CyberGAECO intensifica operações e avança no combate à exploração sexual infantil em Santa Catarina

Em seis meses, operações resultaram em prisões, apreensões e coleta de provas digitais. 

31.03.2026 14:27
Publicado em : 
31/03/26 05:27

O enfrentamento aos crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente digital tem ganhado reforço em Santa Catarina com o CyberGAECO, grupo especializado que integra o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Com o uso de tecnologia e inteligência cibernética, o CyberGAECO atua na identificação de suspeitos, na coleta de evidências digitais e no apoio a investigações em todo o estado. 

Apenas nos últimos seis meses, o CyberGAECO intensificou as ações voltadas aos crimes de pedofilia, que geralmente ocorre de forma silenciosa e oculta no ambiente virtual, mas causa impactos profundos e duradouros nas vítimas. 

Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, foram realizadas oito operações com foco no combate à exploração sexual infantojuvenil. As ações resultaram no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão, cinco prisões em flagrante e um mandado de prisão, além do registro de um termo circunstanciado. Também foram apreendidos diversos equipamentos eletrônicos utilizados na prática criminosa, como 12 computadores, 15 celulares, seis notebooks, 20 HDs/SSDs, 16 mídias eletrônicas e sete pendrives.  

Para o Coordenador Estadual do GAECO, Promotor de Justiça Wilson Paulo Mendonça Neto,"a atuação no ambiente virtual é essencial para identificar agressores, interromper a circulação de conteúdo ilícito e assegurar a produção de provas digitais qualificadas. Trata-se de uma resposta institucional firme, voltada à proteção integral das vítimas e à responsabilização efetiva dos autores, diante de crimes silenciosos, mas de extrema gravidade social.” 

O Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação do MPSC, Promotor de Justiça Mateus Minuzzi Freire da Fontoura Gomes, fala sobre a importância de pais e responsáveis ficarem atentos ao que os filhos consomem nos ambientes virtuais. A informação e o diálogo são ferramentas essenciais para combater o abuso e a violência sexual de crianças e adolescentes. “Os responsáveis pelos cuidados de crianças e adolescentes - sejam pais, professores, profissionais da saúde, e demais atores da rede de proteção - precisam ter um olho vivo sobre o uso da internet e as portas que se abrem para o aliciamento sexual. Muitas vezes, questiona-se por que a criança ainda não contou que o abuso aconteceu. Na maioria dos casos, a verdadeira pergunta é porque ninguém escutou. São diversos os sinais que se acumulam. Romper o silêncio, por meio do apoio dos adultos, é o único meio de garantir a mudança”, afirma. 

 

ECA Digital 

Redes sociais, aplicativos, jogos e chats privados podem se tornar ambientes de aliciamento, sextorsão, compartilhamento indevido de imagens e até pornografia infantil. A chamada “adultização precoce”, provocada pela exposição a conteúdos sexualmente sugestivos, também preocupa especialistas e autoridades.  

Para enfrentar esse cenário, foi sancionada recentemente a Lei n. 15.211/2025, conhecida como “ECA Digital”, uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente voltada à proteção no ambiente virtual. A nova lei estabelece regras claras para plataformas digitais, como verificação de idade confiável (não apenas por autodeclaração), controle de acesso a conteúdo impróprios, remoção rápida de materiais abusivos, proteção de dados de menores e publicidade digital adequada.  

O Ministério Público de Santa Catarina tem um papel central na defesa do ECA Digital, promovendo políticas públicas, articulando redes de proteção e cooperando com órgãos de segurança e entidades da sociedade civil. 

Saiba mais sobre o ECA Digital aqui. 

 

Denuncie 

Em caso de suspeita de violência ou exploração sexual contra crianças ou adolescentes, é fundamental denunciar. Alguns dos canais disponíveis são o Disque 100, o Disque 127 e a Promotoria de Justiça mais próxima. 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC