Em Mondaí, comitê “Por Elas” capacita servidores para atuar em grupos reflexivos com homens autores de violência doméstica

Entre os dias 4 e 6 de fevereiro, servidores e profissionais da rede de atendimento dos municípios de Mondaí, Riqueza e Iporã do Oeste participam da formação ofertada pelo comitê, integrado pelo Ministério Público.  

04.02.2026 13:43
Publicado em : 
04/02/26 04:43

Nesta quarta-feira (4/2), iniciou em Mondaí a Capacitação de Facilitadores(as) de Grupos Reflexivos e Responsabilizantes para Homens em Situação de Violência. A iniciativa é promovida pelo comitê “Por Elas”, uma articulação regional e interinstitucional integrada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Mondaí. O curso segue até sexta-feira (6/2) no Fórum do município.  

A formação reúne 25 profissionais, entre técnicos e servidores dos três municípios que compõem a comarca (Mondaí, Riqueza e Iporã do Oeste), psicólogos, assistentes sociais e advogados. Separadamente, esses profissionais atuarão como facilitadores nos grupos reflexivos que englobam os três municípios. Ao longo do ano, estão previstas quatro turmas; cada uma deve ter oito encontros com a participação de 20 homens. A primeira turma deve iniciar os trabalhos em março.  

Proponente da capacitação, o comitê “Por Elas” engloba diferentes instituições e iniciou as suas atividades em agosto. “A formação do comitê possibilitou a intensificação das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher e o trabalho conjunto nos três municípios. A colaboração dos gestores e a ampliação do número de profissionais designados para atuar nos grupos reflexivos possibilitaram a realização deste ciclo de qualificação”, avalia a Promotora de Justiça Priscila Rosário Franco, que conduziu a cerimônia de boas-vindas e a abertura da capacitação. 

Com três dias de debates, a atividade tem como objetivo instruir os participantes sobre aspectos jurídicos e legislativos e recomendações técnicas, apresentar modelos reflexivos, desenvolver habilidades para condução e facilitação e traçar estratégias de trabalho. “É muito oportuno ter um espaço como esse, que nos dá segurança para ingressar nos grupos reflexivos e desenvolver um trabalho orientado para que os homens possam repensar a masculinidade, a violência, os aspectos culturais, para que os episódios de violência não se repitam”, avalia Eloísa Bido, psicóloga que atua no serviço de proteção social especial no município de Iporã do Oeste.  

A capacitação conta com a condução da psicóloga Ana Carolina Maurício, doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina e integrante do núcleo de pesquisa Margens. “Para enfrentar a violência contra a mulher, é fundamental trabalhar também com os homens. O nosso objetivo é justamente capacitar os servidores e profissionais que estão no dia a dia ouvindo os homens no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher. Queremos contribuir para desenvolver uma metodologia eficaz voltada para prevenir casos de reincidência e a escalada dos casos de violência, com uma abordagem atenta para a realidade de cada cidade”, esclarece.  

A psicóloga clínica Denise Vicente acompanha de forma voluntária o trabalho dos grupos reflexivos em Mondaí desde o projeto-piloto de 2023. Ela avalia positivamente a oportunidade de capacitação. “Conhecer o método de forma assertiva e o potencial do nosso papel enquanto facilitadores acrescenta um conhecimento essencial às experiências que nós já desenvolvemos com a parte prática dos grupos. Estudar a metodologia com uma profissional tão qualificada é muito importante para aperfeiçoar a nossa técnica de trabalho”, afirma.  

Os grupos reflexivos trabalham diversas temáticas voltadas ao processo de reflexão dos homens autores de violência doméstica, com foco na mudança de comportamento e responsabilização, sem teor de julgamento ou culpabilização. Em Mondaí, o projeto recebeu o nome de “Nem com uma flor”. 

No âmbito da Promotoria de Justiça da Comarca de Mondaí, a assistente Ana Cláudia Weber acompanha de perto o trabalho dos grupos reflexivos. Ela é servidora do MPSC há nove anos; trabalha em Mondaí há pouco mais de um ano e, após a capacitação, estará habilitada para atuar como facilitadora das turmas. “Essa experiência tem ampliado de forma sensível minha compreensão sobre a dimensão humana que sustenta o exercício do Ministério Público. É desse olhar ampliado que nascem intervenções verdadeiramente transformadoras, capazes não apenas de reagir ao dano, mas de interromper ciclos e abrir caminhos para novas histórias”, considera.  

O assistente social do Município de Mondaí Roiter Marafon complementa que a formação traz um espaço de troca de conhecimentos e se caracteriza como um passo importante para qualificar os servidores. “Estamos muito contentes. É a primeira formação de que eu tenho a oportunidade de participar, então é uma experiência nova, que vem para consolidar o nosso trabalho”, aponta.  

A Promotora de Justiça Priscila Rosário Franco destaca a importância da articulação entre as instituições para agir sobre a realidade local. “É imprescindível a atuação tanto do Ministério Público quanto dos demais agentes e autoridades para sensibilizar os gestores e servidores para a importância dos grupos reflexivos. Estes espaços visam à responsabilização, mas sobretudo à mudança cultural e de comportamento dos homens no seu cotidiano”, reflete.   

O comitê “Por Elas” 

O comitê foi criado em agosto a partir de um esforço regional após a assinatura do Termo de Cooperação Interinstitucional para o Enfrentamento da Violência contra a Mulher. Integram o comitê o MPSC, o Judiciário e as Prefeituras de Mondaí, Riqueza e Iporã do Oeste, que conta também com a colaboração da Polícia Civil, da Polícia Militar e da OAB local.  

O objetivo é padronizar os procedimentos, estruturar medidas conjuntas de prevenção e consolidar o enfrentamento à violência contra a mulher. Entre as prioridades do grupo estão:  

  • a elaboração de políticas públicas de prevenção à violência doméstica;  
  • a ampliação das informações às vítimas e à comunidade;  
  • a consolidação e expansão dos grupos reflexivos na comarca. 

“Com o comitê ‘Por Elas’ nós conseguimos planejar as ações, aglutinar as parcerias e ampliar a oferta de turmas dos grupos reflexivos. Assim, tem sido possível consolidar o entendimento desses grupos reflexivos como parte das políticas públicas de enfrentamento à violência”, reflete a assistente social do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Cilene Kosmann. Ela é uma das facilitadoras dos grupos reflexivos em Mondaí e participou da formação realizada nesta semana no município.  

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC - Correspondente Regional de Chapecó