Operação Entre Lobos III apura ocultação de patrimônio e obstrução de Justiça 

A nova fase da investigação apura, em apoio à Promotoria de Justiça de Modelo, suposta manobra para esconder patrimônio com objetivo de dificultar bloqueios judiciais. Uma pessoa foi presa.

23.09.2026 08:13
Publicado em : 
23/09/26 08:13

Na manhã desta quarta-feira (23/09), em apoio à Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação Entre Lobos III, nova etapa de uma investigação que apura crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, associação criminosa e obstrução de Justiça. Uma pessoa foi presa em Chapecó.

A atual fase da operação apura fatos que teriam ocorrido após o cumprimento das medidas judiciais da primeira etapa da investigação. De acordo com as apurações, processos e créditos judiciais vinculados ao escritório alvo da operação teriam sido transferidos para outra sociedade de advocacia do mesmo ramo na tentativa de ocultar patrimônio atingido pelas restrições judiciais e manter a movimentação de valores. Documentos, planilhas e outros registros apreendidos durante as diligências indicariam que os processos e os valores vinculados ao acervo transferido continuaram sendo acompanhados pelos envolvidos.

Com base nos elementos apurados, o MPSC denunciou quatro pessoas pelos crimes de obstrução de Justiça, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa.

A Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC) determinou a prisão preventiva de um dos denunciados, identificado nas investigações como líder da organização criminosa. O investigado já havia sido preso durante a primeira fase da Operação Entre Lobos. O novo mandado de prisão foi cumprido em Chapecó, e ele foi encaminhado ao sistema prisional. A decisão também determinou a suspensão do exercício da advocacia.

A decisão judicial também impôs medidas cautelares a outros investigados, incluindo a suspensão do exercício da advocacia, restrições de contato e de acesso aos escritórios investigados, além de outras obrigações processuais.

Também foi determinado o bloqueio e a indisponibilidade de bens, direitos e valores de dois denunciados, em montante superior a R$ 500 mil.

Continuidade das investigações

A Operação Entre Lobos teve início em julho de 2025, com o cumprimento de medidas judiciais em Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas. A investigação apura, em tese, crimes como estelionato contra idosos, organização criminosa, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro.

Em janeiro de 2026, a segunda fase da operação resultou no cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em municípios catarinenses, além do bloqueio de até R$ 9,6 milhões, apreensão de veículos e aplicação de medidas cautelares.

O avanço das investigações indicou que, mesmo após a imposição de restrições judiciais, investigados teriam continuado acompanhando processos e recebimentos relacionados ao acervo transferido. Parte dos registros analisados foi produzida após a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.

Segundo a decisão judicial, os novos elementos apontam indícios de continuidade das práticas investigadas e de descumprimento das medidas impostas anteriormente, fundamentos que embasaram a nova prisão preventiva e outras medidas cautelares adotadas nesta fase da operação.

GAECO

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina e integrada pela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros Militar e Receita Estadual. Sua atuação é voltada à identificação, prevenção e repressão da atuação de organizações criminosas, contribuindo para o fortalecimento da segurança pública em Santa Catarina. 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social