Agosto Lilás: Em Lages, Promotora de Justiça apresenta dados do Mapa do Feminicídio e exibe episódio da websérie Ausências

O município serrano está em uma das áreas de maior incidência de casos de violência contra a mulher, tendo registrado mais de 14,4 mil ocorrências desde 2020. 

25.08.2026 12:58
Publicado em : 
25/08/26 12:58

“Quando a Lei Maria da Penha foi sancionada, em 2006, alguém imaginou que, 20 anos depois, ainda seria necessário fazer eventos sobre o combate à violência contra a mulher?”. A reflexão foi trazida pela Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (CIJE) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Promotora de Justiça Daniela Böck Bandeira, em um seminário do Agosto Lilás realizado em Lages. 

Ela foi uma das palestrantes do evento, que reuniu mais de 250 pessoas em um auditório da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). A Promotora de Justiça iniciou sua explanação mostrando manchetes veiculadas na imprensa sobre os 32 casos de feminicídio ocorridos entre janeiro e julho deste ano em Santa Catarina e exibindo um dos episódios da websérie Ausências, que conta histórias de vítimas e está disponível no canal do YouTube do MPSC.  

Na sequência, ela apresentou o Mapa do Feminicídio – ferramenta inédita do MPSC que revela os padrões de violência de gênero contra mulheres no estado –, incluindo os índices do município de Lages, que está em uma das áreas de maior incidência, tendo registrado mais de 14,4 mil casos desde 2020. 

A Promotora de Justiça também falou sobre uma pesquisa realizada em mais de 40 países para entender as principais explicações para o maior e menor grau de violência contra a mulher. “O empoderamento feminino se revelou o fator mais influente em países com menor número de violência doméstica”, disse. Ela ainda trouxe outras pesquisas internacionais que tiveram como conclusão que, se quisermos reduzir a violência doméstica, devemos investir em igualdade de gênero.

“O seminário foi mais uma grande oportunidade de debater um tema tão complexo, que demanda a participação de toda a sociedade. O enfrentamento à violência contra a mulher não é responsabilidade de uma única instituição, mas de todos nós”, avaliou a Promotora de Justiça após encerrar a palestra. “Será que a cultura e a tradição que perpetuamos mantêm nossos meninos como potenciais agressores e nossas meninas como potenciais vítimas? Como estamos formando eles e elas?”, refletiu. 

O evento contou, ainda, com a participação da Vice-Governadora Marilisa Boehm; da Prefeita Carmen Zanotto; da Coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), Desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho; e da Secretária Municipal de Políticas para a Mulher e Pessoa Idosa, Suzana Duarte.

Características dos crimes 

Os dados gerais do Mapa do Feminicídio mostram que 68,9% das vítimas tinham histórico de violência, mas quase 80% delas não possuíam medidas protetivas; que a residência da vítima é o principal cenário dos crimes, concentrando 76,4% dos casos; que, em 45,8% das ocorrências, a ruptura do relacionamento foi apontada como gatilho, enquanto 41,1% dos crimes ocorreram entre a noite de sexta-feira e a madrugada de segunda-feira; e que 47,7% dos crimes foram praticados com armas brancas. Os dados do Mapa do Feminicídio também apontam Lages entre as regiões com maiores taxas médias de feminicídio no estado. 

Denuncie 

Denunciar casos de violência contra a mulher pode salvar uma vida. A violência muitas vezes começa com uma ofensa, uma humilhação, uma ameaça ou uma forma de controle e pode se intensificar com o tempo. Por isso, é fundamental não se calar diante dos primeiros sinais e buscar ajuda para interromper esse ciclo antes que a violência se agrave. O MPSC reforça a importância da denúncia e da busca pelos canais de proteção, que podem contribuir para interromper o ciclo de violência. 

Canais de denúncia  

  • Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT): clique aqui e veja como buscar atendimento;   

  • Polícia Militar: ligue 190;   

  • Central de Atendimento à Mulher: ligue 180. 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC - Correspondente Regional em Lages