GAECO de SC presta apoio ao MPPR na Operação Las Vegas
O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira, 30 de janeiro, a Operação Las Vegas, com o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão nas cidades de Londrina (12), Cambé (2), Goiânia-GO (3), Brasília-DF (1), Itapema-SC (4) e Balneário Camboriú-SC (1), além de três mandados de prisão e 14 de imposição de medidas cautelares diversas da prisão. A ação contou com apoio dos Gaecos do Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina.
A operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Santa Catarina, força-tarefa composta pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar.
A investigação tem por alvo uma organização criminosa com atuação nacional na exploração de jogos de azar e na prática de usura e lavagem de dinheiro. As medidas judiciais foram deferidas pelo Juízo da 5ª Vara Criminal de Londrina.
Foi determinado ainda o bloqueio de sites de apostas e sistemas on-line de gestão de jogos ilegais hospedados no Brasil e no exterior, o bloqueio de páginas do Instagram e do YouTube, o sequestro e a restrição de circulação de 236 veículos automotores e o sequestro de 18 imóveis e de valores em dinheiro. O montante a ser bloqueado nas contas bancárias dos investigados chega a quase R$ 150 milhões.
Faturamento - O líder do esquema criminoso foi preso em 2011 na Operação Jogo Sujo II, do Gaeco, mas continuou operando jogos ilegais e ampliou o esquema criminoso, passando a atuar em todo o país. As apurações revelaram que a organização criminosa atuava de maneira empresarial na exploração de jogos ilegais (jogo do bicho e similares) em diversos estados, como Paraná, Santa Catarina e Goiás. Seus integrantes desenvolveram uma plataforma tecnológica para gestão e exploração dos jogos de azar, fornecida também a outros grupos criminosos de diversas regiões do país, mediante recebimento de percentual a título de comissão. Em uma das planilhas obtidas pelo Gaeco, constatou-se que em apenas um mês o esquema criminoso teve renda bruta de mais de R$ 40 milhões com o fornecimento do sistema para 81 adquirentes em diferentes regiões.
Lavagem de dinheiro - O dinheiro obtido com as práticas ilícitas era lavado por meio de três locadoras de veículos, possibilitando inclusive que outros criminosos (condenados por tráfico, receptação e furto) também se beneficiassem dessas empresas "lavando" dinheiro com a aquisição de veículos de luxo. Nesse esquema também eram utilizadas empresas de fachada em nome dos próprios investigados e de "laranjas". A organização criminosa contava até mesmo com uma lotérica para a ocultação de valores ilícitos. Outro modo de dissimular os ganhos era a compra de imóveis de altíssimo padrão e de cotas de consórcio, bem como movimentações de dinheiro em espécie.
Fuga - O líder do esquema criminoso e outros familiares investigados fugiram para os Estados Unidos no dia 17 de novembro de 2023, três dias após o Gaeco deflagrar a Operação Engenho, que culminou com a prisão de ao menos dois integrantes da organização, responsáveis por controlar o setor de lavagem de dinheiro do grupo. Ao menos quatro investigados, todos pertencentes ao núcleo familiar do líder, seguem nos Estados Unidos.
A operação contou ainda com o apoio da Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal - houve cumprimento de mandado de busca e apreensão contra um servidor da instituição.
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