Coordenadora do CIJE orienta adolescentes sobre segurança na internet em escola de São José
Na primeira palestra de um ciclo que vai percorrer diferentes escolas, Promotora de Justiça Daniela Böck Bandeira abordou crimes virtuais, cyberbullying e estratégias para identificar golpes e situações de manipulação no ambiente digital.
A segurança de crianças e adolescentes na internet foi o tema de uma palestra ministrada pela Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (CIJE) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Promotora de Justiça Daniela Böck Bandeira, na manhã desta quinta-feira (22/10). A atividade integra o programa Acesso Seguro e é a primeira de um ciclo que percorrerá diferentes unidades educacionais no Estado. Ela ocorreu na Escola Básica Estadual Professor Américo Vespúcio Prates, em São José, e reuniu estudantes do 6º ano do ensino fundamental à 2ª série do ensino médio.
“A internet está presente em todos os espaços da vida dos nossos jovens, mas nem sempre eles conhecem os riscos aos quais estão expostos. Por isso, é fundamental ocuparmos as escolas com informação, diálogo e prevenção, falando uma linguagem acessível e próxima da realidade dos estudantes. Quanto mais a comunidade escolar estiver engajada na educação e na segurança digital, mais preparados e protegidos estarão crianças e adolescentes diante dos desafios do ambiente on-line”, disse.
Com uma abordagem e linguagem próxima da realidade dos jovens, a Promotora de Justiça apresentou situações do cotidiano digital para estimular a reflexão sobre os riscos e as responsabilidades envolvidos no uso da internet. A palestra começou com a pergunta: "O que vocês estão fazendo na internet?". A partir das respostas, Daniela conduziu a conversa sobre os benefícios da tecnologia, os limites do uso das redes sociais e os cuidados necessários para navegar com segurança.
Um dos pontos abordados foi o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e seus efeitos sobre a atenção. A palestrante também destacou a importância de reconhecer quando a conexão deixa de ser uma escolha e passa a interferir na rotina. “A questão não é sobre estar conectado, mas sobre perceber que você já não consegue se desconectar”, explicou Daniela.
Com ajuda de dois personagens jovens, criados especialmente para facilitar a compreensão e ilustrar situações do cotidiano digital, Daniela apresentou exemplos fictícias inspirados em experiencias que podem ocorrer nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens. As situações permitiram discutir as consequências da criação, do armazenamento e do compartilhamento de imagens de conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes. A Promotora de Justiça ressaltou que o fato de uma pessoa não ter produzido originalmente uma imagem não a isenta de responsabilidade por sua divulgação. Também alertou para os riscos do envio de conteúdos por meio de ferramentas de visualização única, destacando que imagens e vídeos podem ser registrados por outros meios, mesmo quando a plataforma oferece esse recurso.
Outro alerta foi sobre a permanência dos conteúdos na internet. Depois de compartilhada, uma imagem pode alcançar um número muito maior de pessoas e ser difícil de retirar de circulação, ampliando os danos à vítima. Daniela também explicou o conceito de ato infracional e destacou que adolescentes também podem responder legalmente por condutas que constituam infrações, conforme as regras previstas na legislação.
A partir de outro exemplo envolvendo um dos personagens que conhece alguém pela internet, a Promotora de Justiça discutiu estratégias de manipulação emocional. Frases como “Se você realmente gostasse de mim, faria isso” foram utilizadas para mostrar como pessoas mal-intencionadas podem recorrer à pressão emocional para conseguir imagens, informações ou outras vantagens.
Ao final, a mensagem foi de que não é necessário deixar de usar as redes sociais, mas aprender a utilizá-las de maneira mais consciente. Desconfiar de abordagens suspeitas, evitar compartilhar conteúdos íntimos, interromper o contato com possíveis golpistas, bloquear e denunciar perfis e procurar ajuda são medidas importantes para reduzir riscos.
Acesso Seguro
O Acesso Seguro, programa do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (CIJE) do MPSC voltado à conscientização, orientação de famílias e prevenção de riscos digitais será lançado no próximo dia 5, durante o evento "Proteção Integral de Crianças e Adolescentes na Era Digital: desafios e perspectivas para a atuação institucional".
O programa busca ajudar famílias, crianças, adolescentes e profissionais da rede de proteção a compreender melhor os riscos presentes na internet e a identificar situações que possam comprometer a segurança e os direitos das crianças e adolescentes.
Sobre o CIJE
O Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (CIJE) presta suporte técnico-jurídico aos Promotores(as) de Justiça com atuação na área em todo o Estado.
Também desenvolve programas e campanhas educativas voltadas à proteção de crianças e adolescentes e ao fortalecimento das políticas públicas de educação.