Dia Estadual de Combate ao Feminicídio convida à conscientização e à prevenção da violência contra as mulheres
Neste 22 de julho, MPSC evidencia a contribuição do Mapa do Feminicídio de Santa Catarina para a compreensão da violência letal de gênero e para a construção de estratégias de prevenção e proteção.
Uma cadeira vazia à mesa. Um filho esperando a mãe que não voltará para casa. Uma família tentando reconstruir a vida depois de uma perda irreparável. O feminicídio não encerra apenas a trajetória de uma mulher. Ele deixa marcas profundas em filhos, familiares, amigos e em toda a comunidade ao redor. Por isso, o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, instituído em 22 de julho em Santa Catarina, é um convite à reflexão, à conscientização e, principalmente, à prevenção.
Reconhecido como a forma mais extrema da violência de gênero, o feminicídio raramente ocorre sem sinais prévios. Ameaças, perseguições, agressões físicas, violência psicológica, controle da vida da vítima e outras formas de abuso costumam fazer parte de uma espiral de violência que pode se agravar ao longo do tempo e culminar no feminicídio.
Para ampliar a compreensão sobre essa realidade e contribuir para seu enfrentamento, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) desenvolveu o Mapa do Feminicídio de Santa Catarina. A ferramenta reúne e organiza informações sobre os casos registrados no estado, oferecendo subsídios para a formulação de estratégias de prevenção, o fortalecimento da rede de proteção e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Produzido pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC), com apoio do Setor de Dados Estruturados do MPSC, o estudo analisou os casos de feminicídio registrados entre 2020 e 2024 em Santa Catarina, com atualização dos números absolutos até 2025. O resultado é uma ferramenta acessível e transparente, criada para qualificar o debate público e apoiar ações de enfrentamento à violência de gênero.
Conhecimento a serviço da prevenção
Mais do que apresentar números, o mapa permite identificar características e circunstâncias que ajudam a compreender a dinâmica dos crimes. As informações têm sido utilizadas por pesquisadores, instituições e veículos de comunicação, ampliando o alcance desse conhecimento e contribuindo para que a violência contra as mulheres seja tratada como um problema social que exige atenção permanente do poder público e da sociedade.
Segundo a Coordenadora-Geral do NEAVIT, Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, o mapa foi concebido para ampliar a compreensão sobre o feminicídio e contribuir para que a violência seja identificada antes de chegar ao seu desfecho mais grave.
“O feminicídio não afeta apenas a mulher que teve a vida interrompida. Ele também atinge filhos, familiares e toda uma rede de pessoas que convive com as consequências dessa violência. Ao conhecermos melhor essa realidade, conseguimos enxergar padrões, aperfeiçoar as estratégias de proteção e avançar na prevenção. Gerar conhecimento sobre o tema é uma forma de proteger vidas”, afirma.
Pela metodologia adotada e pelo alcance das informações produzidas, o Mapa do Feminicídio de Santa Catarina tem se consolidado como referência para veículos de comunicação, pesquisadores e instituições que atuam no enfrentamento à violência contra as mulheres.
O estudo já foi apresentado à Ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, como exemplo de boa prática desenvolvida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), e tem despertado o interesse de outros Ministérios Públicos e órgãos públicos que buscam qualificar suas estratégias de prevenção e proteção às vítimas.
Além das estatísticas
O impacto do feminicídio ultrapassa os números. Além das vidas interrompidas, esses crimes atingem crianças, adolescentes e familiares que passam a conviver com perdas irreparáveis.
Em busca de dar visibilidade a essa realidade, o MPSC iniciou neste ano um trabalho conjunto com a Polícia Científica para identificar crianças e adolescentes que perderam suas mães em casos de feminicídio em Santa Catarina. Atualmente, não há um levantamento consolidado sobre esse público no estado.
Dados já levantados pelo Ministério Público apontam que 65,6% das vítimas de feminicídio eram mães, dentre as quais 45,9% possuíam filhos em comum com o agressor. A iniciativa pretende identificar essas crianças e adolescentes para possibilitar o acesso à rede de proteção, a benefícios sociais e ao acompanhamento necessário após a violência.
Neste Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, a mensagem que fica, portanto, é de conscientização, prevenção e responsabilidade coletiva. “Reconhecer os sinais da violência, acolher vítimas, incentivar a busca por ajuda e fortalecer as redes de proteção são atitudes fundamentais para impedir que novas histórias tenham um desfecho fatal, porque, por trás de cada número, existe uma vida interrompida e uma rede de pessoas impactadas pela violência”, conclui a Promotora de Justiça.
O Mapa do Feminicídio de Santa Catarina está disponível para consulta pública no portal do MPSC.
Assista a websérie Ausências no canal do YouTube do MPSC.
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