Dia do Meio Ambiente: mais de 11 mil danos ambientais foram alvos de ações do MPSC no último ano
Em 2018, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou mais de 11 mil ações na área do meio ambiente, o que representa um acréscimo em quase mil processos em relação ao ano anterior. As estatísticas demonstram uma atuação cada vez mais forte da Instituição na defesa desse bem, mas também alertam para a necessidade de uma maior conscientização. Neste dia 5 de junho, em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, o MPSC convida você para refletir sobre o tema.
A defesa do meio ambiente faz parte das atribuições do Ministério Público porque representa um direito difuso, isto é, que pertence a todos, inclusive às próximas gerações. "O ambiente equilibrado é um direito que pertence a toda a coletividade, de maneira indistinta. Para a preservação do meio ambiente, é fundamental que a população informe os órgãos de proteção sempre que tiver conhecimento de infrações ambientais, possibilitando, assim, a responsabilização dos seus autores", afirma a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, Promotora de Justiça Luciana Cardoso Pilati Polli.
As consequências de um crime ambiental podem prejudicar várias gerações, por isso é necessário responsabilizar civil e criminalmente aqueles que o cometem. Essa punição é feita com base na Lei de Crimes Ambientais (Lei n. 9/1998), que define a responsabilidade das pessoas físicas e jurídicas, o que permite que empresas também sejam responsabilizadas pelos danos que seus empreendimentos causam à natureza. Essa punição pode ser em forma de multa, prestação de serviços à comunidade, suspensão de atividades ou até prisão dos envolvidos.
Em sua atuação ao longo de 2018, o MPSC ajuizou 2.713 ações civis na área do meio ambiente, buscando o pagamento de indenização à sociedade ou a reparação do dano causado. Já na área criminal, que prevê punição penal, foram ajuizadas 7.950 ações em crimes contra o meio ambiente e o patrimônio genético - o conjunto de informações genéticas contidas nas plantas, animais e microrganismos do território nacional - e mais 413 relacionadas ao parcelamento do solo urbano. Os dados são do Relatório Anual da Corregedoria-Geral do MPSC.
As ações envolvem crimes contra a fauna, como a caça, a pesca, a comercialização sem autorização e os maus-tratos de animais, e contra a flora, como o dano a áreas de preservação permanente, a soltura de balões e a extração ou aquisição de madeira e outros produtos de origem vegetal sem autorização. Além disso, também é crime ambiental causar poluição de qualquer natureza em níveis que resultem em danos à saúde humana e de animais ou em destruição da flora.
Como o meio ambiente é compreendido como todo o espaço que permite o convívio e o desenvolvimento humano em harmonia com os recursos naturais, crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural, como a destruição de museus e bibliotecas, também são tipificados na Lei de Crimes Ambientais e entram nas ações do MPSC. Por fim, são denunciadas atividades que prejudiquem a administração ambiental, ou seja, que dificultam ou impedem que o Poder Público exerça a sua função fiscalizadora e protetora do meio ambiente.
Em 2018, o MPSC também atuou em cerca de 3 mil investigações na área cível e 12 mil na área criminal. Além de realizar investigações e ajuizar ações, a instituição ainda firmou termos de ajustamento de conduta (TAC), acordos extrajudiciais com a intenção de comprometer o responsável a restaurar o que foi destruído, gerando maior agilidade e eficiência na resolução do problema. No último ano, 88 TACs foram firmados na área do meio ambiente.
Rádio mpsc no dia mundial do meio ambiente
O Dia Mundial do Meio Ambiente tem como finalidade apoiar e estimular a participação da comunidade na preservação do patrimônio natural do país. Para que essa convivência seja harmoniosa, a atuação do Ministério Público é fundamental. A série "De Olho no Meio Ambiente", produzida pela rádio do Ministério Público de Santa Catarina, entrevistou cinco Promotores de Justiça, com o objetivo de entender e discutir temas fundamentais na boa relação do meio ambiente com a expansão urbana. Conversamos sobre saneamento básico, licenciamentos municipais ambientais, Mata Atlântica, atitudes do cotidiano e agropecuária. Tudo isso para que a ideia de preservação ambiental seja cada vez mais difundida.
Clique nos temas e ouça as entrevistas:
- Licenciamento municipal ambiental , com a Promotora de Justiça Luciana Cardoso Pilati Polli
- Mata Atlântica , com a Promotora de Justiça Ana Paula Destri Pavan
- Saneamento Básico , com a Promotora de Justiça Márcia Bittencourt
- Agropecuária e preservação ambiental , com o Promotor de Justiça Antônio Junior Brigatti Nascimento
- Atitudes do cotidiano, com a Promotora de Justiça Luísa Zuardi Niencheski
ART. 225
SAIBA MAISTodos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
atUAÇÃO DO MPSC
Para proteger o meio ambiente, o MPSC tem mais de 70 Promotores de Justiça atuando em todo o estado catarinense, inclusive com Promotorias de Justiça especializadas. Essa proteção envolve não apenas a natureza, mas também a preservação paisagística e cultural, a coexistência pacífica e equilibrada da espécie humana com os demais seres vivos, a ocupação do solo urbano e rural e o desenvolvimento sustentável - aspectos que, juntos, contribuem para uma maior qualidade de vida de toda a sociedade.
O MPSC conta, ainda, com o suporte do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CME), que é responsável por orientar, auxiliar e facilitar a atuação dos Promotores de Justiça da área. O CME coordena programas como o "Lixo Nosso de Cada Dia", que trabalha em medidas para a destinação correta do lixo doméstico do estado, e o "Saneamento Básico", que busca apurar as responsabilidades do baixo índice de saneamento de Santa Catarina e auxiliar na reversão desse quadro.
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