Decisão liminar proíbe obras e novas licenças em área de preservação permanente em Iomerê
Cuidar do meio ambiente é uma das funções do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), para garantir o equilíbrio ecológico e o bem-estar desta e das futuras gerações. No final de maio, a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Videira ajuizou uma ação civil pública para proteger uma área de preservação permanente de 19.553 metros quadrados coberta pelo bioma Mata Atlântica em Iomerê, no Meio-Oeste. O local estaria sendo sistematicamente afetado por intervenções ilegais de empresas e pessoas físicas, com a anuência do Município.
Alguns pedidos liminares presentes na ação foram atendidos pelo Poder Judiciário, e construções e ampliações que estavam sendo feitas em imóveis registrados sob cinco matrículas diferentes têm que ser paralisadas. Quem desobedecer a essa ordem judicial terá que pagar uma multa diária de R$ 15 mil.
Já o Município de Iomerê está proibido de emitir licenças ou autorizações para a realização de novas obras no local e deve reforçar a fiscalização para impedir atividades que venham a afetar a área de preservação permanente, podendo pagar R$ 150 mil de multa por cada nova intervenção que venha a ocorrer por omissão.
O Promotor de Justiça Gustavo Moretti Staut Nunes diz que a decisão representa um passo firme na proteção de um dos biomas mais ameaçados do país. "Preservar a Mata Atlântica é garantir a qualidade de vida das próximas gerações, proteger a biodiversidade e respeitar a legislação ambiental. A determinação judicial reafirma que proteger a natureza é lei e que quem agride as áreas de preservação permanente sujeita-se a sofrer as consequências", diz.
No mérito da ação, o MPSC requer, ainda, a demolição de todas as construções irregulares e a destinação correta dos entulhos, a recuperação de todas as áreas degradadas e o pagamento de R$ 16.844.709,29 em indenizações por edificações que venham a ser mantidas e por dano extrapatrimonial coletivo.
Relembre o caso
Uma comparação entre imagens feitas por satélite em 2009 e 2024, respectivamente, mostraria a modificação ocorrida na área ao longo desses 15 anos devido à intervenção humana. As irregularidades envolveriam, em síntese, o corte de vegetação nativa, movimentações de solo e a destruição de nascentes e córregos, atingindo espécies ameaçadas de extinção.
Segundo a denúncia, uma empresa ligada à construção civil teria ampliado sua área útil e construído estradas em áreas preservadas sem as devidas licenças, impedindo a regeneração natural da vegetação nativa, além de canalizar um curso d'água e implantar um açude ilegalmente. Já uma empresa de laminados plásticos teria operado sem licença ambiental. Além disso, uma administradora de imóveis teria derrubado espécies em extinção, como o pinheiro-brasileiro e o xaxim, para abrir espaço para a edificação de casas e a instalação de containers. Por fim, pessoas que adquiriram, herdaram ou alienaram imóveis também teriam invadido áreas preservadas para realizar atividades diversas.
A ação civil ressalta que tanto as empresas quanto as pessoas físicas "demonstram descaso completo com as autuações feitas pelos órgãos ambientais, promovendo massivas intervenções em área de preservação permanente e danificando vegetação nativa ao longo de anos, descumprindo até mesmo termos de compromisso firmados na esfera administrativa".
Últimas notícias
13/02/2026GEDDA do MPSC reforça obrigatoriedade de perícias em crimes envolvendo animais vítimas de maus-tratos
13/02/2026Professor de música que abusou de alunas é condenado após ação do MPSC no Sul do estado
13/02/2026MPSC denuncia pai por sequestro, feminicídio e ocultação de cadáver de adolescente em Itajaí
13/02/2026GAECO deflagra Operação Infantius e desmantela rede digital de exploração sexual infantojuvenil em SC
13/02/2026CyberGAECO: Dois presos na Operação Infantius têm prisão preventiva decretada
13/02/2026MPSC apresenta denúncia contra casal por estelionatos em Palhoça
Mais lidas
17/10/2025MPSC, Prefeituras e Câmaras Municipais da Comarca de Chapecó firmam protocolo de boas práticas e combate à corrupção
03/12/2025AVISO DE PAUTA: 2ª PJ de Presidente Getúlio realiza Encontro Intermunicipal das Redes de Proteção da Comarca
18/12/2025Lei 15.280/25 amplia proteção a vítimas de crimes contra a dignidade sexual e impacta atuação do MPSC
11/12/2025Acordo do MPSC com rede educacional particular garante bolsas de estudo para alunos carentes e R$ 250 mil para projetos de interesse da sociedade
23/10/2025Clínica clandestina em Itapoá é fechada após denúncia
19/01/2026Promotorias de Justiça acompanham investigações de maus-tratos que levaram cão à morte em Florianópolis