MPSC denuncia quatro homens por latrocínio em Timbé do Sul

A vítima de 80 anos teria sido submetida a espancamento e afogamentos antes de ser assassinada. A denúncia já foi recebida pela Justiça catarinense. 

21.01.2026 15:16
Publicado em : 
21/01/26 06:16

Um crime de latrocínio praticado com extrema violência em novembro de 2025 na localidade de Areia Branca, em Timbé do Sul, tirou a vida de um idoso de 80 anos. A vítima foi torturada e morta após ter sua residência invadida por um grupo criminoso que buscava dinheiro, armas e objetos de valor. 

Após a conclusão da investigação da Polícia Civil, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia, a qual já foi recebida pela Justiça, contra quatro homens supostamente envolvidos nos delitos. 

Na ação penal pública, a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Turvo requer a condenação dos réus pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e tortura, com agravantes de dissimulação, crime contra pessoa idosa e, para dois dos acusados, reincidência e liderança da ação criminosa. O MPSC requer ainda a fixação de um valor mínimo para reparação de danos materiais e morais à família da vítima, destacando a brutalidade do crime e o sofrimento causado. 

Na denúncia, a 2ª Promotoria de Justiça relata que a execução dos crimes teria se iniciado ainda na manhã de 19 de novembro de 2025, quando um dos investigados visitou o idoso sob o pretexto de procurar emprego como caseiro. Durante a conversa, a vítima, de forma cordial, mostrou ao homem um revólver calibre .38 e comentou que costumava guardar dinheiro em casa. 

Segundo consta na instrução processual, essas informações passadas pelo idoso teriam sido usadas horas depois no planejamento do assalto. Já durante a tarde, os acusados se reuniram na casa de um dos envolvidos, que supostamente funcionou como base operacional. Ali, teriam vestido roupas escuras, dividido tarefas e alinhado a execução do crime, que incluiria tortura e morte da vítima para evitar reconhecimento. 

A denúncia narra que eram quase 20 horas do mesmo dia quando os quatro réus teriam retornado à residência do idoso, usando como pretexto a devolução de uma mula pertencente à vítima. Enganado, o homem permitiu a aproximação e acabou rendido. Dentro da casa, os criminosos teriam iniciado uma sessão de tortura destinada a obter a senha do cartão bancário e a localização de eventuais somas em dinheiro. O idoso foi amarrado e espancado e teve a cabeça repetidamente submersa em um barril com água, sofrendo fraturas no nariz e no rosto. 

Consta na peça acusatória que, além da violência, os acusados consumiram bebidas alcoólicas durante o crime. Mesmo após a sessão de espancamento e asfixia, os supostos agressores teriam decidido tirar a vida da vítima para evitar o reconhecimento posterior. O golpe fatal foi desferido com um pedaço de madeira, atingindo a região posterior da cabeça e levando o homem à morte. 

De acordo com a ação penal, teriam sido subtraídos R$ 600 em espécie, o revólver calibre .38, uma televisão, um compressor de ar, uma máquina de cortar grama, uma motosserra, além de documentos, carteira de identidade e cartão bancário. Com o cartão bancário da vítima, dois dos denunciados teriam tentado realizar saques em uma agência de uma cooperativa de crédito no centro de Timbé do Sul. As transações, no entanto, foram recusadas por falta de saldo. 

Ainda de acordo com os autos, o grupo teria se dispersado após o crime. Alguns teriam fugido em direção a Araranguá em um veículo usado na ação, enquanto outros permaneceram na cidade. Consta ainda que, dois dias depois, parte dos supostos envolvidos abandonou o carro e dispensou a arma da vítima durante uma perseguição policial. 

O Promotor de Justiça Marcus Vinicius dos Santos, autor da ação, disse que “trata-se de um crime de extrema crueldade, praticado contra um idoso indefeso, submetido a intenso sofrimento físico e mental. A investigação revelou planejamento detalhado, divisão de tarefas e total desprezo pela vida humana”. 

Ele ressaltou também que “a morte violenta da vítima transcende o prejuízo material e atinge profundamente a dignidade humana, sobretudo pela premeditação, o planejamento tão meticuloso do crime e a brutalidade concreta na sua execução, razão pela qual o Ministério Público buscará a responsabilização de todos os autores e a aplicação da maior pena possível”. A ação penal também revela que dois dos acusados têm condenações anteriores por crimes graves, como homicídio, tráfico de drogas e roubo majorado. 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC