As representantes do NAVIT de Joinville trataram também da evolução da Lei Maria da Penha nos últimos anos. Maria Madalena lembrou que "a lei foi criada em 2006 após a condenação do Brasil pela Organização dos Estados Americanos por negligência no caso de Maria da Penha Maia Fernandes. A lei passou por importantes atualizações entre 2023 e 2025".
Ela citou que, entre as alterações da norma, estão a permissão para concessão de medidas protetivas sem boletim de ocorrência, a garantia de que o depoimento da vítima tenha valor processual, o auxílio-aluguel para vítimas em situação de vulnerabilidade, com duração de até seis meses, prorrogável, e a prioridade no atendimento à mulher no SUS e no sistema de segurança pública.
"Ainda entre as mudanças legislativas estão o aumento, em 2024, da pena para o descumprimento de medidas protetivas e a tipificação do feminicídio como crime autônomo, com penas que podem chegar a 40 anos, o agravamento da pena para violência psicológica praticada com uso de inteligência artificial, entre outras", exemplificou.
A palestra também trouxe para o debate o papel das ferramentas digitais, como o aplicativo Maria da Penha Virtual, o Botão do Pânico e canais de denúncia via WhatsApp, que oferecem agilidade e sigilo às vítimas. Além disso, foram apresentados programas como os Grupos Reflexivos para Agressores e o Painel Nacional de Dados, que visam não apenas punir, mas também prevenir e educar.
Os casos de feminicídio também preocupam em Santa Catarina. Foram 51 ocorrências em 2024 e 29 nos primeiros sete meses de 2025, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Apesar da gravidade dos números, apenas 39% das vítimas registraram boletim de ocorrência, o que evidencia a necessidade de ampliar a conscientização e o acesso à informação.
O encerramento da palestra reforçou que a transformação vai além das leis. "A mulher pode estar onde ela quiser, com segurança, quando o mundo entende que ela não precisa ser valente para viver, mas livre". A frase resume o compromisso do núcleo e do MPSC com a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres. A mensagem final foi clara: não se cale. Denuncie. A luta por uma vida livre de violência é coletiva, institucional e cultural.
NAVIT
O NAVIT de Joinville tem se consolidado como uma importante estrutura de apoio às vítimas de violência na região Norte do estado. Oferece atendimento especializado e humanizado, com canais diretos como telefone, WhatsApp e e-mail, facilitando o acesso à ajuda às vítimas de violência. Funciona em uma sala no terceiro andar do Fórum da comarca, situado na avenida Hermann August Lepper, n. 980, e atende municípios de toda a região Norte catarinense. O núcleo oferece um espaço acolhedor, reservado e com profissionais do Serviço Social e do Direito.
As vítimas de crimes são acolhidas de forma humanizada e com escuta especializada. Após a análise dos casos de forma individualizada, são feitos os devidos encaminhamentos, seja para a solicitação de medidas protetivas de urgência, divórcio, partilha de bens, regularização de visitas dos filhos, seja para atendimento psicológico, CRAS, CREAS e Conselho Tutelar, para possível cadastro visando à concessão de benefícios assistenciais.
Além do NAVIT, o MPSC disponibiliza a Ouvidoria da Mulher pelo número 127. Há, ainda, os canais tradicionais, como 190 (Polícia Militar), 194 (Polícia Federal) e 180 (Central de Atendimento à Mulher).