Operação Falta D'Água resulta em ação penal e afastamento de agentes públicos das funções públicas
O Presidente da Câmara de Vereadores de Navegantes, Valmir César Francisco, o Secretário Municipal de Saneamento Básico (SESAN), Joab Bezerra Duarte Filho, e o servidor público Humberto Galvez Júnior foram afastados das funções públicas, estão proibidos de frequentar a sede da Prefeitura, da Câmara de Vereadores, da SESAN e terão que usar tornozeleira eletrônica, por, no mínimo, 90 dias, em decorrência da operação "Falta d'Água".
A decisão liminar, de sexta-feira (21/6), atende pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) feito em ação criminal ajuizada pelo Promotor de Justiça Marcio Gai Veiga, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Navegantes. O Presidente da Câmara de Vereadores de Navegantes, o Secretário Municipal de Saneamento Básico (SESAN) e o servidor público Humberto foram presos temporariamente durante a operação. Agora soltos, terão que cumprir as medidas cautelares.
Na ação criminal, já recebida pelo Judiciário, o Promotor de Justiça denunciou ao todo sete pessoas por corrupção passiva e ativa, por organização criminosa e por lavagem de dinheiro. O esquema envolvia o recebimento de propina dentro da Secretaria Municipal de Saneamento Básico (SESAN) de Navegantes. Estima-se que se tenha pago por empresários a agentes públicos em torno de R$ 90 mil em propina.
Os denunciados são:
- o Administrador Antônio Venâncio da Silva Júnior (Brasília);
- o Auxiliar de Serviços Gerais da Prefeitura de Navegantes Humberto Galvez Júnior (Itajaí/SC);
- o Secretário da SESAN, Joab Bezerra Duarte Filho (Navegantes/SC);
- a Empreária Kelly Cristina dos Santos Post (São José dos Pinais/PR);
- a filha do Vereador Valmir, Larissa Janaina de Souza Francisco (Curitibanos/SC);
- o Empresário Marcelo Regis dos Santos (Curitiba/PR); e
- o Vereador e Presidente da Câmara de Vereadores Valmir Cesar Francisco (Navegantes/SC).
De acordo com a ação criminal, o grupo era liderado pelo Presidente da Câmara de Vereadores de Navegantes, Valmir César Francisco, que já foi Secretário da SESAN, e pelo servidor público Humberto Galvez Júnir, Auxiliar de Serviços Gerais, mas que, por indicação de Valmir, estava ocupando um cargo de Assessor Técnico I da SESAN. De modo estruturalmente ordenado e caracterizado pela divisão de tarefas, a organização agia de duas formas.
Em um dos modus operandi, Valmir e Humberto não remetiam os documentos em que comprovavam o recebimento de mercadorias ao setores administrativos, para atrasar de propósito o pagamento. Diante do desespero dos fornecedores, a dupla contatava tais credores e solicitavam vantagens financeiras indevidas. Os fornecedores, por sua vez, diante da solicitação ofereciam ou prometiam dolosamente vantagens para conseguirem os pagamentos.
Na outra maneira de agir, Valmir e Humberto aguardavam o fim do processo licitatório e a contração dos fornecedores para, logo em seguida, contatarem as empresas e acordar com elas a entrega de mercadorias em quantidade menores do que as constantes nas Notas Fiscais emitidas e em toda a documentação administrativa pertinente. Com isso, os fornecedores recebiam o valor total do empenho, tendo entregado, porém, mercadorias em quantidade inferior ao que havia sido documentado, e consequentemente pagavam propina para Valmir e Humberto.
O atual Secretário Municipal de Saneamento Básico (SESAN), Joab Bezerra Duarte Filho, segundo a Promotoria de Justiça, durante a época em que foi secretário de saneamento, tinha plena ciência da atividade "paralela" de Valmir e Humberto, que, diante da afinidade política que tinha com os dois, permitia e incentivava tal prática. Sua função era manter o ambiente propício para a manutenção do sistema de corrupção ali instalado.
A filha do Vereador, Larissa Janaina de Souza Francisco (Curitibanos/SC), teria consentido e incentivado o crime de lavagem de dinheiro do pai, ao autorizar que este colocasse em seu nome bem imóvel adquirido com o dinheiro fruto de corrupção. Os empresários Antônio Venâncio da Silva Júnior (Brasília), Kelly Cristina dos Santos Post (São José dos Pinais/PR) e Marcelo Regis dos Santos (Curitiba/PR), segundo apurado na investigação, compactuaram com o esquema pagando propina.
A partir de agora, os denunciados serão citados para o oferecimento de defesa. A ação penal tramita na Vara Criminal da Comarca de Navegantes sob o n. 0900075-90.2019.8.24.0135.
VÍDEOS
Entenda a investigação da Operação Falta d'Água
Promotor de Justiça apura crimes praticados por agentes públicos
Últimas notícias
10/03/2026PGJ Vanessa Wendhausen Cavallazzi lota o Salão Nobre da Unochapecó em aula sobre o desafio estrutural do enfrentamento à violência contra a mulher
10/03/2026MPSC propõe estratégia integrada para enfrentar a violência nos estádios
10/03/2026MPSC ajuíza ação para desativar lagoas da CASAN e reparar danos ambientais nas dunas da Lagoa da Conceição
10/03/2026Mãe é condenada por permitir que filha adolescente consumisse bebidas alcoólicas e ainda postar vídeo dela passando mal
10/03/2026Artista firma acordo com o MPSC e produzirá obra em homenagem às vítimas do acidente aéreo de 2016
10/03/2026MPSC inaugura nova sede da Promotoria de Justiça de São José do Cedro
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
26/01/2026Acordo firmado pelo MPSC, IMA e Seara garante fim do lançamento de efluentes no Riacho Santa Fé e destina R$ 5 milhões para projetos ambientais em Itapiranga
19/11/2025MPSC firma acordo para regularizar lei que trata das chácaras rurais em Xanxerê
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/11/2025MPSC atua em municípios atingidos por tornado no Oeste