Chefe de grupo criminoso que aplicava golpe da falsa central bancária denunciada pelo MPSC é condenada a mais de 23 anos de prisão

Outros sete integrantes do grupo receberam penas de dois anos e dois meses a três anos e quatro meses de prisão. 

31.07.2026 17:42
Publicado em : 
31/07/26 20:42

Uma mulher acusada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) de comandar um esquema de fraudes eletrônicas conhecido como “golpe da falsa central bancária” foi condenada a 23 anos, seis meses e seis dias de reclusão. A denúncia da 35ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital também levou à condenação de outros sete integrantes do grupo criminoso a penas que variam de dois anos e dois meses a três anos e quatro meses de prisão, conforme o grau de envolvimento de cada um. Todas as penas deverão ser cumpridas em regime inicial fechado. 

Conforme a denúncia da 35ª Promotoria de Justiça, os criminosos se passavam por funcionários de instituições financeiras e entravam em contato com as vítimas por telefone e aplicativos de mensagens. Durante as ligações, afirmavam que havia movimentações suspeitas, tentativas de fraude ou invasões nas contas bancárias. Em seguida, orientavam as vítimas a realizar procedimentos para supostamente cancelar transferências indevidas. Os criminosos utilizavam imagens de telas de aplicativos financeiros, jingles utilizados por bancos e roteiros de conversa para dar aparência de legitimidade aos contatos com as vítimas.   

Na prática, porém, os códigos e instruções enviados pelos golpistas faziam com que as próprias vítimas autorizassem transferências via Pix para contas controladas pelo grupo. Parte dos recursos era recebida por integrantes que cediam contas bancárias para ocultar a origem e o destino do dinheiro, dificultando o rastreamento dos valores. 

A investigação da Divisão de Combate a Estelionatos da Grande Florianópolis da Polícia Civil identificou ao menos cinco vítimas em Florianópolis, com prejuízos que chegaram a aproximadamente R$ 110 mil em um dos casos. Somados, os golpes descritos no processo causaram perdas superiores a R$ 160 mil.  

As apurações começaram após o registro de ocorrência por uma vítima que perdeu cerca de R$ 30 mil. A investigação identificou uma conexão com um imóvel em São Paulo. O cumprimento de mandado de busca e apreensão no local levou a uma verdadeira central de aplicação de golpes, onde foram apreendidos notebook, celulares e diversos arquivos relacionados às fraudes, incluindo conversas com vítimas, comprovantes de transferências, planilhas de controle financeiro do esquema e listas com dados pessoais de potenciais alvos.  

Como sustentado pelo Ministério Público na denúncia, a 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital reconheceu a existência de uma estrutura criminosa estável e organizada, com divisão de tarefas entre os participantes. A mulher apontada como chefe foi responsabilizada por fraudes eletrônicas praticadas contra cinco vítimas, inclusive idosos, além do crime de associação criminosa. Os demais réus foram responsabilizados principalmente por ceder contas bancárias utilizadas para receber e pulverizar os valores obtidos com as fraudes, além da participação na associação criminosa. Além das penas privativas de liberdade, os condenados deverão reparar os prejuízos causados às vítimas. 

O Promotor de Justiça Giovanni Andrei Franzoni Gil destaca que a principal arma dos criminosos é criar urgência para impedir que a vítima tenha tempo de confirmar a informação. “Por isso, diante de uma ligação sobre fraude, movimentação suspeita ou suposto bloqueio de conta, não informe senhas ou códigos, não clique em links e não realize transferências. Encerre a chamada e entre em contato com o banco por um canal oficial acessado por iniciativa própria. O importante é lembrar que a sofisticação do golpe pode induzir qualquer pessoa em erro, razão pela qual a informação e a prevenção são fundamentais”, alerta. 

A decisão é passível de recurso.  

Ação penal n. 5000301-25.2025.8.24.0523

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC