Representantes de veículos de imprensa da região Oeste recebem orientações sobre cobertura de ataques a escolas
A imprensa e os profissionais de comunicação não devem identificar o suposto autor de ataques a escolas por fotos, nome e biografia. Também devem evitar imagens da tragédia e detalhes de como o percurso do crime foi construído. A imprensa deve focar nas vítimas, na reconstrução do espaço atingido e no fortalecimento de ações que evitem novas ocorrências. Tudo para impedir o chamado efeito contágio. Muitos dos agressores consideram a divulgação do atentado como forma de troféu, servindo de estímulo para possíveis novos casos.
As recomendações são do Promotor de Justiça Simão Baran Júnior, titular da 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó, que vem atuando no processo de orientação e instrução dos profissionais de comunicação e representantes de veículos de imprensa de 14 comarcas da região Oeste de Santa Catarina. Os profissionais receberam um panorama geral dos ataques a escolas no país - como os que ocorreram em Saudades, em maio de 2021 e em Blumenau, em abril desse ano - e alertas para a divulgação de eventos dessa natureza.
A ampla divulgação dos ataques é natural, pois se trata de um acontecimento de interesse público e que gera uma comoção muito grande, mas o excesso de exposição da violência pode acabar nos tirando a sensibilidade e fazendo normalizar fatos como esses, destaca o Promotor de Justiça. Durante a conversa com os jornalistas, Baran Junior sugeriu que os atentados podem receber o mesmo tratamento dado aos casos de suicídio de pessoas públicas no noticiário, evitando incluir detalhes desnecessários sobre o agressor e se limitando aos fatos que o público precisa saber.
Os números mostram que é importante a reflexão e urgente uma mudança de postura dos meios de comunicação. Em 2022, um total de 6 ataques foi contabilizado, mas apenas na primeira quinzena desse ano o número já se repete. Até abril de 2023, o Brasil somava 24 ataques a escolas, com 137 vítimas entre mortos e feridos, segundo dados do Instituto Sou da Paz coletados desde 2002 (ano do primeiro ataque).
Na segunda-feira (19/6) mais um caso foi registrado. Uma estudante foi morta a tiros e outro baleado na cabeça por um ex-aluno em ataque ao Colégio Estadual Professora Helena Kolody, em Cambé, no norte do Paraná. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que, além da arma, apreendeu com o suposto assassino um caderno com anotações sobre ataques em escolas, incluindo o ataque em Suzano, em São Paulo.
A conexão entre os crimes não é um caso isolado. Um quarto das ocorrências brasileiras se concentra nos meses de abril, indicando um diálogo dos autores com casos de grande repercussão no mundo, como o massacre de Columbine, nos Estados Unidos - ocorrido em 20 de abril de 1999, o ataque deixou 15 mortos e 24 feridos. A ligação não aparece apenas nas datas das ocorrências, mas em materiais encontrados com os agressores durante o ataque, como no caso mais recente.
Comarcas participantes
Divididos em três reuniões, promovidas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da Promotoria Regional de Segurança Pública de Chapecó, participaram do bate-papo profissionais de comunicação e representantes da imprensa das comarcas de Abelardo Luz, Chapecó, Concórdia, Coronel Freitas, Ipumirim, Itá, Ponte Serrada, Quilombo, São Carlos, São Domingos, São Lourenço do Oeste, Seara, Xanxerê e Xaxim. A reunião com os órgãos de imprensa de Chapecó ocorreu em 14 de abril. Já outras duas reuniões aconteceram de forma remota na tarde de quinta-feira (15/6).
Rádio MPSC
Ouça o Promotor de Justiça Simão Baran Júnior.
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