Mais de 500 professores de Chapecó, Cordilheira Alta e Nova Erechim participam de formação sobre violência contra a mulher
Capacitar educadores para a prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres nas escolas foi o objetivo de nove formações promovidas neste segundo semestre pela Rede de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência (RAM) para mais de 500 professores da rede estadual de ensino dos municípios de Chapecó, Cordilheira Alta e Nova Erechim. Essa foi a segunda etapa de um ciclo de formações que teve início em março deste ano.
Coordenada pela 14ª Promotoria de Justiça de Chapecó e pelo Conselho Municipal de Direitos da Mulher (CMDM), a RAM conta com a parceria da Rede Catarina da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e do Núcleo de Educação e Prevenção às Violências na Escola (NEPRE) da Secretaria de Estado da Educação.
O Promotor de Justiça Simão Baran Junior explica que, na primeira fase da capacitação foram trabalhados tópicos sobre gênero e as raízes históricas e sociais sobre a violência contra a mulher. Já nessa segunda etapa foram abordadas as diversas leis existentes sobre a obrigação de se trabalhar esse conteúdo em sala de aula.
"Também trouxemos diversos exemplos de como esse tema pode ser colocado dentro da sala de aula, em todos os níveis de ensino. Com isso, os professores tiveram um bom panorama do tema prevenção da violência contra a mulher na escola. Ficamos felizes em ter atingido nosso objetivo principal: trazer conteúdo de qualidade e em profundidade para se trabalhar esse tema na sala de aula", enfatizou.
Roberta Cajaseiras, vice-presidente do CMDM e uma das palestrantes desta etapa, ressalta a importância do debate sobre o tema porque muitas vezes a escola é o único lugar onde os jovens poderão aprender sobre igualdade de gênero e onde podem procurar ajuda se necessário.
"Se a escola se abstém da responsabilidade dessa formação para a cidadania, quem assumirá esse papel? Cabe à escola ser esse lugar de informação e debate. A participação ativa dos docentes nos debates e nas duas etapas de encontros presenciais refletem os resultados qualitativos dessa ação. Agora, a intenção é ampliar a oferta da formação para os professores de ensino médio das redes federal e privada, garantindo que todos os
jovens tenham acesso ao debate sobre igualdade de gênero ainda na educação básica", ressaltou.
A professora Ariane Lucietto, da Escola de Educação Básica Marechal Bormann, que participou do encontro de encerramento na última semana de outubro, acredita que a violência de gênero é um tema muito relevante e que precisa ser discutido na escola e nas famílias.
"A formação trouxe muitos subsídios para os professores pensarem nas suas ações, desde o conhecimento das leis, o papel da mulher historicamente constituído, papel de gênero, aumento da violência, dados estatísticos. Foram apontados caminhos para a prevenção, sugestões de filmes e séries, letras de música e outras atividades que certamente vão auxiliar os professores no planejamento das atividades", disse.
Você sabia que falar sobre violência contra a mulher nas escolas é lei?
Em 2021, foi promulgada a Lei n. 14.164, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A norma dispõe que a prevenção da violência contra a mulher deve ser incluída nos currículos da educação básica. O objetivo é incentivar a reflexão de alunos e profissionais da educação sobre a prevenção e o combate a esse tipo de violência.
Além disso, conforme a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como Convenção de Belém do Pará, de 1994, os estados devem adotar, progressivamente, medidas para promover o conhecimento e a observância do direito da mulher a uma vida livre de violência e com respeito e proteção aos seus direitos humanos.
Devem ser pensados também programas para modificar os padrões sociais e culturais de conduta de homens e mulheres, a fim de combater preconceitos e costumes e todas as outras práticas baseadas na premissa da inferioridade ou superioridade de qualquer dos gêneros ou nos papéis estereotipados para o homem e a mulher que legitimem ou exacerbem a violência contra a mulher.
Últimas notícias
09/03/2026Faixa do Protocolo "Não é Não" esteve presente na final do Campeonato Catarinense de Futebol
09/03/2026MPSC recomenda providências para garantir acessibilidade a cadeirantes em rua de Florianópolis
09/03/2026MPSC reforça prática de doação do Imposto de Renda para Fundos de Direitos
09/03/2026MPSC obtém sentença definitiva que determina distribuição de fórmulas nutricionais a crianças com alergia alimentar em São Bento do Sul
09/03/2026STF confirma constitucionalidade do modelo de assessoramento do MPSC
09/03/2026MPSC doa cinco motos e oito kits de equipamentos para Polícias Militar, Civil e Penal
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
26/01/2026Acordo firmado pelo MPSC, IMA e Seara garante fim do lançamento de efluentes no Riacho Santa Fé e destina R$ 5 milhões para projetos ambientais em Itapiranga
19/11/2025MPSC firma acordo para regularizar lei que trata das chácaras rurais em Xanxerê
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/11/2025MPSC atua em municípios atingidos por tornado no Oeste