“Pulmão limpo, futuro brilhante” conclui primeira edição com relatos de conscientização e mudança de comportamento em Pomerode
Ciclo socioeducativo reuniu adolescentes e familiares para refletir sobre riscos à saúde e consequências legais do uso de cigarros eletrônicos.
A primeira edição do projeto “Pulmão limpo, futuro brilhante” se encerrou nesta sexta-feira (20/2) em Pomerode com um evento que reuniu familiares, convidados dos participantes, integrantes da rede de proteção e autoridades. A conclusão do projeto aconteceu no auditório do Tribunal do Júri do Fórum do município.
Ao longo de seis encontros, 11 adolescentes participaram de atividades reflexivas e educativas sobre os riscos do uso de cigarros eletrônicos. A iniciativa surgiu após a 1ª Promotoria de Justiça identificar o aumento do número de registros envolvendo entrega, receptação e consumo dos dispositivos, especialmente no ambiente escolar, o que levou a instauração de um procedimento e a parceria com outros órgãos da rede de proteção.
A Promotora de Justiça Rejane Gularte Queiroz Beilner avaliou o projeto. “O resultado foi extremamente positivo. A devolutiva dos adolescentes foi inspiradora para nós", disse.
A programação de encerramento, nesta sexta-feira, contou com uma palestra da pneumologista Caroline Uber e com a apresentação dos relatórios produzidos pelos participantes ao longo do percurso formativo, iniciado em novembro do ano passado. Com olhares atentos, os jovens e seus familiares acompanharam a palestra. Caroline reforçou os riscos do uso de dispositivos eletrônicos para fumar, especialmente entre adolescentes, em fase de desenvolvimento.
Ela falou sobre os hormônios, principalmente a dopamina – conhecido como o hormônio do prazer. “O cigarro consegue liberar uma carga de dopamina 150 vezes acima do normal, então ela faz um pico. É por isso que, quando a pessoa fuma, se sente muito bem. Demora de sete a 19 segundos para a nicotina chegar no cérebro. É muito rápido. O cérebro já está inundado de dopamina. É uma quantidade muito absurda, 150 vezes acima do normal, e isso se sustenta, mas por pouco tempo, e isso decai. Quando cai, o fumante pensa: ‘Eu preciso disso de novo, eu tenho que sentir essa sensação de novo. É muito gostoso. Meu cérebro precisa de mais’. Então se acende o segundo cigarro, e assim está criado o ciclo”, explicou. “Isso também acontece com outras coisas, como açúcar, comidas ultraprocessadas e até as redes sociais em excesso”, disse, ao comparar o cigarro com outras formas de prazer que parecem “inofensivas” no dia a dia.
Antes de encerrar, a pneumologista destacou: “Todos os vícios que temos dão uma bagunçada nas nossas emoções. Por isso, cuidem das suas emoções e tenham escolhas saudáveis”.
Informação e diálogo com as famílias
Emocionados, os jovens compartilharam as transformações percebidas ao longo do ciclo. A jovem L.G. falou sobre o que aprendeu: “Os malefícios do cigarro eletrônico podem ser vários. Pode trazer problemas no pulmão por meio de problemas respiratórios. A nicotina, por exemplo, afeta a concentração, a memória, controle emocional. Muitos adolescentes usam o vape como uma forma de escapar de problemas, só que não imaginam o risco que traz à saúde”, disse.
“Eu gostei bastante de participar do projeto porque eu aprendi que o cigarro causa de mal, o que que vicia, quais as doenças que ele causa”, disse o jovem D.C.
Para as famílias, o projeto abriu espaço para diálogo e orientação. “É um aprendizado novo. Eles veem o que aconteceu ao fumar o cigarro eletrônico e aí eles podem escolher o caminho correto”, disse V.G., pai do adolescente G.C.
M.G., mãe da jovem L.G., também achou importante a iniciativa. “Primeiro de tudo, porque tem muita coisa que a gente, como mãe e pai, não consegue transmitir. Uma coisa que eu aplico muito na minha filha que são as consequências dos atos que ela escolhe, então o projeto veio em benefício ao que eu já vinha ensinando a ela. Ver a dedicação dela e ela correndo atrás para aprender os malefícios eu acho que foi muito importante”, relatou.
Ao final, os jovens plantaram árvores no jardim do Fórum de Pomerode. O gesto simbólico representa o cuidado com as novas gerações e o respeito ao meio ambiente.
Percurso de reflexão e responsabilização
Estruturado como uma medida socioeducativa, o projeto buscou estimular a responsabilização e promover reflexão crítica sobre práticas proibidas no Brasil pela Resolução da Diretoria Colegiada n. 46/2009 da Anvisa, proibição mantida em 2022. O Estatuto da Criança e do Adolescente também veda a venda e o fornecimento a menores de produtos capazes de causar dependência física ou psíquica.
Ao longo das atividades, os adolescentes participaram de encontros com profissionais da saúde e da assistência social. O primeiro, por exemplo, contou com a participação do médico pediatra Sthevan Bernardon, convidado para apresentar explicações técnicas sobre os impactos do cigarro eletrônico no organismo. Integrantes das Secretarias de Assistência Social e da Saúde também conversaram com os adolescentes.
Além das palestras, os jovens participaram de uma visita ao Laboratório de Anatomia da FURB (Universidade Regional de Blumenau), ampliando a compreensão sobre os impactos físicos relacionados ao uso dos chamados “vapes”.
Para encerrar o projeto, "eles tiveram oportunidade de dar brevemente o seu relato pessoal a respeito do que mais os tocou no decorrer das atividades e ainda ouviram a médica pneumologista Caroline Uber. Nós sentimos que plantamos uma bela semente no coração desses adolescentes e materializamos essa semente com um plantio de mudas no jardim do Fórum de Pomerode, que foi feito pelos próprios adolescentes no final da tarde de hoje", disse a Promotora de Justiça.
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