulheres vítimas de violência com a maior dignidade possível”, afirmou. 

Para a jornalista Soledad Urrutia, do Portal Upiara, o guia ajuda a suprir uma lacuna histórica na formação dos profissionais da comunicação. 

“Como jornalistas, temos a responsabilidade de levar a informação de forma correta, mas não fomos formados para lidar com temas tão complexos como o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher. Precisamos aprender. Esse movimento é fundamental e é uma tarefa diária, que exige estudo e reflexão, para que a sociedade tenha consciência da gravidade desse problema”, destacou.

A publicação foi elaborada pela professora, doutora e pesquisadora Melissa Amaral e busca oferecer referências para uma abordagem mais responsável, contextualizada e comprometida com os direitos das vítimas. As orientações incentivam uma cobertura que vá além da descrição dos crimes, contextualize a violência de gênero, evite a revitimização e contribua para ampliar a compreensão da sociedade sobre o tema. 

Denuncie! 

Os canais de denúncia e socorro podem ser acionados a qualquer tempo.  

  • Em caso de emergência, ligue para a Polícia MIlitar no número 190.  

  • Site da Polícia Civil De Santa Catarina. - WhatsApp da polícia: (48) 98844-0011.  

  • Disque 100. 

  • Disque 181. 

  • Ligue 180. 

  • Denúncia online no portal do MPSC. 

  • Procure o NEAVIT mais próximo a você.  

  • Ouvidoria da Mulher 127 

  • Procure a Promotoria de Justiça mais próxima de você. 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC