No caminho de casa: o feminicídio de Catarina Kasten 

Catarina Kasten, 31 anos, foi assassinada na manhã de 21 de novembro de 2025 enquanto fazia o trajeto que percorria todos os dias: o caminho entre a Praia do Matadeiro e a Praia da Armação, em Florianópolis.  

Diferentemente das vítimas de feminicídio que compõem a maior parte do raio X traçado pelo MPSC, Catarina não convivia com um agressor, não estava em um relacionamento abusivo e não havia histórico de ameaças. Muito pelo contrário. Sua morte ocorreu fora de casa e sem qualquer relação prévia com o autor. Ela seguia para a aula de natação quando desapareceu. Foi atacada por um homem que não conhecia. Horas depois, seu corpo foi encontrado próximo ao percurso usado diariamente pela comunidade.  

O feminicídio de Catarina evidencia um aspecto crucial apontado no Mapa do Feminicídio: a violência de gênero não se limita ao ambiente doméstico ou às relações de intimidade. De acordo com o relatório, 4,5% dos feminicídios foram cometidos por completos desconhecidos, demonstrando que a violência letal contra mulheres também se manifesta em interações ocasionais e em espaços públicos, o que revela que o gênero, por si só, pode ser gatilho para o crime. 

Além disso, o caso de Catarina compõe o conjunto de ocorrências em que a violência sexual aparece associada ao feminicídio – circunstância identificada em 2,9% dos registros no período analisado. Nesses episódios, a agressão sexual ocorre antes, durante ou logo após a morte, ilustrando situações em que a letalidade de gênero se articula à dominação do corpo da vítima. 

Esses casos revelam a instrumentalização extrema da violência de gênero, seja como forma de subjugação sexual, seja para tentar eliminar vestígios.  

O réu, um homem de 21 anos que confessou o crime, está preso. Ele responde por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver, com qualificadoras e agravantes.  

Trechos do Episódio 4

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