Homens que mataram duas jovens em Araranguá são condenados a 48 e 82 anos de prisão
Foram a júri popular nesta quarta-feira (29/11) os dois homens responsáveis pela morte de duas jovens mulheres ocorrido em janeiro deste ano na cidade de Araranguá. As penas somadas ultrapassam 130 anos de prisão. Uma das jovens foi morta pelo ex-companheiro, movido por ciúmes, e a segunda vítima foi morta para que não contasse às autoridades sobre o homicídio da amiga. O promotor de Justiça Gabriel Ricardo Zanon Meyer, da 4ª Promotoria de Justiça de Araranguá, foi quem atuou no julgamento.
O primeiro réu, ex-companheiro de uma das vítimas, foi condenado a 82 anos, dez meses e 23 dias de reclusão, em regime fechado, por feminicídio e homicídio com três qualificadoras, sequestro e cárcere privado por duas vezes, ocultação de cadáver e por coação no curso do processo.
Já o segundo réu, amigo do criminoso e que o auxiliou na prática dos crimes, foi condenado a 48 anos, dez meses e três dias de reclusão em regime fechado por feminicídio e homicídio com três qualificadoras, sequestro e cárcere privado por duas vezes, e ocultação de cadáver.
Como os crimes ocorreram
Conforme a denúncia apresentada pelo MPSC, no dia 2 de janeiro de 2023, por volta das 23h, os réus teriam ido até a casa das vítimas no Bairro Coloninha, em Araranguá, e desligado o disjuntor da rede de energia, atraindo-as para fora da residência. Neste momento os homens teriam as abordado, entrando no imóvel e privando as vítimas de sua liberdade. Na sequência, ambas foram amarradas, amordaçadas e depois levadas até um local ermo às margens do Rio Araranguá, onde os crimes de homicídio foram praticados.
Segundo a acusação, as vítimas foram mortas com cortes profundos na região do pescoço. A perícia apontou também que uma delas foi jogada ainda com vida no rio, tendo o afogamento contribuído para a morte.
A motivação dos crimes, conforme apontaram as investigações, teria sido por vingança, diante do inconformismo de um dos réus com o fim do relacionamento que mantivera com uma das vítimas, tendo sido o crime praticado de forma a garantir que ela não viesse a se relacionar com nenhuma outra pessoa. Já a segunda mulher, foi morta para assegurar que não contaria às autoridades sobre a morte da amiga.
Os homicídios foram ainda cometidos por meio cruel e com recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, já que os réus teriam agido com brutalidade fora do comum e sem que as vítimas pudessem reagir, tendo ambas sofrido ferimentos enquanto estavam amarradas e amordaçadas, sendo posteriormente atiradas no rio.
Os réus ainda cumprirão pena pela qualificadora de feminicídio, já que um deles manteve relacionamento amoroso com uma das vítimas, e o crime ocorreu por razões da condição do sexo feminino.
Ainda, no dia 5 de janeiro de 2023, data em que os corpos foram encontrados, esse mesmo réu é acusado de ter feito graves ameaças a uma testemunha que o apontou como possível autor dos crimes. O réu teria dito por meio de mensagens que iria encontrar a testemunha, matá-la e entregar sua cabeça numa bandeja, e que iria pipocar a casa dela, levando-o a cumprir pena também pelo crime de coação no curso do processo.
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