PGJ Vanessa Wendhausen Cavallazzi lota o Salão Nobre da Unochapecó em aula sobre o desafio estrutural do enfrentamento à violência contra a mulher
A atividade foi prestigiada por 500 participantes, entre acadêmicos, professores, advogados e juristas.
Na noite desta segunda-feira (9/3), a Procuradora-Geral de Justiça do MPSC, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, conduziu a aula inaugural do Curso de Direito Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). Com o tema “"Viver sem medo: o desafio estrutural da prevenção à violência contra as mulheres", a exposição, além de ser a aula inaugural do semestre, também marcou a celebração dos 40 anos do Curso de Direito na instituição. A atividade reuniu membros do Ministério Público, advogados, juristas, docentes e acadêmicos, que lotaram o Salão Nobre da universidade.
“Por toda a sua trajetória profissional e pessoal, não temos dúvida de que a nossa convidada representa o exemplo que queremos transmitir aos nossos estudantes, nossos professores. Pessoas que, para além da técnica, vivenciam o seu propósito com humanidade”, ressaltou a professora universitária e Pró-reitora de Ensino, Pesquisa e Extensão, Andrea de Almeida Leite Marocco. Ao lado do Coordenador do Curso, José Jacir Victovoski, Andrea apresentou Vanessa Wendhausen Cavallazzi ao público presente.
Primeira mulher a ser Procuradora-Geral de Justiça do MPSC, Vanessa iniciou a sua apresentação abordando o feminicídio. “É urgente que nós, em todas as esferas da vida social, estabeleçamos um pacto em favor do direito à vida das mulheres. Mas não podemos perder de vista a estranheza dessa urgência. Que sociedade é essa em que as mulheres precisam lutar pelo direito à vida?”, questionou Vanessa, ao expor e analisar dados recentes de feminicídios e da violência generalizada contra as mulheres.
Em sua fala, Vanessa também ressaltou a importância de conhecer os dados para construir políticas públicas capazes de combater a violência de gênero e a violência doméstica e familiar. A chefe do MPSC detalhou aos presentes importantes projetos de transformação social promovidos pelo Ministério Público, como o Educando Cidadãos e o Prioriza. A atuação do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) também foi apontada entre as ações.
“Os nossos 11 centros são espaços seguros para as vítimas e promovem acolhimento e escuta ativa. O nosso esforço é para multiplicar em todas as regiões do estado e passar de 11 para 32 NEAVITs. Esse é um dos grandes desafios que assumimos para o próximo período”, declarou Vanessa.
Ao longo de sua explanação, ela caminhou pelo Salão Nobre da Unochapecó, abriu um espaço para perguntas e propôs questionamentos cotidianos ao público, a partir de casos levantados pelos próprios estudantes. Para ilustrar a sua reflexão sobre como a violência de gênero está conectada com a objetificação do corpo feminino, a Procuradora Geral de Justiça mostrou peças publicitárias antigas e contemporâneas.
“Esses são alguns exemplos para nos ajudar a refletir como foi construído no inconsciente de todos nós, mulheres e homens, a ideia de que o corpo da mulher é um objeto, que está ali para servir a desejos e padrões alheios. Esse fenômeno está diretamente ligado a manifestações de assédio, a abordagens agressivas e a episódios como cantadas desrespeitosas nas ruas, no transporte público. Isso não pode ser naturalizado”, explicou Vanessa.
Após cerca de uma hora de exposição, Vanessa encerrou a aula com um chamado à ação dos participantes. “Feminicídio não é destino. É projeto falido de poder, é descaminho estrutural. Como toda construção social, ele pode e deve ser interrompido: pela coragem, pela política, pela justiça, mas sobretudo pela vida. Cada um de nós é responsável por uma parcela do que precisa ser feito. Às instituições cabe assumir suas responsabilidades, tendo a sociedade como aliada”.
Na parte final, a interação com o público teve a mediação do advogado Guilherme de Oliveira Matos, egresso da Unochapecó e presidente da OAB Subseção Chapecó. Em suas respostas, Vanessa tirou dúvidas pontuais e conciliou a explanação sobre a atuação do Ministério Público com relatos sobre as experiências pessoais que levaram-na a se tornar a primeira mulher à frente do MPSC, como a sua primeira experiência no Tribunal do Júri, enquanto Promotora de Justiça.
A acadêmica Joana Beatriz Casado, que cursa o oitavo período, destacou a relevância e atualidade da temática. “É muito importante abordar o feminicídio e a violência contra a mulher, tanto no meio acadêmico quanto na sociedade em geral. Foi de extrema importância e muito proveitoso”, definiu Joana.
Após a aula, a chefe do MPSC se alegrou ao visualizar muitas mãos levantadas em resposta ao seu questionamento sobre quem terminaria a palestra com a disposição de se tornar um(a) Promotor(a) de Justiça. Para encerrar a noite, com troca de sorrisos e abraços, Vanessa atendeu ao público e recebeu o carinho dos estudantes.
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