Por iniciativa do MPSC, instituições assinam pacto de enfrentamento ao feminicídio em SC

Protocolo de intenções interinstitucional, formalizado durante evento de apresentação do Mapa do Feminicídio, estabelece ações coordenadas para reduzir índices de crimes, acolher vítimas e responsabilizar agressores.

30.03.2026 11:35
Publicado em : 
30/03/26 14:35

Foi assinado na manhã desta segunda-feira (30/3), durante o lançamento do Mapa do Feminicídio, o pacto de cooperação para políticas prioritárias de enfrentamento ao feminicídio entre o Ministério Público de Santa Catarina, o Governo do Estado, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina e a Assembleia Legislativa. Capitaneado pelo MPSC, o acordo entre os Poderes prevê atuação conjunta, com base nos dados do relatório do Mapa, para planejar, executar e avaliar ações destinadas à proteção das mulheres contra a violência.

O Mapa do Feminicídio reúne, organiza e interpreta os casos registrados em Santa Catarina entre 2020 e 2024, oferecendo uma leitura qualificada do fenômeno a partir de dados integrados, análise de contextos e identificação de padrões. A ferramenta contribui para a compreensão da violência de gênero no estado e orienta a atuação institucional, a prevenção e o fortalecimento de políticas públicas.

A Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, conclamou as instituições presentes a uma atuação coordenada, com o objetivo de conferir efetividade e celeridade às ações de prevenção, além de aprimorar o acolhimento às vítimas. “Hoje é dia de desconforto. A ideia é que nenhuma instituição saia daqui satisfeita consigo mesma. Esses dados nos fazem olhar no espelho e ver onde estamos errando e onde podemos melhorar”, disse a PGJ.

Para as instituições, ações conjuntas são urgentes.

O Conselheiro Aderson Flores representou o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina e destacou a importância da união de esforços. “Este acordo entre os Poderes para o enfrentamento do feminicídio consolida um novo patamar de articulação institucional, pois, em vez de atuarmos isoladamente, passamos a agir de forma conjunta. Reforça a urgência de respostas coordenadas e efetivas”, avaliou.

O Juiz Cooperador Técnico da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, Marcelo Carlin, representou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. “Quem sabe, com as instituições unidas, possamos construir um mapa da prevenção, da atenção, da orientação, do atendimento, do acolhimento e da reparação para essas famílias vítimas. E isso só é possível com o trabalho em rede”, considerou.

A deputada estadual Luciane Carminatti representou a Assembleia Legislativa de Santa Catarina e trouxe à tribuna casos em que houve demora na adoção de soluções para um problema tão urgente como a violência contra a mulher. “Não é uma lei que resolve, não é uma arma na cintura que resolve, não é uma medida isolada. Essa complexidade exige de todos nós o compromisso de abraçar a causa”, avaliou.

A vice-governadora do Estado de Santa Catarina, Marilisa Boehm, reforçou a importância do Mapa do Feminicídio no enfrentamento ao problema. “Nenhum esforço isolado resolve uma questão dessa complexidade. É a união entre instituições que faz a diferença de verdade. O Mapa do Feminicídio é mais do que um instrumento técnico: é uma ferramenta de consciência coletiva. Ele nos obriga a olhar para a realidade sem desviar e, a partir disso, agir com ainda mais firmeza. Seguimos firmes, unindo esforços e responsabilidades para que nenhuma mulher fique desamparada”, destacou.

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC