MPSC ajuíza ação para garantir medicamento essencial a adolescente com doença rara em Itajaí

Ação civil pública busca assegurar fornecimento imediato de terapia enzimática indispensável ao tratamento de mucopolissacaridose tipo I, após negativa administrativa do poder público. 

15.01.2026 15:47
Publicado em : 
15/01/26 06:47

A interrupção de um tratamento iniciado ainda na infância mudou drasticamente a rotina e a saúde de uma adolescente que vive em Itajaí e enfrenta uma doença genética rara, progressiva e potencialmente incapacitante. Diagnosticada com mucopolissacaridose tipo I, condição que provoca o acúmulo de substâncias tóxicas no organismo e compromete diversos órgãos, a jovem teria tido o acesso ao medicamento essencial negado pelo Estado mesmo diante do agravamento do quadro clínico e do risco de danos irreversíveis. 

 
Diante da gravidade da situação, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Itajaí, ajuizou uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência para garantir o fornecimento imediato do medicamento Aldurazyme (laronidase), utilizado na terapia de reposição enzimática, tratamento indispensável para conter a progressão da doença e preservar a qualidade de vida da paciente. 

 
A mucopolissacaridose tipo I é uma doença rara de origem genética que afeta o metabolismo e pode causar dores intensas, dificuldades de locomoção, comprometimento da visão, alterações ósseas e prejuízos neurológicos. Sem o tratamento adequado, o quadro evolui de forma progressiva, com impacto direto na autonomia e na dignidade da pessoa acometida. 

 
De acordo com os autos, a adolescente já realizava a terapia de forma contínua desde os sete meses de idade, com acompanhamento médico especializado, enquanto residia no Estado do Amazonas. No entanto, após a mudança para Itajaí, em janeiro de 2025, o tratamento deixou de ser fornecido, apesar de sua continuidade ser considerada essencial pelos profissionais de saúde. 

 
A situação se agravou nos últimos meses. Conforme laudos médicos e estudo social anexados ao processo, a adolescente passou a apresentar dores generalizadas, náuseas, dificuldade para caminhar e perda total da visão, atribuída à interrupção da medicação. O medicamento é considerado fundamental, inclusive, para viabilizar uma futura cirurgia ocular reparadora. 

 
A família buscou administrativamente o fornecimento do fármaco junto à Secretaria de Estado da Saúde, mas o pedido teria sido negado em dezembro de 2025, sob alegação de entraves burocráticos e suposto descumprimento de critérios técnicos. A negativa desconsiderou, segundo o MPSC, o histórico clínico da paciente, a eficácia comprovada do tratamento e o fato de se tratar de uma terapia já consolidada e iniciada em outro estado. 

 
Outro fator relevante é a condição socioeconômica da família, que vive em situação de vulnerabilidade. A renda familiar é proveniente de benefícios assistenciais, incluindo o Benefício de Prestação Continuada, o que torna inviável o custeio particular de um medicamento de alto custo, necessário de forma contínua. 

 
Na ação, o Ministério Público requer que o Estado de Santa Catarina e o Município de Itajaí sejam obrigados a fornecer o medicamento no prazo de 48 horas, diante da urgência do caso, além da condenação definitiva ao fornecimento contínuo da terapia. O pedido está fundamentado em precedentes do Supremo Tribunal Federal que reconhecem a responsabilidade solidária dos entes federativos na garantia do direito à saúde, inclusive para medicamentos não incorporados às listas do SUS, quando os critérios legais forem preenchidos. 

 
Para a Promotora de Justiça Micaela Cristina Villain, a atuação do Ministério Público busca assegurar a efetividade de um direito fundamental. “Estamos falando de uma adolescente com uma doença rara e progressiva, que já sofreu perdas severas em razão da interrupção do tratamento. Garantir o acesso imediato à medicação é uma medida indispensável para proteger a saúde, a dignidade e a própria vida dessa jovem”, salientou.  

 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC/ Correspondente Regional em Blumenau