MPSC fortalece cultura de segurança pessoal com capacitação sobre prevenção e autoproteção
Em evento "Segurança e Sobrevivência Urbana", promovido pela CISI e CEAF, o Promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, do Ministério Público de Mato Grosso, apresentou técnicas para reduzir vulnerabilidades e disseminar os princípios de prevenção no cotidiano e na atividade profissional.
O que eu posso fazer de diferente para me tornar menos vulnerável? Como construir um sistema pessoal de segurança? Como proceder e como não proceder? Em uma linguagem prática, alternando conhecimento, situações e casos reais do cotidiano, o Promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e referência na área, foi o convidado especial do evento "Segurança e Sobrevivência Urbana", promovido nesta quinta-feira (24/9) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Realizado no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Florianópolis, o encontro reuniu equipes de segurança institucional, integrantes das forças de segurança, membros e servidores, em iniciativa da Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional (CISI) e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) do MPSC. A ação teve como objetivo promover a capacitação e a troca de experiências entre profissionais para a prevenção e o enfrentamento de situações de risco, buscando aprimorar conhecimentos e fortalecer as práticas de segurança no âmbito institucional.
Na abertura, a Subprocuradora-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Helen Crystine Corrêa Sanches, que representou a Procuradora-Geral de Justiça Vanessa Wendhausen Cavallazzi, afirmou que a realização do curso demonstra a importância que o MPSC atribui às ações de prevenção, preparação e proteção de pessoas que exercem funções públicas de elevada responsabilidade.
"Em um contexto de riscos e vulnerabilidades cada vez maiores, a segurança exige de todos nós conhecimento, atenção e permanente aperfeiçoamento. Encontros como este fortalecem nossas capacidades individuais, aproximam as instituições e contribuem para a construção de uma cultura de segurança que deve estar cada vez mais presente tanto na atividade profissional quanto em nossa vida cotidiana", assinalou.
O Coordenador da Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional (CISI) do MPSC, Promotor de Justiça João Carlos Linhares, ressaltou a intenção de despertar a cultura de segurança entre membros, servidores e agentes das forças de segurança, não apenas durante o expediente, mas principalmente fora do horário de trabalho.
"Para quem atua na linha de frente, seja na segurança pública, na atividade policial ou no Ministério Público, a exposição a riscos faz parte da realidade profissional. Mas, mais do que treinar respostas para situações extremas, esta capacitação nos convida a olhar para o dia a dia, a sair do modo automático, a prestar atenção aos nossos deslocamentos, hábitos, à exposição das nossas informações e aos comportamentos adotados em situações que, à primeira vista, parecem normais", disse. "Segurança não é apenas saber como agir quando algo acontece. É saber identificar riscos antes que eles se transformem em problemas. Não existe risco zero, mas podemos reduzir vulnerabilidades, mudar comportamentos, adotar procedimentos e estar mais preparados", completou.
"O erro mais comum é se permitir estar em situação de risco"
Com ampla experiência em segurança e inteligência institucional, o Promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus coordena o Gabinete de Segurança Institucional e o Centro de Segurança e Inteligência do Ministério Público de Mato Grosso. Também é membro do Comitê de Política Institucional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e autor da obra "Como Não se Tornar uma Vítima: Um Guia de Segurança Pessoal e Corporativa".
Para ele, o erro mais comum que as pessoas cometem ao perceber sinais de perigo é justamente se permitir estar em situação de risco. Já o erro mais grave, acrescentou, é tentar utilizar uma arma de fogo para resolver uma situação quando o risco já está instalado. "Aí já é tarde demais", pontuou.
Na palestra, ele abordou formas de agir preventivamente para evitar situações de risco. "É muito importante que as pessoas alimentem em si essa consciência de segurança. As melhores atitudes para se trabalhar com segurança são aquelas que constroem um sistema de prevenção", observou.
Para Mauro Zaque de Jesus, 90% da segurança está na prevenção. Segundo ele, segurança significa andar prevenido e não necessariamente viver em estado de paranoia. "São atitudes simples: observar o ambiente, perceber sua normalidade ou não, planejar compromissos, avaliar horários de saída e retorno, verificar se o local é seguro ou mais isolado. Enfim, são medidas simples, mas que devem estar incorporadas à nossa rotina e que certamente contribuirão para evitar que nos tornemos vítimas", orientou.
O Promotor de Justiça abordou estratégias de autoproteção, prevenção e comportamento seguro em situações cotidianas e ambientes de risco. Durante a palestra, repassou técnicas e orientações sobre a construção de um sistema pessoal de segurança, leitura de ambientes, preparação mental para eventuais situações de violência, porte responsável de arma de fogo, direção defensiva e procedimentos de sobrevivência e mitigação de danos. Além disso, destacou a importância de não desprezar a intuição.
Conhecimentos para a atividade profissional e o dia a dia
Participantes destacaram a relevância da iniciativa e o aprofundamento proporcionado sobre o tema. Para o Promotor de Justiça Pedro Daniel Carneiro Gama Rocha de Freitas, o curso foi extremamente interessante e relevante para o desempenho das atividades ministeriais, além de oferecer conhecimentos e orientações úteis para o dia a dia, inclusive na análise de inquéritos e ações penais que envolvam ocorrências com confronto armado.
O policial rodoviário federal Garrido, da PRF em Santa Catarina, classificou a capacitação como pertinente, por tratar de um tema que precisa ser debatido com frequência. Segundo ele, mesmo para policiais que já recebem formação em autoproteção nas academias, é sempre importante relembrar os ensinamentos.
Seminário Nacional de Segurança Digital e Orgânica
Já nesta sexta-feira (25/9), o MPSC promoverá, na mesma área, o Seminário Nacional de Segurança Digital e Orgânica, para a troca de experiências e disseminação de conhecimentos sobre proteção digital, segurança institucional e controle de acesso. O evento, também em Florianópolis, contará com palestras de especialistas de diferentes instituições.
Entre os palestrantes confirmados estão o Delegado da Polícia Civil do Piauí Alessandro Gonçalves Barreto, que falará sobre segurança digital; o Promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, que abordará a segurança de pessoas e instalações; e o Oficial R1 do Exército Brasileiro João Ricardo Correa Rodrigues, responsável pela palestra sobre segurança orgânica. A equipe da Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional (CISI) também apresentará o projeto de controle de acesso desenvolvido pelo MPSC.