Denúncia do MPSC é recebida e 18 investigados na Operação Presságio se tornam réus em ação penal

Ação da 31ª Promotoria de Justiça aponta uma organização criminosa que teria agido na Secretaria de Turismo de Florianópolis entre 2020 e 2024.

11.03.2026 13:39
Publicado em : 
11/03/26 04:39

A denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) contra 18 pessoas acusadas de integrarem uma organização criminosa que seria responsável por desviar recursos públicos da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis foi aceita pela Justiça. Com isso, os acusados se tornam réus em ação penal.  

A ação foi ajuizada pela 31ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que atua na área da moralidade administrativa, no dia 20 de fevereiro e decorre de um dos desdobramentos da Operação Presságio, conduzida pela Polícia Civil desde 2021 e ampliada a partir de 2023.   

De acordo com a ação penal, o grupo teria mantido ao longo dos anos uma estrutura hierarquizada em quatro níveis: liderança, setor financeiro, operacional e laranjas. Esse formato permitia ao grupo o desvio contínuo de verbas públicas. O esquema teria utilizado termos de fomento, projetos sociais fictícios e notas fiscais falsas para justificar pagamentos irregulares.   

As investigações apontam que apenas parte dos valores repassados às entidades seria aplicada nas atividades previstas. O restante teria retornado ao grupo por meio de depósitos fracionados, saques em espécie e repasses diretos, com o objetivo de mascarar a origem ilícita dos recursos. Documentos, extratos bancários e mensagens apreendidas revelam movimentações financeiras que seriam incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

As apurações indicam que o esquema teria começado ainda em 2019 e ampliado para praticamente todos os projetos financiados pela pasta, utilizando organizações sociais para encobrir irregularidades.   
 
Principais crimes atribuídos aos denunciados   

Segundo a ação da 31ª Promotoria de Justiça, o conjunto de elementos reunidos demonstra que a organização criminosa teria praticado uma série de ilícitos para manter o funcionamento do esquema de desvio de recursos. Entre eles estão os seguintes:   

  • desvio de verbas públicas (peculato) por meio de termos de fomento e repasses para entidades usadas como fachada;  
  • falsidade ideológica, com emissão de notas fiscais falsas para justificar serviços não prestados ou superfaturados;  
  • fraudes em licitações e contratos, incluindo contratações emergenciais sem justificativa adequada;  
  • atuação organizada em níveis hierárquicos (liderança, setor financeiro, operacional e laranjas), operando como uma “empresa” voltada ao desvio sistemático de recursos.   

 
Investigação continua 

 
As investigações continuam na Operação Presságio, que ainda conta com outros procedimentos e ações penais em curso para aprofundar a análise de documentos, contratos e movimentações financeiras relacionadas ao esquema. O objetivo é esclarecer a totalidade dos fatos e identificar a eventual participação de novos envolvidos.

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC