Seminário destaca novos desafios da investigação de crimes virtuais

Em evento promovido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), especialistas apontam desafios na identificação de autores, produção de provas digitais e uso de tecnologia no combate à criminalidade online.

26.03.2026 16:24
Publicado em : 
26/03/26 20:27

“O ambiente digital deixou de ser apenas um meio e passou a ser, em muitos casos, o próprio cenário do crime”. Foi assim que o Coordenador Estadual do GAECO, Promotor de Justiça Wilson Paulo Mendonça Neto abriu o Seminário Meios de Investigação no enfrentamento aos crimes virtuais. O evento foi promovido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) com o apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) nesta quinta-feira (26/03) em formato híbrido.  

O Seminário tem o objetivo de difundir conhecimento prático, compartilhar experiências concretas e aproximar os operadores do sistema de justiça das ferramentas tecnológicas que já  disponíveis — e que continuarão a evoluir rapidamente.  

Ao abrir o evento o Coordenador do GAECO destacou a evolução da criminalidade. “As investigações já não se limitam ao espaço físico: transitam por redes, plataformas, fluxos de dados e ambientes virtuais que exigem conhecimento técnico, atualização constante e integração entre áreas jurídica e tecnológica”. Mendonça Neto reforçou que o GAECO, como braço especializado no enfrentamento ao crime organizado, tem acompanhado e se preparado constantemente para esses cenários.  

Ao encerrar, o Coordenador Estadual do GAECO lembrou que o seminário representa também uma postura institucional clara: “a de que o Ministério Público de Santa Catarina, sob a gestão da atual Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, está atento às transformações da sociedade, disposto a aprender,  evoluir e utilizar, de forma ética e responsável, todas as ferramentas legítimas disponíveis para proteger a ordem jurídica, os direitos fundamentais e a própria democracia”. Wilson destacou a postura firme da PGJ. “A condução da Procuradora-Geral tem sido marcada por um espírito institucional moderno, aberto ao diálogo, à inovação e à incorporação responsável de novas tecnologias como instrumentos legítimos e necessários à atividade investigativa”. 

Representando a Procuradora-Geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, que cumpre agenda em Brasília, o Subprocurador-Geral para Assuntos Jurídicos e Coordenador-Geral do GAECO, Andreas Eisele deu as boas-vindas aos presentes e destacou a relevância da temática. “Nos crimes virtuais, enfrentamos dificuldades ainda maiores: além de prevenir, é mais difícil identificar os autores e alcançá-los. A produção de prova digital exige tecnologia avançada, conhecimento especializado e um trabalho minucioso para transformar grandes volumes de dados em informações úteis para cada caso. O grande desafio é traduzir esses dados de forma simples, para que o juiz compreenda a prova sem precisar de conhecimento técnico — porque a boa prova é aquela que é clara”, disse.  

Mais de 200 pessoas participaram do evento, de forma presencial e virtual. Além de membros do MPSC, integrantes da força-tarefa, Policiais Civis e Militares do Estado, o evento contou com participantes de Ministérios Públicos dos Estados do Paraná, Pará, Mato Grosso do Sul, entre outros.  

 

Programação focada na atuação das Promotorias de Justiça 

A programação do evento começou com a palestra “A importância da inovação e da tecnologia aplicada no combate à criminalidade digital”, ministrada por Rafael Velasque Saavedra da Silva, CEO da TechBiz Forense Digital, com mediação do Promotor de Justiça Renato Maia de Faria. 

Em seguida, o tema abordado foi “Inteligência de Fontes Abertas (OSINT): uso de dados públicos para investigação”, com palestra do Delegado de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Emerson Wendt, e mediação da Promotora de Justiça Marcela Pereira Geller.  

No período da tarde, a programação foi retomada com a palestra “Inteligência Artificial na Meta para Segurança Online: detecção de padrões de abuso, aplicação de políticas e cooperação com autoridades”, apresentada por Dario Campregher Neto, gerente de relacionamento com autoridades e investigações criminais da Meta, com mediação do Promotor de Justiça Edisson de Mello Menezes. 

Na sequência, foi realizada a palestra “Repressão à pornografia infantil: experiência prática”, ministrada pela Promotora de Justiça Bianca Andrighetti Coelho, com mediação da Procuradora de Justiça Heloisa Crescenti Abdalla Freire.  

Já encaminhando para o final,  “Investigações cibernéticas: estratégias, desafios e boas práticas”, foi o tema da palestra conduzida pelo Delegado de Polícia Civil do Estado do Piauí, Alesandro Gonçalves Barreto, com mediação da Promotora de Justiça Daniela Bock Bandeira. 

 Encerrando o ciclo de palestras,  foi apresentado o tema “Cadeia de custódia específica das provas digitais à luz da jurisprudência atual”, pelo Promotor de Justiça do MPRJ Sauvei Lai, com mediação do Procurador de Justiça Gercino Gerson Gomes Neto.

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC