Promotora de Justiça debate direitos das mulheres e enfrentamento à violência doméstica
A atividade integrou a programação alusiva ao Agosto Lilás desenvolvida pelo Ministério Público em Ipumirim, no Oeste do estado.
“Na década de 60, a minha avó quis cursar Direito, mas acabou desistindo em razão de pressão familiar, porque ser advogado era visto como ‘coisa de homem’. Eu trago esse fato para refletir com vocês que ter os nossos direitos no papel muitas vezes não assegura avanços. Quando a sociedade ainda não superou antigas limitações e ainda não traz o valor da igualdade na cultura e no comportamento, muitas vezes nós, mulheres, não conseguimos viver os nossos direitos na prática e conquistar espaços como poderíamos”, destacou a Promotora de Justiça Louise Schneider Lersch em uma palestra ministrada na tarde desta segunda-feira (31/8) em Ipumirim, no Oeste do estado.
Guiada pelo tema “Mulheres que inspiram”, no encontro a Promotora de Justiça Louise Schneider Lersch relembrou fatos marcantes da sua trajetória pessoal e profissional, desde o período do colégio, passando pela universidade e os primeiros estágios, até assumir a titularidade na Comarca de Ipumirim. A atividade foi organizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social no âmbito da campanha Agosto Lilás e reuniu cerca de 60 mulheres no salão do Centro de Convivência de Idosos. Todas as participantes atuam como servidoras nas áreas de assistência social, saúde e educação.
“Eventos como o de hoje são fundamentais para aproximar o Ministério Público da população, para fortalecer a rede de proteção e para indicar caminhos para acolher mulheres vítimas de violência”, disse. Ao longo de uma hora de apresentação, a representante do MPSC compartilhou a história de algumas mulheres da sua família – entre elas, sua bisavó, considerada revolucionária na década de 1920 por ser uma mulher que dirigia, usava calças, tinha corte de cabelo curto e manifestava o desejo de estudar, ações que na época configuravam privilégios exclusivos dos homens.
“É muito fácil esquecermos o quanto fatos que hoje nos parecem corriqueiros até poucas décadas atrás eram impensáveis para as mulheres na sociedade”, ponderou. Para Promotora de Justiça Louise Schneider Lersch, as conquistas alcançadas pela bisavó foram determinantes para permitir que as gerações seguintes das mulheres da família pudessem cursar o ensino superior, ingressar no mercado de trabalho e desenvolver autonomia.
Ela também refletiu sobre direitos conquistados pelas mulheres brasileiras ao longo de gerações e explicou como o Ministério Público atua na prevenção e no enfrentamento da violência contra as mulheres. “Apesar das injustiças que nós vemos, o nosso trabalho pode fazer a diferença e mudar a vida de outras mulheres. Pela primeira vez na Comarca de Ipumirim, temos mulheres simultaneamente à frente do Ministério Público e da Justiça no âmbito local”, declarou.
Uma das participantes do encontrou declarou que anteriormente pensava que a violência contra as mulheres não acontecia em cidade pequena, mas se deu conta de que, “muitas vezes, essa realidade está do nosso lado”. A Promotora de Justiça Louise Schneider Lersch corroborou essa percepção. “Na esfera criminal, a violência doméstica é o tema que predomina entre as demandas que chegam até a Promotoria de Justiça aqui em Ipumirim. Muitas vezes, o tabu e o estigma social em torno desse tema fazem com que a comunidade ao redor não perceba o que está acontecendo. Diante de uma situação conhecida de violência, é fundamental denunciar e buscar ajuda”, esclareceu.
Programação do Agosto Lilás em Ipumirim também contou com palestras nas escolas
Entre os dias 24 de agosto e 1º de setembro, a Promotora de Justiça Louise Schneider Lersch realizou palestras para alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, com idades entre 12 e 18 anos. As atividades ocorreram na EEB Padre Izidoro Benjamin Moro, em Lindóia do Sul, na EEB Marcolino Pedroso, em Arabutã, e na EEB Benjamin Carvalho de Oliveira e no Núcleo Educacional Municipal João Canton, ambos localizados em Ipumirim.
Nos encontros, a representante do MPSC esclareceu para os estudantes temas relacionados à violência doméstica e familiar. As crianças e adolescentes também puderam esclarecer dúvidas, que foram elaboradas por escrito para assegurar privacidade aos autores. “Nós tratamos sobre o ciclo da violência e diferentes cenários de relacionamentos tóxicos. Em todas as turmas com quem tive a oportunidade de dialogar, questionamentos se repetiram: ‘Por que alguns homens agem dessa forma? O que os leva a não ter empatia com a vida das mulheres? Como podem agir com violência?’. São perguntas que eu me recordo de também ter me feito muito quando era adolescente. Por isso, debater esse tema nas escolas é fundamental”, disse a titular da Promotoria de Justiça de Ipumirim.
A rodada de palestras nas escolas será concluída na próxima sexta-feira (4/9) com os alunos da EEB Orides Rovani, unidade escolar voltada para educação do campo e situada no interior de Ipumirim.
Violência contra as mulheres é crime. Denuncie!
Se você sofre ou conhece alguma mulher vítima de violência doméstica e familiar, faça uma denúncia:
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Ouvidoria MPSC: ligue 127 ou preencha o formulário on-line;
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Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT): clique aqui e veja como buscar atendimento;
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Polícia Militar: ligue 190;
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Polícia Civil: ligue 181 ou faça um boletim de ocorrência on-line;
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Central de Atendimento à Mulher: ligue 180.