Autor de feminicídio é condenado a mais de 16 anos de prisão em Florianópolis
Uma mulher morta e um jovem de 24 anos condenado a mais de 16 anos de prisão. Este é o saldo de mais um caso de feminicídio ocorrido em Florianópolis. Denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o réu foi julgado e condenado nesta terça-feira (21/6), pelo Tribunal do Júri da Comarca da Capital.
O crime foi cometido no dia 3 de outubro de 2020 e motivado pelo ciúme e pela inconformidade do réu com o fim do relacionamento. A vítima foi encontrada no dia seguinte, um domingo, já sem vida, após familiares tentarem contato por telefone com a mulher sem sucesso. A mulher estava morta, com uma blusa na boca e o rosto e o pescoço cortados.
Os depoimentos colhidos na fase de investigação demonstraram que o réu já vinha ameaçando a mulher após terminarem a relação. No sábado, data provável do crime, ele foi visto por vizinhos entrando na residência em duas oportunidades. O acusado foi preso em Charqueadas, cidade do Rio Grande do Sul, para onde havia fugido após cometer o crime.
No julgamento, o Promotor de Justiça André Otávio Vieira de Mello sustentou que o homicídio foi qualificado por ter sido praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel e por se tratar de feminicídio - praticado no contexto de violência doméstica contra a mulher.
Os jurados deram razão ao representante do Ministério Público e condenaram o réu com as três qualificadoras. A pena total alcançou 16 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado. Preso preventivamente desde que foi capturado, ele não terá o direito de recorrer em liberdade.
"O Brasil é considerado um dos países com maior número de feminicídios. Agora, durante a pandemia em decorrência do novo coronavírus e várias outras motivações de intolerância social, revelou-se um escalada do odioso crime hediondo ainda mais preocupante. A decisão do conselho de jurados da Capital, votando pela condenação e abrigando a qualificadora do feminicídio, bem como da motivação torpe é cruel nos deixa uma lição muito importante: amor e violência não se misturam", considera o Promotor de Justiça após a condenação.
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