Dia Nacional do Patrimônio Histórico: revitalização do Museu da Colonização de Chapecó conta com atuação do Ministério Público

O museu funciona na Casa Histórica da Família Bertaso, construída em 1922. O imóvel é a casa de madeira mais antiga do Oeste catarinense. Com a destinação de mais de R$ 500 mil do FRBL à execução da obra, o museu passou por restauração completa e foi reaberto em junho. 

17.08.2026 10:28
Publicado em : 
17/08/26 10:28

Celebrado nesta segunda-feira (17 /8), o Dia Nacional do Patrimônio Histórico marca a importância da preservação da memória e da identidade. Em Chapecó, um imóvel que simboliza parte da história da cidade foi revitalizado e reaberto para visitação. Trata-se da Casa Histórica da Família Bertaso, que desde 2011 abriga o Museu da Colonização de Chapecó. O projeto de restauro contou com a atuação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que aportou parte dos recursos por meio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL). 

Para viabilizar a iniciativa, a Gerência de Cultura, Patrimônio Histórico e Memória da Secretaria de Cultura de Chapecó submeteu um projeto ao FRBL. Em setembro de 2024, em sessão ordinária, o Conselho Gestor do Fundo, presidido pelo Ministério Público, aprovou a destinação de R$ 536 mil para a conclusão da revitalização

Com 104 anos de história, a estrutura física foi recuperada com atenção à preservação das características originais. A restauração levou mais de um ano. A tinta da madeira foi raspada para descobrir o tom da pintura original da casa, que foi reproduzida com fidelidade durante o restauro. Para recuperar o assoalho, foi utilizada madeira de araucária, nativa da região. O acervo do museu abriga móveis, documentos e objetos que pertenceram aos Bertaso e a outras famílias que viveram em Chapecó nas décadas de 1920 e 1930, com elementos típicos da época e que ajudam a contar a trajetória da cidade e os costumes de seus antigos moradores. 

O MPSC já acompanhava a situação tanto da edificação quanto do acervo, por meio da 9ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó, a partir de indicação do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CME) do MPSC. “Em 2020, nós instauramos um inquérito civil para acompanhar a situação e cobrar que houvesse a devida restauração da casa e a conservação do acervo. Por fim, com a participação do FRBL, o Ministério Público contribuiu para a destinação de recursos que possibilitaram a conclusão da restauração da casa e a reabertura do museu”, esclareceu o Promotor de Justiça José Orlando Lara Dias. 

Durante a Efapi, realizada entre 10 e 19 de outubro de 2025, o museu recebeu o público que visitou a feira. A partir dessa experiência, foram realizados os reparos finais para segurança e recuperação completa da estrutura da casa. Assim, no dia 10 de junho, o local foi entregue para a comunidade. Desde então, o espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h15, com entrada gratuita. Regularmente são recebidos grupos de idosos e turmas das escolas locais, estimulando o conhecimento histórico e cultural.  

“A colonização mudou radicalmente a história do nosso território, de modo que essa casa tem uma simbologia muito grande não apenas para Chapecó, mas para todo o Oeste de Santa Catarina. Os espaços que simbolizam a memória são sempre muito importantes, porque guardam facetas da nossa história”, considerou o professor e historiador José Carlos Radin. Ele conduziu uma aula expositiva durante a cerimônia de reabertura oficial do museu para a comunidade, realizada em 10 de junho.  

“O trabalho de restauro foi muito cuidadoso e criterioso e culminou em um resultado muito bonito e muito bem conservado. Com isso, o acervo ganha segurança para ser exposto e a população ganha uma exposição permanente, acessível e com enorme potencial enquanto ponto turístico e enquanto preservação da memória”, declarou o Promotor de Justiça José Orlando Lara Dias. 

 

Assista ao vídeo e conheça o Museu da Colonização e como o MPSC atuou na revitalização:

Museu está localizado em imóvel histórico 

A própria edificação constitui uma referência arquitetônica e histórica, sendo a casa de madeira mais antiga da região. Com a construção datada de 1922, o imóvel foi lar da família de Zenaide e Ernesto Francisco Bertaso, espaço de convivência, sede da empresa colonizadora Bertaso, Maia e Cia (que posteriormente passou a se chamar apenas Bertaso) e, por fim, se tornou patrimônio histórico e cultural de Chapecó. Doado ao poder público em 1991, o imóvel foi transportado do centro da cidade para o Parque de Exposições Valmor Lunardi, que sedia a feira de exposições Efapi, tradicionalmente realizada em Chapecó no mês de outubro, em anos alternados.  

Por seu valor histórico e cultural, a construção foi tombada pelo Município de Chapecó em 2011, no mesmo ano em que passou a abrigar o Museu da Colonização, criado para integrar memória, cultural e educação. Intitulada “A Casa da Família Bertaso: o Epicentro da Colonização de Chapecó”, a exposição inaugural da reabertura conta com fotografias, móveis, utensílios, documentos e outros objetos que ilustram os hábitos e o cotidiano dos colonizadores e dos primeiros moradores da região, as dinâmicas sociais e a organização territorial da região Oeste.  

“Esse espaço tem uma importância ímpar, pois nos permite entrar numa cápsula do tempo, não só pelos 104 anos de idade da casa, mas também com as peças que integram o nosso acervo. Esse museu nos permite entender como Chapecó foi mapeada e organizada para ser a cidade que é hoje. Eu sempre gosto de falar que Chapecó começou pequena, mas com gente que pensava grande”, refletiu o filósofo e historiador Leonardo Dlugokenski, coordenador dos museus de Chapecó. 

A exposição está dividida em salas temáticas, organizadas reproduzindo a distribuição de cômodos e simulando a época em que a família Bertaso vivia na casa. O intuito é reunir um acervo capaz de oferecer aos visitantes um panorama da formação da cidade.  

“Eu já tive o prazer de trabalhar com crianças e adolescentes, hoje trabalho com idosos e é sempre muito interessante acompanhar as visitas aos museus, pois desperta neles muitas lembranças. Locais como esse revelam a história do nosso município, não só para quem vive aqui, mas também para as pessoas que vêm de outros lugares. A história é a nossa raiz”, explicou a professora Mariluce Vieira. Ela foi uma das primeiras visitantes após a reabertura das atividades.  

Museóloga responsável pelo espaço, Lilian Santos da Silva Fontanari destaca o aspecto didático para públicos diversos, com a previsão de ações educativas e culturais para complementar a visitação. “A nossa exposição narra o período da colonização, com personagens já conhecidos, mas também com informações sobre o papel das mulheres nesse processo, em especial com a figura da Zenaide Bertaso, guardiã de muitas histórias”, afirmou.   

FRBL: fundo que beneficia a sociedade  

Em Santa Catarina, recursos oriundos de condenações, multas e acordos judiciais e extrajudiciais promovidos pelo Ministério Público por danos causados à coletividade em áreas como meio ambiente, consumidor e patrimônio histórico são revertidos ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados. Dessa forma, o FRBL financia projetos que atuam diretamente no bem-estar coletivo nas áreas de atuação do MPSC.   

Administrado por um Conselho Gestor composto por representantes de órgãos públicos estaduais e entidades civis, o FRBL é presidido pelo Ministério Público de Santa Catarina. Os representantes de órgãos públicos são permanentes e os de entidades civis são renováveis a cada dois anos, mediante sorteio público. O Conselho Gestor se reúne para sessões ordinárias uma vez por mês. Os projetos contemplados pelo Fundo devem atender os objetivos de prevenção e/ou recuperação do meio ambiente, defesa do consumidor, cidadania e proteção e valorização do patrimônio público. 

“Para o Ministério público é uma alegria ver o Museu da Colonização de Chapecó em pleno funcionamento, com o acervo em segurança e a casa histórica revitalizada, conservada. Afinal, o FRBL tem como finalidade o benefício coletivo, com valores revertidos para projetos que importam para a sociedade catarinense. Contribuir para que uma cidade como Chapecó e toda a região Oeste tenham um espaço de acesso diário para o conhecimento sobre a história local é muito importante e motivo de alegria para o Ministério público”, finalizou o Promotor de Justiça José Orlando Lara Dias. 

 

Saiba mais sobre o FRBL aqui.  

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC - Correspondente Regional de Chapecó